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Fio de Prumo



Sexta-feira, 07.08.15

Centro Cultural de Belém

 

Já "ninguém" se lembra (este ninguém tive de pô-lo entre aspas por razões evidentes, para alguns) como nasceu, logo após a adesão à CEE, a megalomania das obras públicas em Portugal.

Não, dizem alguns dos meus leitores, recordando a construção da auto-estrada de Vila Franca para o Porto, porque a de Lisboa até à primeira localidade referida vinha já do tempo do fascismo nacional e nacionalista!

 

Sim, claro, a auto-estrada... mas essa parecia necessária, independentemente de se ter até podido optar pela melhoria das ferrovias, coisa que não se fez, antes pelo contrário. Nesse tempo, ainda se estavam a instalar as grandes construtoras de interesses "betonescos" (neologismo, por mim criado, oriundo de betão). Contudo a construção civil era, de há muito, a grande "indústria" nacional. Havia que apoiá-la. E o Governo Cavaco Silva não se fez rogado! Avançou para a obra megalómana do Centro Cultural de Belém.

 

Por favor, não me venham, os frequentadores e simpatizantes do actual Centro Cultural de Belém, tecer louvores à iniciativa! Eu sei o que ela vale e para que vale! Contudo, não esqueci a imensa polémica que à sua volta se gerou! Quem tiver dúvidas, consulte os jornais da época. Porque, para além de, então, se colocar em causa a sua necessidade, houve a derrapagem de custos que, para aquele tempo, foi enorme! E alguém ganhou muito com isso!

 

E todos os que contestaram a obra, desde o estilo à localização, desde o custo à dimensão, estavam cheios de boas razões! O Centro Cultural de Belém é um sorvedouro de dinheiro público e a lógica custo-benefício, se não for manipulada, demonstra que noutro local, noutras condições e noutro tamanho, quiçá por mera recuperação de um imóvel clássico já existente, se poderia ter o mesmo com menores custos.

 

Foi a parolice de um Governo impante de balofa vaidade que pariu aquele monstro para concorrer com o que de melhor há lá por fora. Ora, se a concorrência se fizesse a outros níveis, talvez os humanitários, a "fotografia" ficasse melhor!

Que ninguém me julgue contra a cultura! Não é disso que estou a escrever; o que eu condeno é esta mentalidade de fazer ou ter alguma coisa que seja maior e melhor do que o existente na estranja! É a ponte Vasco da Gama, é isto e aquilo e ninguém se preocupa com o sermos os melhores no desenvolvimento de políticas sociais, de cuidados com as nossas crianças e com os nossos velhos, com os bons planeamentos políticos e infra-estruturais do país.

 

Somos tão parolos, tão novos-ricos, tão imbecilmente vaidosos, tão dados à mera aparência e tão pouco profundos nos valores verdadeiramente estruturantes da sociedade e do civismo!

 

O Centro Cultural de Belém está de pé como padrão desta indigência política e desta pobreza de costumes. Não se esqueça quem o quis rapidamente acabado para servir de sede para as reuniões da primeira presidência de Portugal na CEE. Só isso terá feito sorrir cinicamente os políticos das grandes potências europeias de então.

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por Luís Alves de Fraga às 12:26



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