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Fio de Prumo



Quarta-feira, 04.04.12

Tentar perceber

 

Os órgãos de comunicação social deram hoje grande destaque à questão da reposição dos subsídios de férias e de Natal que foram retirados aos funcionários públicos e aos pensionistas. Será que é temporária a perda ou tornar-se-á definitiva? Esta é a pergunta que assalta os Portugueses. Passos Coelho veio dar uma resposta que pretende apaziguar os cidadãos: em 2015, pela certa, serã...o repostos os subsídios agora tirados, embora – e nisto vem o truque – não como subsídios, mas como uma importância duodecimal liquidada ao longo do ano. Ou seja, a quantia paga no final de cada ano passa a ser a mesma que seria se houvessem subsídios, deixando estes de existir efectivamente. E os Portugueses, incautos, ficam satisfeitos! Nada de mais manhoso do que o “golpe” de Passos Coelho! Vejamos.

 

Até 2015 não vai haver aumentos de salários – era o que faltava! – mas vamos assistir ao aumento dos preços, ou seja, da inflação. Isto quer dizer que o poder de compra dos Portugueses sairá reduzido. Como é que o Estado vai gerar a sensação de um aumento salarial? Muito simples, abonando dois duodécimos dos respectivos subsídios de férias e de Natal em cada mês do ano de 2015! E o Zé Pagode, já habituado a viver sem subsídios, até acha que foi francamente aumentado! Mas não foi! O que vai acontecer é que a inflação desaparece à custa daquilo que por direito nos pertence e que nos vai ser reposto de modo enganador. E, desta forma, evitam-se os aumentos de salário durante os anos de 2015 e de 2016, pelo menos. Depois, os aumentos, quando os houver, serão sobre o salário mensal que os funcionários públicos receberem e, por força do “aumento” resultante da integração dos duodécimos dos subsídios, nunca atingirão a percentagem da inflação real. Está montada a armadilha e a vigarice! Assim, a inflação dos anos de 2012, 2013 e 2014 nunca será efectivamente reposta, pois vai ser atenuada com o valor dos nossos próprios subsídios quando voltarem a ser liquidados. Para além do mais, a integração duodecimal dos subsídios de férias e de Natal no salário do funcionário leva-o a suportar, também nos subsídios, todos os descontos de que antes estavam isentos.

 

Vai acontecer com os subsídios algo semelhante ao que ocorreu com o desconto de IRS quando este foi obrigatório para os funcionários públicos: disse-se que o trabalhador do Estado nada perdia com essa dedução, pois o seu valor iria ser abonado ao vencimento. Seria um jogo de soma zero: toma lá dez para me dares dez. Isto foi verdade enquanto o valor do IRS se manteve igual, mas, após o primeiro aumento do imposto deixou de ser real, porque o salário, efectivamente, desceu. Foi uma vigarice! E são vigarices todas estas manigâncias que os diferentes governos levam a cabo, porque o Estado, em Portugal, não é pessoa de bem! Cada dia que passa temos mais razões para nos sentirmos defraudados, enganados, vigarizados. Portugal caminha a passos largos para a miséria.

Quando é que percebemos?

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por Luís Alves de Fraga às 23:25



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