Aqui fala-se de militares, de Pátria, de Serviço Nacional, de abnegação e sacrifício. Fala-se, também, de política, porque o Homem é um ser político por ser social e superior. Fala-se de dignidade, de correcção, de Força, de Beleza e Sabedoria
Domingo, 8 de Julho de 2012
O Programa da Troika

 

De conversa com um Velho Amigo meu saiu-me esta frase quase sem pensar:
“O programa da Troika pode sintetizar-se numa única afirmação – temos de viver
de acordo com aquilo que produzimos”. Depois, pormenorizando a síntese,
chegámos à conclusão de que o nível de vida dos Portugueses tem de baixar
drasticamente. Baixar para o patamar da sua verdadeira sustentabilidade. Não têm
de ser cortadas só as “gorduras” do Estado; tem de se cortar em tudo o que não
possuir viabilidade efectiva de sustentação. A pequena empresa que não tem
mercado, deve desaparecer; a actividade que não se aguenta com base na procura
deve fechar; só quando tivermos um país realmente empobrecido é que podemos
parar, porque esse corresponderá à realidade presente da nossa economia, ou
seja, à realidade da nossa produção. Nessa altura estaremos em condições de
cumprir a regra de ouro do défice não ultrapassando os 3%.

 

Isto que se está a fazer ainda em regime dito democrático corresponde à
chamada “Ditadura Financeira” de Salazar levada a efeito entre 1928 e 1933 e
que ele resumiu numa frase que vou tentar reproduzir de memória: “Temos de
governar o país como qualquer boa dona de casa: não gastar mais do que se tem
de rendimento”. O desemprego só não subiu em flecha, porque nesse tempo a
maioria da população vivia, de facto, da agricultura, mas passou-se ao estádio
de miséria. Implementaram-se uma série de políticas para aumentar a produção do
que se produzia barato: a campanha do trigo – semeou-se em todos os terrenos esse
cereal – a campanha do vinho – “beber vinho é dar de comer a um milhão de
portugueses” – aceitaram-se salários de miséria e condicionou-se o
desenvolvimento industrial de modo a manter equilibrada uma indústria que tinha
escoamento para a sua produção. Depois de 1933, equilibrado o orçamento, só foi
necessário manter “a ordem nas ruas e a paz nas consciências”, dito de outra
maneira: continuar com o sistema repressivo sobre os trabalhadores e distrair
da miséria geral aqueles que poderiam contestá-la.

 

Será possível fazer regressar ao campo, ao interior, as populações que de
lá vieram para o litoral na esperança de um emprego mais digno e menos
espinhoso? Será possível regredir na educação de modo a termos o número de
professores que o orçamento suporta? Será possível reduzir a assistência
sanitária aos valores que não desequilibrem o orçamento? Será possível acabar
com as pensões milionárias que tornem sustentável uma Segurança Social de
miséria? Será possível tornar os estudos só viáveis para uma pequena elite que
terá sempre emprego?

Estamos a caminhar para as respostas afirmativas às perguntas que deixei
feitas anteriormente. Só nos faltam os instrumentos de repressão necessários
para calar todas as vozes descontentes e todas as manifestações que resultam
desta marcha-atrás. Julgo que chegaremos lá, porque a ideia de mercado de
abundância – objectivo último do capitalismo – regrediu para o objectivo
primeiro do capitalismo liberal do século XIX: obtenção do máximo lucro. Num
país pobre os lucros terão forçosamente de ser pequenos. Aliás, tudo terá de
ser pequeno e à medida da pobreza.

 

A única explicação para a crise actual – em Portugal, na Europa e no
mundo – dá-se a partir da ideia anterior: o mercado deixou de interessar ao
grande capital, isto é, não importa aumentar o consumo; importa aumentar os
lucros e, para tal, o papel do Estado tem de se resumir à gestão do essencial:
segurança interna e externa e cobrança dos impostos que suportam estas
despesas.

 

O futuro é muito negro e para o alterar ou se regressa ao paradigma do
Estado-social ou, se recuamos para o de Estado-polícia, recuamos, também, à
miséria que lhe está subjacente.

Ainda está nas mãos dos cidadãos o poder de escolha! Para tal é
necessário saber exercer o direito à indignação.



Luís Alves de Fraga às 10:48
link do post | comentar | favorito
|

pesquisar neste blog
 
Maio 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
11

12
13
14
15
16
17
18

19
20
21
22
23
24
25

26
27
28
29
30
31


posts recentes

Humanismo: oremos!

A cegueira absurda

"Comprar" políticos

Os nossos sonhos

Na morte de uma mulher

A ver se nos entendemos

E depois da troika?

O Senhores do Poder

Forças Armadas por e para...

Navegar à vista

Insatisfação e realismo p...

Forças Armadas

Conceitos

Redundâncias

Seguro e os impostos

arquivos

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Outubro 2010

Setembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

links
Visitantes
Estadisticas y contadores web gratis
Oposiciones Masters
subscrever feeds