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Fio de Prumo



Domingo, 11.09.16

Estou a perceber bem?!

 

Em declarações recentes, os responsáveis políticos pela educação superior, dizem que é preciso “empurrar” todos os alunos que acabam o ensino secundário para universidades e politécnicos. Ora, tal desejo faz-me uma tremenda confusão! Esperem aí, para ver se eu percebo!

 

Vossas Excelências acham que todos os alunos que acabam o 12.º ano devem frequentar cursos superior? É isso?

Se é isso, algum de nós está a ver mal o problema, pois deve estar a chamar “superior” àquilo que eu não chamo ou, chamando, e bem, está à espera que os canos se arranjem sozinhos, que os prédios se construam por si mesmos, que os móveis se façam sem intervenção de mão-de-obra humana! Será isso?

Ou será que para esses trabalhos “menores” (pensarão, se calhar, Suas Excelências) devem ir todos os indivíduos jovens incapazes de acabar qualquer tipo de ensino? Ou será que estão à espera dos imigrantes?

 

Há aqui muita coisa que me ultrapassa!

Uma, que, parece-me, está a acontecer é pretender baixar o nível cognitivo dos cursos superiores — para isso já contribuiu a redução do número de anos para se obter o grau de licenciado e mais todo o esquema dos chamados ciclos do ensino superior que, feitas as contas, transformam um finalista do ensino secundário, dez anos depois, num doutor (com todas as letras) — e outra é não se perceber que somos poucos (já quase não chegamos a dez milhões) para nos distribuirmos por tudo o que há a fazer!

 

Ah, pois é! É que temos licenciados a mais! Temos uma péssima distribuição da população com idades compreendidas entre vinte e cinco e cinquenta e cinco anos, visto que, sem ter de me socorrer de números estatísticos, posso afirmar ser excessivo o peso percentual de licenciados, neste escalão da população. Mas isto não quer dizer que os licenciados estejam a desempenhar funções compatíveis com a sua formação! E é aqui que está a entorse social, porque se continua a fazer um discurso a apontar para a distorção.

 

Tenhamos a coragem, uma vez por todas, de ser capazes de chamar os bois pelos nomes!

Em Portugal o Estado sustenta universidades a mais! Sustenta um excessivo número de institutos politécnicos!

Deixem ao ensino superior privado a possibilidade de satisfazer os desejos das famílias, gerando entorses que são da responsabilidade dessas mesmas famílias, mas que lhes vão custar dinheiro. O Estado não pode ser o “animador” da entorse!

Tem de haver padeiros, sapateiros, operários que não sejam intelectualmente o rebotalho de todos os que andaram na escola e, quando se reclama um maior ingresso no ensino superior, é a isso que se está a condenar parte do tecido social jovem. Condenam-se os trabalhadores braçais e manuais à condição de rebotalho!

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por Luís Alves de Fraga às 20:16


1 comentário

De Sérgio a 11.09.2016 às 21:54

Boas.

Pelos vistos todos no futuro terão de ter canudo, nem que seja para assentar tijolos! Se bem que, olhando para o desenvolvimento da robótica, será um curso/canudo com poucas perspectivas de futuro!

https://www.youtube.com/watch?v=Kq0A1JU77Es

Quanto a isto "Deixem ao ensino superior privado a possibilidade de satisfazer os desejos das famílias", concordo apenas e só se não entrar nestes estabelecimentos privados um único euro de ajuda estatal, pois então estamos apenas e só a substituir o desperdício em "... universidades a mais! Sustenta um excessivo número de institutos politécnicos!" pelo desperdício em privados.

Que linda ilusão...

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