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Fio de Prumo



Sábado, 16.07.16

Integração

 

O problema da possível, mas não confirmada, acção terrorista em Nice — por mim, julgo tratar-se de um acto tresloucado levado a cabo por um desajustado social — trouxe para a ribalta a questão da integração dos indivíduos que escolhem a Europa para viver e onde criam descendência tendencialmente desajustada.

 

Ouvi alguém referir que a integração dos imigrantes nos EUA se faz melhor e mais perfeitamente do que na Europa e, depois de pensar um pouco, achei a afirmação absolutamente desconchavada e feita no ar, sem qualquer fundamento de análise. Gostaria de partilhar convosco a minha conclusão.

 

Há uma diferença abismal entre a Europa e os EUA no plano histórico-social: estes constituem um território de ocupação recente e aquela é uma manta de retalhos territoriais e culturais com cerca de mil e quinhentos anos de evolução; estes foram ocupados e “construídos” por uma maioria de quase “desvalidos” idos da Europa para lá em busca de oportunidades que não tinham nas suas terras de origem; a Europa é uma terra de “evolução” política e cultural e os EUA são uma terra de “importação” de diferenças políticas, religiosas e culturais, que só homogeneizadas por um “sonho” — o da liberdade e prosperidade material — puderam gerar uma nação. Assim, a integração, nos EUA, resultou de uma necessidade sentida pelo imigrante a qual se consolidou num imperativo político, em especial, depois da guerra civil. Na Europa o imigrante não sente necessidade de “ser igual” aos restantes cidadãos, porque a Europa é, ela mesma, um conjunto de diferenças estruturadas política e socialmente nessas mesmas diferenças. Um imigrante na Europa está para o país de abrigo como um porto-riquenho, um mexicano, um cubano, um brasileiro ou um colombiano está, actualmente, para os EUA. Contudo, persiste uma diferença: na Europa, embora se estabeleça a condição linguística de integração, favorece-se, incentiva-se e apoia-se a diversidade cultural! Nos EUA há o “american way of life”, mas na Europa não há esse conceito em qualquer dos Estados ou, havendo, traduz-se como uma atitude xenófoba.

 

A criminalidade e a marginalidade encontram terreno fácil para se instalar junto das comunidades imigrantes, na Europa, tal como acontece, agora, nos EUA junto das comunidades latino-americanas por eles marginalizadas. A grande semelhança é que nos EUA já se estabelecem diferenças culturais tal como as que existem na Europa.

 

Depois desta reflexão sobre imigrantes na Europa, como será possível tentar uma “integração” de diferenças nacionais para formar uma União? Vontade política é nada perante a “natureza” dos povos!

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por Luís Alves de Fraga às 10:29



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