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Fio de Prumo



Segunda-feira, 07.05.12

DESEMPREGO, FLAGELO E CONSEQUÊNCIA

 

O desemprego é uma consequência da entrada de uma economia em recessão. Quando
a economia pára de crescer e regride um dos primeiros flagelos sociais que se
verifica é o desemprego. Atrás dele vêm todos os restantes: fome, instabilidade
social e agravamento do estado de saúde colectivo. E como se combate o
desemprego? Só há uma receita: investimento de capital na economia de modo a
gerar-se uma espiral de procura de bens de consumo a qual, por seu turno, induz
novo alento económico.

 

Há quase cinco décadas havia em Portugal uma crise cíclica que explicava
muito bem este fenómeno de variação económica: o consumo de ovos! É verdade, o
consumo de ovos. Conta-se em poucas palavras.

Tinham-se tornado vulgares, entre nós, os aviários familiares que
mostravam a facilidade de ganhar dinheiro rapidamente através da venda de ovos.
De repente não “houve gato-sapato” que não tivesse um aviário num velho
barracão lá no quintal. Os ovos passaram a ser em excesso no mercado. Vai daí,
a associação dos criadores de frangos e galinhas mandou fazer anúncios
televisivos aconselhando o consumo de ovos, por serem um excelente alimento.
Mesmo assim o escoamento não se fazia. Consequência: os aviários mais precários
e mais “modestos” fecharam. Mas como tinha havido a campanha publicitária, nos
meses subsequentes a procura de ovos aumentou e, como o preço subiu, aqueles
que tinham desistido da produção voltaram a, nos velhos barracões, fazerem
novos aviários; os lucros foram florescentes até ao momento de haver super
abundância de ovos. Nova campanha televisiva; nova ruptura na produção por
falência dos mais fracos produtores; novo ponto de equilíbrio e novo aumento de
procura, voltando outra vez tudo à mesma situação. Bastou o facto de se deixar
de publicitar o consumo de ovos para se encontrar o ponto de equilíbrio de
produção, de consumo e de preço.

 

Portugal, talvez até a Europa, precisava de uma “campanha” de “consumo”
para haver procura, mesmo que, na fase inicial, a “produção” se fizesse em “barracões”.
Todavia, estamos exactamente a viver o ciclo contrário, isto é, o desincentivo
à produção que conduz ao desemprego e à incapacidade de compra. Tem de vir de
“fora”, por um qualquer processo, uma lufada de capital que reanime algumas
indústrias de consumo imediato para se inverter o ciclo. Claro que terão de
ocorrer reformas estruturais, já que não se pode deixar crescer um aparelho
parasitário da economia o qual só se justifica através da “produção de
barracão”. Dou um exemplo: as empresas municipais de parques de estacionamento
automóvel. É verdade que, com elas, se procurou disciplinar o estacionamento em
certas localidades, mas é verdade, também, que o exemplo foi seguido por muitas
câmaras que viram neste “barracão” um processo de dar gordos salários a uns
quantos “boys” e gerar emprego aparente para uma série de pequenos vigilantes.
Serão necessárias tantas empresas de estacionamento? Será necessário estender
tão longe e a zonas tão disparatadas a acção dessas empresas?

 

Só quis dar um exemplo. Poderíamos ir mais longe e analisar o que é
parasitário na estrutura produtiva. Isso tem de ser devidamente regulado e,
acima de tudo, regulado com independência. Há que desmantelar os excessos
parasitários e permitir o crescimento do tecido realmente produtivo, ou seja,
daquele que contribui de forma positiva para a criação de riqueza e, como
consequência, que alimenta os cofres do ministério das Finanças para cobrir a
parte das obrigações do Estado de bem-estar a que nos habituámos.

Será que a mudança na Europa se faz neste sentido? Será que em Portugal
haverá governo capaz da independência necessária para levar a cabo as reformas
indispensáveis? Tenho dúvidas, porque para tudo isto é necessária uma grande
disciplina e, acima de tudo, objectivos muito bem marcados e inflexivelmente
definidos. A “orquestra” governamental e europeia tem de “tocar” em sintonia…
Não se pode deixar que cada um “toque” a “música” que quer, sabe, lhe dá na
real gana ou lhe mandam “tocar”.

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por Luís Alves de Fraga às 12:45



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