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Fio de Prumo



Segunda-feira, 21.12.15

A implosão a Leste

 

Muitos dos críticos da governação de Passos Coelho e também anti-comunistas ainda não perceberam que o desaparecimento da URSS foi uma dupla vitória da alta finança apátrida e mercenária.

 

Realmente, com o sumiço da Internacional Comunista apoiada e conduzida por Moscovo, os Partidos Comunistas do mundo ocidental perderam a força estratégica que possuíam, por serem tidos como a ponta de lança da revolução no seio do capitalismo feroz e incontido. Essa foi a primeira vitória do capitalismo apátrida.

É tão verdade a afirmação anterior que o capitalismo do século XX, especialmente o da segunda metade, só foi capaz de se expandir, na sua máxima potência, enquanto multinacional e, às vezes, transnacional, Os termos "neoliberal" e "neo-liberalismo" surgiram uma dezena de anos depois da implosão da URSS e quase em simultâneo com o conceito de "globalização" aplicado ao fenómeno de expansão do capitalismo a nível planetário. Nada disto foi por acaso!

 

O processo de afirmação do capital financeiro fez-se seguindo o caminho inverso do da implantação do socialismo marxista. Com efeito, enquanto Marx preconizava a globalização do comunismo, plasmada, podemos dizê-lo com algum atrevimento pessoal, na frase «Proletários de todo o mundo uni-vos!», o capitalismo financeiro do século XIX passou por ser fundamentalmente nacionalista para, hoje, ser globalista. Foi Lenine, em 1917, quem mostrou ser possível a revolução socialista num só Estado. Essa prova, que se queria definitiva, teve, afinal, uma longevidade curta, porque na dialéctica capitalismo-socialismo o primeiro derrotou o segundo, talvez por este ter tentado vencer etapas, "queimando-as", com excessiva rapidez. E esta foi a segunda vitória do capitalismo. Contudo, tal facto não anula nem a revolução socialista, nem o caminho para o socialismo. Somente prova a necessidade de deixar o capitalismo esgotar-se nas suas próprias contradições, sendo que a globalização é, talvez, a última fase do seu crescimento e aquela que o vai levar ao fim.

Depois de exaurida a "economia do petróleo" abrir-se-ão outros horizontes para a sociedade socialista como nova fase da vida da humanidade. A implosão do bloco de Leste era uma questão de tempo e, para além do mais, uma inevitabilidade, visto, na economia do sistema soviético, terem de coexistirem dois sistemas económicos: internamente, o de economia planificada, e, externamente, o capitalista de alta concorrência pautado e determinado pela guerra-fria.

 

É conveniente que os politólogos nacionais e, quiçá, os estrangeiros comecem a olhar para o actual quadro político português como a hipótese de ser uma janela para os alinhamentos partidários do futuro, os quais, no longo caminho da evolução da economia, da política e da sociedade, constituirão os "entraves naturais" para pôr a descoberto a contradição capitalista global, provando que a soberania não reside na finança, mas, como foi gritado na Revolução Francesa - ela mesma uma erupção da luta de classes -, no Povo.

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por Luís Alves de Fraga às 01:18



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