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Fio de Prumo



Terça-feira, 25.08.15

Em jeito de balanço

 

Por razões que não vêm ao caso, tenho estado muito mais confinado à vida dentro de casa do que fora, como é meu costume. Assim, leio notícias, vejo e oiço telejornais durante o dia e grande parte da noite.

Para além da situação interna, que vale o que vale e, nós já sabemos, é pouco, somos literalmente bombardeados com duas questões cruciais: a tentativa de entrada massiva de imigrantes na Europa através do Mediterrâneo, vindos do Médio Oriente e do Norte de África, e as destruições bárbaras, de toda a natureza, levadas a efeito pela gente do auto designado Estado Islâmico. No resto as notícias são pontuais e variam com os dias e as ocasiões.

Em face disto, mesmo tendo em conta a actual celeridade da informação, fruto de já ter vivido um significativo número de dezenas de anos, posso dizer que os desequilíbrios no mundo nunca estiveram assim, a não ser no período da 2.º Guerra Mundial. Vale a pena, creio, fazer um balanço das causas dos dois fenómenos mais pungentes a que atrás me referi.

 

Poderia tentar explicar, com base na História e nas migrações do passado associadas à fome e aos desequilíbrios produtivos, as migrações do presente. Mas isso levar-me-ia onde? Julgo que, tão-somente, à conclusão de estarmos a assistir a um novo tipo de movimentos de massas populacionais de um lado para o outro, tentando provar a tendência cíclica da História. Mas haverá, realmente, algum ponto de semelhança para além da própria movimentação? Com toda a certeza, garanto que não! E não, porque os movimentos do passado, ao que se sabe, foram orgânicos, ou seja, trataram-se de deslocações de povos culturalmente identificados entre si e obedientes a uma chefia que os conduzia. Não é isso que acontece nos dias de hoje. Assim, a “semelhança”, como se costuma dizer, “morre na praia”. Ah, mas a semelhança tem de levar em conta o factor atractivo que a “zona rica” exerce sobre os povos das zonas pobres! Pois, até parece que o argumento seria válido. Contudo, os movimentos migratórios do passado histórico desconheciam onde havia “riqueza” e “abundância”; deslocavam-se as massas populacionais até ao local onde pudessem não só sobreviver como, acima de tudo, viver. Este é, por conseguinte, um argumento de dissemelhança e não de semelhança.

Arrumada esta argumentação, passível de ser usada por quem defende as migrações, vejamos, então, algo mais sobre o que se diz destes actuais movimentos populacionais.

 

Há quem, para controlar a entrada de gente miserável na Europa, proponha soluções tão drásticas como as que isolaram o mundo socialista do mundo capitalista depois da 2.ª Guerra Mundial: fechar as fronteiras e fazer muros. No outro extremo, há quem defenda a abertura, mais ou menos descontrolada, da Europa aos povos que aqui querem melhorar a sua condição de vida. Mas onde estão aqueles que preconizam o “ataque” às causas desta necessidade de migrar?

Vamos pensar “lá atrás”! Vamos à origem do problema!

Por onde os políticos e os europeus têm de começar é por fazer acabar os distúrbios sociais e políticos que geram a vontade de fuga! Então, temos de analisar caso a caso; ver onde há fome e desemprego para estabelecer programas de ajuda, que não sirvam para encher os bolsos dos políticos corruptos locais; ver onde há guerra e estancar a origem do conflito; ver onde há instabilidade social e política e encontrar o modo de lhes pôr fim.

Claro que, ao fazer tudo isto, a Europa, em especial os cidadãos europeus, descobririam que, em muitos casos, a sua, a nossa, abundância foi e está a ser construída à custa do depauperamento das riquezas dessas regiões “desequilibradas”; descobririam que somos nós e os nossos políticos e os políticos dos Estados nossos aliados quem gera as guerras e as instabilidades sociais e políticas para alcançar benefícios, lucros e bem-estar.

E o Estado Islâmico não é mais do que um produto do confronto entre esta nossa “civilização” e a de povos que, não encontrando saída para a instabilidade social, política e económica a que foram obrigados por força da satisfação do nosso bem-estar, optam por uma revolta com contornos religiosos, que, bem no fundo, é uma revolta contra um sistema que os condena a viver em submundos do mundo. Então, barbaramente, como sinal de negação de valores, destroem monumentos que recordam a evolução do Homem até este estádio de destruição planetária… porque nós vivemos o bem-estar sentados sobre o explosivo que acabará por destruir a razão de ser e a finalidade desse mesmo bem-estar.

Temos de parar para pensar! Temos de ser capazes de separar a alienação que o sistema nos impõe para sermos hábeis para pôr o próprio sistema em causa! E, creio, nisto não há esquerda nem direita! Há sentido de sobrevivência da Humanidade ou de destruição dela!

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por Luís Alves de Fraga às 14:40



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