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Fio de Prumo



Terça-feira, 05.02.13

Conceitos

 

Muitas vezes não pensamos a fundo na amplitude dos conceitos que as palavras encerram. É preciso ir mais longe do que a simples identificação do significado que vem no dicionário para perceber o que quero dizer. Por exemplo para que algum alimento seja doce ou amargo é necessário que se perceba que por trás destes atributos está um outro conceito que lhe dá suporte: o de paladar. Realmente só provando algum produto, isto é, fazendo uso do paladar é que se pode classificá-lo de doce ou amargo!

Em Economia o conceito de escassez ou de abundância supõe, tal como em relação ao amargo e ao doce, a existência de um outro conceito: o de necessidade. Nenhum bem é abundante ou escasso se dele não houver necessidade! O conceito de escassez ou de abundância existe porque existe o conceito de necessidade. Podemos, então, dizer que isolar economicamente o conceito de necessidade e atribuir-lhe um valor fundamental para o estudo económico dos bens é redundante e recíproco, porque quando se fala de escassez ou abundância se estão a equacionar estes conceitos em função do conceito de necessidade.

 

A teoria do valor, de Alfred Marshall, assenta, à luz de uma análise filosófica, num falso fundamento, como acabo de demonstrar, pois, para ele, é a necessidade e a quantidade que determinam o valor. Isto é, faz incidir a sua explicação numa redundância e numa reciprocidade mais do que evidentes, porque escassez e abundância já implicam necessidade, tal como quantidade, porque nada é “mais abundante” ou “menos abundante”, nada existe em maior ou menor quantidade, se não tiver sido necessário! É a percepção da necessidade que determina a percepção de abundância ou de escassez e vice-versa. Então, dizer que é abundante e dizer que é escasso é dizer que é necessário! É porque existe paladar que existe o doce e o amargo e vice-versa!

E não se diga que, porque há mais necessidade, um bem é escasso! Ele é escasso, porque não existe em quantidade, ponto final! Ele não seria nem escasso nem abundante, se não houvesse necessidade, ponto final! Não há mais paladar ou menos paladar: há, ou não há, paladar! O “mais doce” ou “menos doce” não é função do paladar, mas função de ter mais elementos adoçantes ou menos elementos adoçantes. Não foi a necessidade de ouro que determinou o valor do ouro! O que lhe determinou o valor foi a sua pouca abundância absoluta e, porque não é abundante, ele é mais valioso do que a prata ou a madeira. Foi a sua escassez absoluta que fez dele o padrão de comparação de valores. Evidentemente que ele era necessário e, porque necessário, foi adjectivado de escasso, mas deve o seu valor à sua escassez e não à sua necessidade.

E não se diga que estou a laborar numa falácia, porque, efectivamente, estou a determinar uma evidência relacionando conceitos!

 

Admiro muito todos os que se querendo dar ares de intelectuais aceitam sem interrogações as teorias que mais lhes convém! São um espanto, esses senhores!

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por Luís Alves de Fraga às 22:52



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