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Fio de Prumo



Sexta-feira, 14.09.12

Taxa Social Única ou o Subsídio de Desemprego

 

Depois da entrevista de Passos Coelho tudo ficou mais confuso do que estava antes! As explicações só apontam para uma saída: o descalabro económico.

Falou-se muito na entrevista e nas televisões na questão da baixa da TSU e do quanto isso vai representar de benefício para as grandes empresas já que as pequenas e médias, que vivam exclusivamente do que produzem para o mercado interno, vão acabar por falir no curto ou no médio prazo. Falou-se que o aumento da contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social em igual percentagem daquilo que o patronato deixa de pagar – 7% - representa um bónus que o Governo dá às empresas. Ora, pessoalmente, não vejo a “coisa” desse modo. Eu explico.

 

Os trabalhadores passam a descontar mais 7% de taxa para a Segurança Social. Pode perguntar-se: «Quem arrecada esse dinheiro?». A resposta parece evidente: «A Segurança Social».

As empresas deixam de pagar 7% de taxa para a Segurança Social. Quem arrecada esse dinheiro não pago? Evidentemente, as empresas!

O efeito perverso desta redução da massa salarial dos trabalhadores corresponde a uma retracção no consumo facto que vai gerar duas consequências: falências e desemprego. No caso do aumento deste último a sequela imediata traduz-se no aumento da despesa com pagamentos de subsídios de desemprego. Quem paga o subsídio? A Segurança Social, como se sabe! Ora, aí é que está o engano! Quem paga o subsídio são os trabalhadores que se mantém empregados e os que, até certa altura, tiveram emprego. A Segurança Social, desta forma, pode servir de bóia de sustentação da depressão económica continuada! Engenhoso, não é? Mas isto não se pode confessar publicamente. O Governo não pode dizer que são os empregados que vão subsidiar os desempregados! E, espera-se, naturalmente, que o dinheiro arrecadado pela Segurança Social, com esta medida, seja suficiente para cobrir a despesa que a futura recessão vai provocar; se não cobrir, a solução é reduzir o valor do subsídio de desemprego!

E o que acontece ao “não gasto” – para lhe não chamar poupança – das empresas? Há bom, aí a “coisa” é ainda mais maquiavélica, porque vai corresponder ao aumento de imposto que o Governo lançará sobre os rendimentos de funcionamento! Ou seja, as empresas escusam de mexer nos seus lucros para pagarem o acréscimo de imposto que lhes será aplicado, pois o “não gasto” que não foi entregue à Segurança Social, passa a ser entregue às Finanças sem que haja descapitalização das grandes empresas.

Bem pensado, não é?

 

Pois julgo que foi isto que Passos Coelho não contou aos Portugueses! Foi, na minha convicção, esta jogada contabilística e financeira que o Primeiro-ministro guardou só para si; era escandaloso explicá-la assim, tin-tin por tin-tin, aos trabalhadores. Os grandes empresários, numa primeira reacção, até acham que não se importavam de continuar a pagar a mesma TSU tal é a certeza de que não vão ser significativamente taxados, porque Passos Coelho, no dia 7, não falou em agravamento dos impostos para as empresas… agravamento que não vai haver! O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, até sugeriu a obrigação das empresas “arrecadarem”, contabilisticamente, os 7% que deixam de desembolsar… e ele lá sabe porquê!

 

E o que me dizem os meus leitores desta dedução?

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por Luís Alves de Fraga às 00:13



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