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Fio de Prumo



Sábado, 19.05.12

Miguel Relvas

 

A opção entre ser-se uma figura pública e ser-se um simples cidadão quase
anónimo é do âmbito pessoal; ninguém obriga ninguém a ser figura pública, muito
menos a ser político “profissional”. Assim sendo, quando alguém opta por ter a
sua vida exposta ao domínio público não se pode queixar por andar nas “bocas do
mundo”.

 

Miguel Relvas, o ministro-adjunto e dos assuntos parlamentares há muito
que escolheu ser uma figura pública e quanto mais se expõe, mais sujeito fica à
devassa da curiosidade dos jornalistas. Quando este membro do Governo é
abordado por alguém que esteve ligado às “secretas” sabe, de antemão, que, mais
cedo ou mais tarde, vai ficar sob a mira da investigação jornalística. Não é
fácil estar-se sob a alçada dos órgãos de informação, mas, ao ficar-se sujeito
a eles, há que saber lidar com os mesmos; há que manter a dignidade e a
elevação. Não se deve entrar num jogo pouco ético de chantagem, porque os
jornalistas até podem ter muitos defeitos – alguns dos quais incomodam
sobremaneira – mas também têm um código de conduta que a maioria respeita. O
que acontece é que os jornalistas são mesmo profissionais e os políticos tentam
sê-lo, mas raramente conseguem esse estatuto. O profissionalismo não resulta de
ambos serem pagos para desempenharem as suas funções, mas tão-só de uns terem
formação académica para informarem com correcção, rigor e verdade e os outros
fazerem-se políticos com base no chamado “on job training”, ou seja, no treino
que resulta do exercício da função. Mas mais ainda: os jornalistas têm uma
entidade patronal facilmente identificável e os políticos – que se julgam acima
de qualquer crítica e, às vezes, suspeita – têm um patrão difuso que nem sequer
dá pelo nome de Estado, pois eles não são funcionários do mesmo; eles são
nossos funcionários, nossos empregados, porque ocupam os cargos que têm por
vontade de todos nós! E, caso curioso, perdem muitas vezes a noção disso.

 

Na relação com uma jornalista, ao que parece, Miguel Relvas deu provas de
falta de uma ética que deveria ter aprendido no exercício das suas funções
públicas e políticas. Enquanto nosso funcionário deixou-nos a todos mal
colocados. Deveria ser despedido. Não o foi nem vai ser, porque há, no
exercício do poder político, uma perversão: os mandantes perdem o direito de
mando a partir do momento em que os mandatados ocupam os cargos para que foram
por nós nomeados, passando os mandantes à situação de mandados. Para os
mandantes de direito poderem exercer o seu poder têm de esperar paulatinamente
a nova oportunidade política para o fazer e, não é raro, fazem-no mal, porque
os mandatados corrompem o sistema e, no exercício de um poder que lhes foi
outorgado pelos mandatários, prometem a estes benefícios e vantagens que
configuram, afinal, um meio legal de chantagem: se nos elegerem novamente nós
fazemos isto e aquilo por vós!

O Povo, de facto, não há maneira de interiorizar aquilo que recebeu de
mão beijada no final do século XVIII, quando, na Europa, se deu a Revolução
Francesa: a soberania! O soberano é o Povo e, por vontade do Povo, o Poder
dividiu-se em três componentes: o Legislativo, o Executivo e o Judicial… mas
quem manda nos três é, e será sempre, o Povo desde que não deixe alguém
usurpar-lhe esse direito e, curiosamente, a tentativa de usurpação, dos que exercem,
por mandato, o poder executivo e o poder judicial, é sempre constante. O Povo
tem de estar alerta e suspeitoso daqueles em quem delega o Poder.

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por Luís Alves de Fraga às 22:04



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