Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Domingo, 20.11.05

Os Interesses Nacionais e os militares

Os Estados, tal como as pessoas, têm os seus interesses que procuram defender quando os pressentem ameaçados.


Há interesses constantes, também chamados permanentes, e interesses pontuais ou temporários. O mais importante dos Interesses Nacionais permanentes é o da manutenção da soberania e independência. Esse existe enquanto a Nação ou as elites estaduais se empenharem em defendê-lo. Há, depois, interesses que variam — subsistem ou modificam-se — consoante a conjuntura nacional e internacional. Nos anos 60 do século passado, era um interesse nacional (talvez até, erradamente tido como permanente) a manutenção das colónias africanas; hoje, é um interesse nacional não permanente a manutenção de boas relações diplomáticas e políticas com os países africanos de língua oficial portuguesa. Actualmente, constitui um interesse nacional acompanhar, dentro do possível, a política externa da Comunidade Europeia, afirmando a nossa integração nesse espaço geopolítico. Para tanto, temos de compreender que aos direitos se contrapõem deveres, os quais podem até ser só de natureza moral.


Por vezes, não surge claro para o comum das pessoas quem são os principais elementos empenhados na defesa dos Interesses Nacionais. Embora possam envolver conjuntos distintos e variados de indivíduos, de quem se espera uma actividade constante nesse domínio é dos diplomatas e dos militares.


Aos primeiros, cabe a condução de todas as negociações que envolvam agentes estrangeiros representantes de outros Estados ou organizações internacionais (e deve ter-se em conta que neste tipo de «negócios» não se jogam só interesses estatais; com efeito, nos países que sabem desenvolver boas políticas de defesa de interesses nacionais, discutem-se condições de sobrevivência de empreendimentos económicos tidos como estratégicos). Eis a razão pela qual aos diplomatas é pedida uma boa preparação geral e um excepcional conhecimento da política nacional dos países que representam e daqueles com quem travam negociações.


Aos segundos, importa a condução do uso da força para prosseguir, muitas vezes de maneira indirecta, a defesa dos mesmos interesses que possam estar ameaçados em situações de conflito bélico. Note-se que referi, de maneira indirecta, pois, no mundo actual e segundo as conjunturas que se desenham, cada vez menos se recorre ao confronto directo para defender interesses nacionais. Presentemente é em «tabuleiros de xadrez alheios» que se conseguem os posicionamentos de «xeque-mate» capazes de nos favorecerem. Daí a presença em «Missões de Paz», garantindo o lugar à mesa das negociações quando se passarem a discutir as vantagens da participação armada.


Este novo tipo de empenhamento dos militares, como extensões armadas dos meios diplomáticos, obriga tanto os profissionais castrenses a possuírem uma excelente capacidade de compreensão da sua missão, como, mais ainda, a uma extraordinária difusão da importância das Forças Armadas nos contextos nacionais e internacionais.


O sentimento de revolta e de incompreensão que existe, agora, entre os militares portugueses tem assento, exactamente, na injusta atitude do Governo, porque, por um lado, sabe que é imprescindível a participação das Forças Armadas em certas missões, em curso no mundo — facto que lhes confere uma importância nacional fora de série — e, por outro, nivela-as por baixo como se nada valessem e faz passar para a opinião pública a impressão de serem um sorvedouro de dinheiro sem qualquer tipo de contra-partida para o bem-estar internacional dos Portugueses.


Esta injustiça sentem-na os militares como uma afronta, uma bofetada, pois há mais de vinte anos vêm sendo tratados como um conjunto profissional de segunda categoria e de nula ou quase nula importância. E o Governo deverá levar em conta que o grupo castrense tem um apurado sentido da justiça. É tempo dos políticos arrepiarem caminho!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 23:42


4 comentários

De Anónimo a 21.11.2005 às 21:22

Errata - onde escrevi "deuses", deve-se lêr "políticos".Peço desculpa por ser humano.Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 21.11.2005 às 21:19

Como habitualmente, excelente. Bastaria ler os dois últimos parágrafos para compreender, são directos que baste. Os militares são uma espécie de mal necessário para os nossos políticos...São os bichos da maçã, os vermes do presunto, o bolôr do queijo ???
Não! Os militares são o mal necessário à cerveja,ao vinho. São eles que permitem a satisfação, o prazer e os excessos dos "deuses". Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 21.11.2005 às 11:42

Peço desculpa. Como de costume, só se descobrem as gralhas, depois da publicação do texto. Onde está "bonzinha", deve ler-se "boazinha".deprofundis
(http://deprofundis.blogs.sapo.pt/)
(mailto:fcmvouga@sapo.pt)

De Anónimo a 21.11.2005 às 11:39

... E nem sequer compete aos militares explicar a razão da sua existência. É uma obrigação do Governo. Mas parece que ainda pairam por aí muitos complexos de uma certa esquerda, que é bonzinha, sorridente, contra toda a forma de violência, etc. Gente que ainda pretende passar a falácia de que, se acabarem os Exércitos(tomados no sentido lato de F.Armadas), se acabam as guerras. Como se fosse nos Exércitos os culpados pelas gueras.deprofundis
(http://deprofundis.blogs.sapo.pt/)
(mailto:fcmvouga@sapo.pt)

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Novembro 2005

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930