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Fio de Prumo



Sábado, 12.05.12

Economia caseira

 

Fiz os cálculos para pagamento do IRS e a respectiva simulação. Fiquei
abismado, sem palavras.

O Estado, levando em conta todas as minhas fontes de receita e depois de
deduzir todos os meus descontos (incluindo a metade do subsídio de Natal),
vai-me extorquir o equivalente a um mês de rendimento líquido. Ou seja, no ano
de 2011 eu deveria ter recebido catorze meses de pagamentos e, depois de ter
ficado sem metade do valor do décimo quarto mês, fico, agora, sem mais um mês.
Sem sofismas, fico “depenado” em qualquer coisa como o valor do meu rendimento
de um mês e meio. Ora, como só em despesas medicamentosas e clínicas, eu gasto
num ano mais do que o valor líquido da minha pensão de reforma, temos que, em
vez de auferir doze meses e meio de rendimentos, em 2011, acabei, na realidade,
por receber onze meses e meio. Tivemos, eu e a minha mulher, de viver doze
meses de um ano com rendimentos de onze meses e meio! E eu sou um afortunado,
ainda que lesado pela situação de crise que atravessamos, em só perder meio mês
no cômputo dos doze que tem o ano.

Do exposto, pode concluir-se que, por força de condições pessoais e
institucionais, realmente o meu pequeno agregado familiar, no ano de 2012, vai
ter de viver com muito menos dinheiro do que no transacto, pois a “bolada” que
daqui a doze meses as Finanças me vai dar será superior à do ano que passou,
levando em linha de conta que me “roubou” os dois subsídios, reduziu o valor das
comparticipações medicamentosas e limitou a quantia a abater nas despesas de
saúde aquando do cálculo final do IRS. Em Maio do próximo ano terei muita sorte
se concluir que, afinal, auferi, na realidade, rendimentos não de onze meses e
meio, mas sim de nove ou dez! Afinal, terei de começar a pensar em fazer fortes
poupanças – apertar o cinto mais dois ou três furos – para ter liquidez
financeira para o pagamento do “assalto” que me vai ser imposto pelo Tesouro público!
Não nos podemos fiar nos valores que vamos recebendo no decurso dos meses,
pois, no momento “sagrado” de fazer as contas para liquidação do IRS teremos de
ter cabedais para evitar descapitalizações. A verdade é esta e são importantes
duas coisas: uma, que tenhamos saúde; outra, que se ela faltar a doença não
seja prolongada de modo a sair-nos pouco dispendiosa.

Meus Amigos poupem para poder liquidar o IRS do próximo ano. Deixem-se de
ideias sobre férias no estrangeiro ou passeios muito caros, pois a “ladroagem”
anda por aí à solta e longe, muito longe, vai o tempo em que na declaração
anual de rendimentos, quem os tinha também provenientes de trabalho
independente, podia descontar uma parte das despesas de deslocação, da
electricidade, do telefone, das refeições fora de casa, para além das que fazia
com a saúde ou o estacionamento do veículo pessoal em parques pagos. Esse tempo
era o da Europa da abundância, da Europa do empreendedorismo, da Europa dos
cidadãos. Agora vivemos na Europa do euro, dos deficits, das dívidas soberanas
e, acima de tudo, da Europa anti-cidadãos.

 

Tenho setenta e um anos de idade e estou farto de alimentar malandros que
malbaratam o dinheiro dos meus impostos e me roubam direitos que o tempo e o
trabalho me haviam dado. Eu cumpri a minha parte do contrato com o Estado,
trabalhando de acordo com as normas que aceitei para o tipo de profissão que
escolhi; eu continuo a contribuir para o progresso social, ensinando o que
estudo e estudei. Se alguém está em falta, por gestão danosa, é o Estado – essa
entidade sem rosto e sem corpo – que foi administrado por governos
incompetentes, que o foram por incompetência dos cidadãos eleitores os quais
não souberam escolher políticos honestos e sabedores.

Tenho muita pena de Portugal e dos Portugueses – dos bons Portugueses,
daqueles que sofrem na pele os erros de todos os outros que dão maiorias políticas
a quem nos engana descaradamente.

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por Luís Alves de Fraga às 00:23



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