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Fio de Prumo



Quinta-feira, 06.12.12

Economia de mercado

 

A economia de mercado caracteriza-se, em primeiro lugar, pela liberdade estabelecida e balizada pela lei da oferta e da procura e, em segundo lugar, pela rotatividade rápida da substituição dos produtos adquiridos, ou seja, pela acelerada obsolescência do artigo comprado em consequência de melhorias técnicas introduzidas, por desgaste rápido ou simplesmente por alteração da “moda”, tudo isto tendo por base uma insuflação de falsas necessidades geradas pela publicidade.

Este modelo económico está em vias de se esgotar, porque assenta em três premissas fundamentais: baixo custo das matérias-primas, baixo custo da mão-de-obra integrada nos produtos, elevado poder aquisitivo dos potenciais compradores. Ora, como sabemos, as matérias-primas estão a ficar mais caras, porque os Estados que as detêm já não se deixam explorar; a mão-de-obra encareceu nos mercados com capacidade aquisitiva, obrigando a deslocalização das empresas produtoras e à consequente perda de poder de compra nos mercados anteriores; e, finalmente, generalizada perda de poder de compra nos mercados principais por excesso de endividamento das famílias como resultado de um excesso de consumo. A Europa e os EUA são um exemplo do que acabo de referir. Só por ter uma mão-de-obra quase “escrava” a China pode manter-se dentro do modelo, mas teremos de nos interrogar sobre essa capacidade, pois, também internamente, existe a tendência para elevar os graus de consumo, logo, a necessidade de aumentar o poder de compra que vai aumentar o custo dos produtos, donde, rapidamente a sociedade chinesa tenderá para a crise e colapso.

Esgotado o modelo de economia de mercado parece só restar como solução o modelo de economia planificada… mas será planificada não na base da abundância, mas na base da penúria. Será este o modelo económico que desejamos para os nossos filhos e netos? Se não é, levanta-se uma questão importantíssima: falta a definição de uma ideologia política nova que, por conseguinte, não seja a revisitação de outras anteriores, e apresente uma nova resposta para a problemática económica que se está a definir com a derrocada da economia de mercado.

A segunda metade do século XIX foi o tempo de “incubação” de “novas” ideologias político-económicas que responderam ao modelo demoliberal definido pela Revolução Industrial – social-democracia, democracia cristã, comunismo, fascismo – dando ao Estado um papel de relevo na regulação da economia. Será que a primeira metade do século XXI consegue encontrar uma ou várias doutrinas político-económicas que resolvam o impasse a que chegou o modelo político e económico do presente? Está na altura de dizer: - Novos pensadores precisam-se para formular novas teorias e novas doutrinas.

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por Luís Alves de Fraga às 10:10


1 comentário

De Fernando Vouga a 09.12.2012 às 10:31

Caro Alves de Fraga

Concordo com esta sua análise. Mas não sei se um novo paradigma resultará.
Quanto a mim, julgo que os sistemas de que fala falharam porque as pessoas, individualmente, não aderiram de alma e coração à ideia. Ou seja, o factor humano é decisivo. Por mais teorias que se desenvolvam, por mais opositores que se eliminem, mesmo aos milhões como na URSS estalinista, o interesse individual acaba por prevalecer ou, no mínimo, impedir o sucesso total.
Penso que, de uma vez por todas, temos que admitir que o egoísmo não é bom nem mau e faz parte do nosso ser. E as tentativas de criar um homem novo — estou a pensar no cristianismo e no comunismo — falham porque a natureza é implacável.
Assim sendo, qualquer forma de governar terá de ter em conta que as coisas são como são e não como julgamos que deveriam ser...

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