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Fio de Prumo


Sábado, 11.03.17

Foi em 1975...

Felizmente houve um golpe nesse 11 de Março. Felizmente, porque assim foi possível nacionalizar a banca e evitar que, pela via económica, se fizesse o contra-golpe.
A nacionalização da banca era necessária em 1975, tal como foi necessário em 1383-1385 confiscar os bens da nobreza que se bandeou com Castela, em 1834 nacionalizar os bens imóveis da Igreja Católica, acabar com os morgadios, expulsar as ordens religiosas e em 1910 voltar a nacionalizar os bens da Igreja. É que só matando a força da reacção se consegue alterar um rumo político... e a revolução liberal de 1820 não vingou por falta de aplicação do remédio.


A liberdade e a democracia existem hoje em Portugal, porque o, então, general Spínola deu uma ajuda, proporcionando o motivo para o abate dos outros conspiradores dos quais o velho militar era, afinal, tão-só o testa-de-ferro. As gerações de hoje devem-lhe esse empurrão.

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por Luís Alves de Fraga às 10:17

Sexta-feira, 10.03.17

Foguetes

 

Muita gente deixa-se enganar pela atitude do Presidente da República, que parece dar quase total protecção ao actual Governo enquanto ataca, com maior ou menor contundência, a oposição, nomeadamente o PSD. Abrem-se os jornais e são só foguetes a estalar, porque o entendimento entra S. Bento e Belém tem sido estupendo!

 

Desengane-se quem anda assim tão alegre! Desengane-se, porque, se amanhã houvesse uma reviravolta política em Portugal e a oposição fosse governar, o Presidente da República não alterava em nada o seu estilo. Continuaria a apoiar o Governo!

Porque seria um vira-casacas? Nem se pense em tal!

Porque entende que a sua obrigação é manter a estabilidade governativa. Ele, ao contrário do anterior Presidente, tanto quanto penso, não usa o cargo para desequilibrar a acção do Governo, mas, ao invés, para lhe dar estabilidade.

 

E tudo isto é assim, porque é desta forma que Marcelo Rebelo de Sousa entende o papel do Presidente da República: um fiel da balança equidistante dos partidos e próximo das massas populares. Julgo que ele, no presente momento, só se sente obrigado perante Portugal. Os que hoje lhe dão palmadinhas nas costas não se sintam atraiçoados amanhã se tiverem de deixar as cadeiras do Poder.

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por Luís Alves de Fraga às 10:25

Quinta-feira, 09.03.17

Por onde anda a nossa soberania?

 

Há coisas que devemos desconhecer, porque ou não foram devidamente publicitadas ou não foram devidamente plebiscitadas. Uma delas é, sem dúvida nenhuma, os cortes na nossa soberania nacional quando aceitámos entrar no “clube europeu”, sem impor condições, sujeitando-nos a aceitar as imposições de todas as condições.

 

De manhã, leio a crónica “Expresso Curto”, que subscrevi e recebo no meu e-mail. Ontem topei com o pedaço de prosa que transcrevo:

«Venda do Novo Banco à Lone Star ainda não está fechada, mas as negociações estão praticamente concluídas e desconhece-se o valor alcançado. Falta depois a luz verde da UE, mais propriamente da Autoridade da Concorrência. Como se trata de uma mudança da lei bancária que prevê a venda da totalidade do Novo Banco para deixar de ser banco de transição o BCE é a primeira entidade a ter de autorizar, só depois vem a DG Comp.»

 

Ora será que, a frio, os meus Amigos estariam dispostos a aceitar este tipo de dependência de órgãos da União Europeia, que “mandam” naquilo que é nosso e que fomos nós quem pagou?

 

Sempre fui contra a dependência da CEE e da sua “herdeira”, a União Europeia. Nós, tal como os outros povos do mundo, temos o nosso “destino”, ditado pela nossa História e pelas condições específicas da nossa geografia. As problemáticas europeias sempre nos passaram “ao lado”, porque soubemos, enquanto Povo, escolher o nosso caminho e o nosso destino. Este “casamento” — de interesse — foi mal negociado e continua a ser negociado de modo subserviente. Portugal, enquanto entidade nacional, tem direito a impor condições para ter de aceitar outras. E o bom negócio é aquele que satisfaz ambas as partes contratantes.

 

É tempo de, em nome de nós mesmos e não de qualquer ideologia política, impormos à União Europeia as nossas condições, aproveitando a “embalagem” do Brexit. Mas, para o fazer, temos de começar por impor a nossa vontade aos políticos que nos governam. Tenhamos capacidade para o fazer.

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por Luís Alves de Fraga às 12:28

Sábado, 04.03.17

Loucura ou novo estilo?

 

Donald Trump tornou-se a notícia diária dos órgãos de comunicação social de, julgo, todo o mundo! É mais viral do que, entre nós, os imensos comentadores televisivos de futebol ao domingo à noite e no fim do dia de segunda-feira! Estes chateiam e aquele diverte-nos se não for perigoso.

 

Realmente, Trump tornou-se no Presidente Espectáculo, porque ou é um alucinado ou está a impor ao mundo um novo estilo de fazer política. E, se esta hipótese for a verdadeira, então o mundo está a tornar-se num lugar ainda mais perigoso do que já é.

 

Não se julgue que a minha afirmação resulta do prometido aumento de despesas com a defesa norte-americana - isso só tem um fim: reduzir a taxa de desemprego e aumentar a capacidade de consumo interno dos cidadãos. Trump torna o mundo mais perigoso, porque, se está a tentar impor um novo estilo de governação, fá-lo como se fosse um louco irresponsável e, no plano das grandes decisões mundiais, não há lugar para irresponsabilidades. O mundo não é uma grande empresa, nem a condução da política internacional é igual ao tipo de manobras que se fazem no âmbito das grandes companhias que se desmantelam e cujo maior dano colateral provocado são centenas, milhares, de desempregados. Um desequilíbrio no mundo pode resultar em milhões de mortes. Os estados-maiores não brincam ao "monopólio"... aguardam somente que lhes seja dada autorização para tornarem o conflito latente em conflito real.

 

Trump não pode ser verdade durante um mandato presidencial! Ele move-se num campo minado e, um dia destes, pisa uma mina! Queira Deus que, ao fazê-lo, não arraste consigo metade da população no nosso planeta, que ainda é a casa comum de todos nós.

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por Luís Alves de Fraga às 22:31

Segunda-feira, 27.02.17

Offshores

 

Não, não venho falar-vos do escândalo de fuga aos impostos aquando desta fuga de capitais. Não é disso que vos venho falar. O que me move hoje é a incapacidade de se pegar nesta questão por um outro lado.

 

- Que lado?

Pois, é simples, e já respondi! O da fuga de capitais!

 

- De quê precisa mais Portugal?

De capitais que sejam investidos no nosso país para aqui renderem e darem emprego a quem dele necessita!

A taxa de imposto sobre capitais saídos de Portugal deveria ser de 99%. Exactamente, 99%.

- Para quê?

Para desincentivar a saída de dinheiro do país!

Dinheiro que sai é dinheiro que não fica na nossa banca e que não entra na circulação económica, permitindo empréstimos para investimentos rentáveis e, acima de tudo, úteis à nossa economia.

 

Este é que é o lado feio e negro dos offshores, pois esse dinheiro vai servir outras economias onde a rentabilidade é maior. Nesta altura dos acontecimentos, pôr dinheiro fora do país é um acto de lesa-pátria e devia ser condenado com pesadas penas de prisão.

 

Vejam lá se os órgãos de comunicação social já se preocuparam em divulgar - ou, ao menos, em tentar saber - a quem pertencem os dez mil milhões de euros?! Não! Importante é a culpa política e o não pagamento da taxa fiscal!

 

Bolas! Importante é saber quem lesiona a economia nacional com a saída de dez mil milhões de euros do nosso mercado financeiro!

Jornalistas de investigação, estamos à espera do vosso trabalho...

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por Luís Alves de Fraga às 10:19

Sábado, 25.02.17

Marquês

 

Nos tempos da quase falência financeira da quase falida Monarquia portuguesa, vendiam-se títulos de nobreza a quem desse mais dinheiro por eles e, daí nasceu a célebre interrogação: «Foge cão, que te fazem barão! Para onde, se me fazem visconde?».

 

Dá-me vontade de, parafraseando esta ideia e usando o título de marquês, gozar com a Procuradoria-Geral da República que, na falta de arranjar "matéria-prima" junto das lixeiras onde ela abunda, "enfia" tudo o que passa "perto" no, longo e sem fundo, "saco da operação marquês".

Quem faltará acusar?

 

Cuidado! Que tenha muito cuidado quem "trabalha" lá para os lados de Alcântara, em devido "regalo", pois não vá o Ministério Público lembrar-se de mexer em passados distantes!

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por Luís Alves de Fraga às 10:59

Sábado, 25.02.17

Cautelas

 

Portugal precisa de todo o mundo para viver. Literalmente, todo o mundo.

Portugal vive de vender para fora e de comprar o que vem de fora. Sempre esteve muito longe de ser um Estado economicamente autónomo. Daí que Portugal não se possa dar ao luxo de gerar maus ambientes diplomáticos com outros Estados. Todavia, isso não é motivo para que as mós da Justiça deixem de moer! Contudo, podem moer silenciosamente, sem publicidade, com eficiência e, acima de tudo, com diplomacia.

Angola já não é uma colónia há mais de quarenta anos! O pacto diplomático devia envolver a Justiça e os órgãos de comunicação social. Tudo deveria passar pelas chancelarias e só quando acordado, seria do domínio público!

Infelizmente, o nosso jornalismo, querendo ser sensacionalista, é chocalheiro.

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por Luís Alves de Fraga às 10:58

Sábado, 11.02.17

A Mentira e os Mentirosos

 

Estou farto desta guerrilha que a direita política tem feito quanto à "mentira" do ministro Centeno sobre a Caixa Geral de Depósitos!

Estou farto de ouvir Passos Coelho tentar enxovalhar o ministro das Finanças. Então, Passos Coelho e os seus amigos!

 É que o líder da oposição não se enxerga! É ele quem fala de mentira?! Ele o mais mentiroso de todos os políticos nacionais?!

 Já esqueceram as promessas eleitorais desse mentiroso compulsivo? Já esqueceram que prometeu uma coisa e fez, depois de ter conquistado a governação, exactamente o contrário, causando a ruína de muitos portugueses?

Qual é o crédito que Passos Coelho pode ter junto de gente séria, honesta e com memória?

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por Luís Alves de Fraga às 21:57

Domingo, 05.02.17

Os Indicadores: Portugal Está Bem ou Mal?

 

Chegam-nos notícias de fora, de dentro, do Governo, da Presidência da República, dizendo que Portugal está a recuperar da situação de crise por que passou e a qual provocou limites de ruptura insuportáveis alegremente estabelecidos pelo governo de Passos Coelho. Há números que não nos enganam, pelo menos após uma observação inicial. Por exemplo, o desemprego está a baixar. Mas a oposição — fiel ao seu papel e ao seu destino — reduz quase tudo a nada ou, pior, quase tudo a uma mentira para ser consumida pelo público desatento.

Onde está a verdade?

 

Julgo — e somente julgo — que a verdade está algures no meio-termo entre o apregoado êxito e o anunciado fracasso. E a explicação é fácil: Portugal e a governação de Portugal não são livres! As regras impostas pela União Europeia e, em especial, as do euro — essa moeda única do nosso descontentamento — limitam as soluções e impõem condições cuja acção se reflectem, imperiosamente, sobre todos nós e, acima de tudo, no Governo, pois tem de tentar agradar a gregos e a troianos dada a dependência do apoio parlamentar que tem.

 

Repare-se na questão política do momento, que parece estar a pôr em causa o equilíbrio governamental: a precariedade laboral dentro do Estado e, dentro dela, o caso dos assalariados precários em regime de emprego em empresas prestadoras de serviços.

 

A argumentação comunista e bloquista é de uma lógica transparente: se os trabalhadores fazem falta e se há lugar para eles estarem a trabalhar, então, o Estado que os assuma como seus funcionários. Alguém, em seu juízo perfeito, nega esta evidência?

Ora o que o Estado não pode dizer, através do Governo, é que a “lógica” comunista e bloquista só poderia ser aceite se fosse viável pagar ao trabalhador precário o baixo salário que se paga por ele à empresa que o contrata! E depois? E depois tudo o que arrasta essa vinculação ao funcionalismo público? Progressão de carreiras, aumentos salariais da função pública? É que não basta só resolver a aparência… há que pensar nas consequências!

 

Estou em desacordo com os comunistas e bloquistas? Claro que não! Concordo com eles, mas recordo o que eles não dizem! É que manter o deficit entre determinados padrões numéricos exige jogos de cintura terríveis! Salazar era perito nessa “dança”! Só para não aumentar as pensões de reforma e amarrar o Orçamento Geral do Estado a compromissos futuros, ele usava do truque de aumentar os funcionários através de lhes atribuir subsídios… subsídios que resolviam o problema imediato, mas “empurravam com a barriga” um problema para um futuro longínquo… o futuro da reforma.

 

Bruxelas é o maior condicionalismo português. A União Europeia e o euro travam-nos soluções. Tudo seria bem diferente se não tivesse havido a ambição de transformar o legado meramente comercial e mercantil do pós-guerra em entendimento político alargado na base de diferenças culturais e comportamentais abismais.

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por Luís Alves de Fraga às 11:14

Domingo, 05.02.17

Eutanásia

 

De há muitos anos a esta altura, depois de descobrir os imensos prazeres da Vida, anulei qualquer resquício de ideia de suicídio construída em jovem, face a situações insuportáveis. Não, não me mato! Não acredito em milagres, mas acredito na capacidade de regeneração e na vontade de viver. Eu quero viver, porque viver é dar oportunidade a que alguma coisa diferente aconteça na minha vida. O diferente não me assusta e ele que venha! Saberei esperá-lo para me haver com ele.

 

Mas a eutanásia é um direito que assiste a todo aquele ser humano para quem o sofrimento físico é insuportável - ainda que, pessoalmente, creia não se saber o que é insuportável - e lhe queira pôr termo. Mas a eutanásia vai bulir com os princípios de quem está em condições de a poder pôr em prática para auxiliar aquele que a deseja. Haverá num direito individual o direito de anular outro direito individual?

 

Matar um animal irracional que está em sofrimento, que lhe tira o porte e o estatuto com que nasceu, é um acto de altruísmo, pois abdica-se do prazer de usufruir da sua companhia para o libertar. Mas um animal de estimação - ou que o não seja - não é um ser humano. Ao libertar o animal do sofrimento quem o faz executa-o quase por caridade. Contudo, não se mata um ser humano por caridade sem que se fique com a lembrança dessa morte na consciência! Só um anormal se queda indiferente.

 

Assim, se a eutanásia é um suicídio ela é também um crime para quem ajuda ao suicídio.

 

Dificilmente me suicidarei. Não o farei. Mas dificilmente criarei um problema de consciência a alguém, pedindo que me mate, ainda que por caridade. Então, então que seja eu a arcar com a negação do meu princípio de amor à Vida, mesmo acreditando que o diferente é um desafio.

 

A decisão política tem de ser tomada em total liberdade de consciência por quem tem de a tomar e, depois de legalizada a eutanásia, a lei tem de respeitar o direito de não condenar quem a não queira praticar, auxiliando quem quer praticá-la.

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por Luís Alves de Fraga às 00:35


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