Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Fio de Prumo



Sábado, 22.09.12

Lá se foi o molde de modelar

 

O Conselho de Estado “arrumou” uma vez por todas, com a TSU. Quem foram os vencedores? Há vários e de vários matizes. Vamos por partes.

 

O primeiro vencedor foi o Povo português que na rua protestou. A “rua” mandou mais do que toda a gente e levou a que houvesse um recuo por parte do Governo. As manifestações inorgânicas, que aconteceram ontem e especialmente no sábado dia 15, foram decisivas. O Povo não sabia exactamente o que queria, mas sabia muito bem o que não queria. Não queria o que estava a anunciar-se.

 

O segundo vencedor foi a Razão, a Inteligência que veio demonstrar que a alteração da TSU era o caminho para a desgraça da economia portuguesa e, mais do que tudo, era uma medida iníqua e mal estudada.

 

O terceiro vencedor foi Paulo Portas, porque, estando no Governo, discordando da alteração da TSU, viu a sua posição reforçada não só pela contestação popular como pelo parecer de todos quantos sobre o assunto se pronunciaram e, até, os conselheiros de Estado.

 

O quarto vencedor foi Cavaco Silva que, à frente de um Conselho de Estado que lhe era favorável, obrigou o Governo a vergar o joelho, a cerviz e tudo o mais que havia a dobrar.

 

Anunciam-se outras medidas para conseguir as receitas necessárias, mas essas já terão de ser alvo de uma verdadeira negociação com o CDS e de levar em conta a mobilização popular. Por este motivo, o Governo e a coligação estão feridos de morte. Abre-se a oportunidade de grandes e significativas alterações em Portugal: a efectiva governação à esquerda com uma coligação em que o PS associe o PCP e o BE para se poder demarcar do acordo que o amarra à Troika e, dentro de um quadro democrático que não afronte a União Europeia, possa tomar medidas que, não destruindo o Estado-social, contribuam para a resolução do défice, das metas e da solução da divida soberana. Dará isto numa viragem para uma IV República? Não sei, mas seja como for, os Portugueses estão a começar a demonstrar, na rua e pela contestação, que estão fartos deste tipo de políticos. A mudança é inevitável, mais cedo ou mais tarde. É melhor que sejam os partidos pouco ou nada comprometidos com a governação a fazê-la do que deixar que a “rua” imponha uma solução, porque, nesse caso o que melhor se perfila no horizonte é uma ditadura que “tranquilize” os descontentes pelo uso da força e da repressão.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 10:22



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Setembro 2012

D S T Q Q S S
1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
30