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Fio de Prumo



Domingo, 29.04.12

Infra-estruturas viárias

 

No século XIX, Fontes Pereira de Melo, jovem tenente engenheiro, foi
viajar pela Europa e “descobriu” o desenvolvimento fabril. Teve dele a ideia
mais primária que se pode conseguir: estradas e caminhos-de-ferro conduzem ao
desabrochar industrial! Faltou-lhe o pensamento esclarecido do marquês de
Pombal que, sem estradas nem comboios, mandou, primeiro do que tudo, implantar
pelo país infra-estruturas manufactureiras, esperando que o seu desenvolvimento
determinasse a necessidade das infra-estruturas viárias. Esse foi o caminho que
se viveu na Grã-Bretanha! É que, nesta coisa de desenvolvimento industrial não
é como o ovo e a galhinha! Tem, primeiro, de nascer a indústria para, depois,
nascer o processo de escoamento dos produtos fabricados.

 

Lições mal estudadas e mal pensadas resultam em asneiras repetidas! Foi o
que aconteceu no século XX, quando Cavaco Silva era Primeiro-ministro: com o
dinheiro da Europa, em vez de se fazer a renovação do parque industrial
português, determinando o que era conveniente ou não produzir e estudando a
melhor forma de escoamento, desatou-se a construir auto-estradas a eito,
esperando que delas nascessem, por obra e graça do divino Espírito Santo,
fábricas nas suas cercanias. Ficaram as auto-estradas para nelas circularem os
automóveis e alguns camiões que traziam da Europa os produtos que nos iriam
alimentar e encher as casas. E a moda pegou com Guterres que continuou na mesma
senda louca. Ao mesmo tempo íamos fazendo crescer a dívida externa, julgando
que a sensação de “barriga cheia” era resultado de uma estratégia bem pensada
e, aí, passou-se das auto-estradas aos estádios de futebol, quando antes se
tinha comemorado o quinto centenário da chegada de Vasco da Gama à Índia
fazendo a Exposição de 1998 e imaginado um novo bairro “chic” na velha Lisboa:
o Parque das Nações.

Tudo corria de vento em popa, graças à ignorância e incapacidade de
perceber a História e, ao mesmo tempo, os sinais de instabilidade.

 

Temos, agora, auto-estradas pelas quais ninguém quer ou pode circular,
porque lançaram sobre elas taxas de utilização absolutamente proibitivas. É o
ridículo a que estão sujeitos os ignorantes que fazem gala da sua ignorância. E
continuamos sem ter indústrias de jeito! Vivemos de cinto apertado à espera da
morte por míngua de alimento para a boca e de tratamento para as doenças que
nos atacam o corpo.

Falaram mais alto, no passado recente, os interesses das grandes
companhias de construção e continuam a falar, agora, os interesses da alta
finança.

Será que a corja que nos governa julga que somos todos tão ignorantes
quanto ela? Será que pensam que não os comparamos ao Fontes Pereira de Melo
que, no seu tempo, deu muito a ganhar à banca estrangeira e deixou Portugal
endividado por mais de cem anos? Será?

Em Portugal o “rotativismo” político e partidário acabaram numa suave
ditadura seguida de um regicídio para possibilitar a mudança da Monarquia para
a República. Dá vontade de perguntar: — De que “Vila Viçosa” virá o “monarca”
que se candidata a ser baleado em um qualquer “Terreiro do Paço” desta Lisboa
do século XXI? É que, um dia destes, pode voltar a constituir-se outra
Carbonária tão revolucionária como foi a do início do século XX. Os “brandos
costumes” conseguem-se quando a barriga está cheia, pois a fome é, e foi sempre,
má conselheira.

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por Luís Alves de Fraga às 18:08



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