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Fio de Prumo



Quarta-feira, 23.11.05

Os compadrios continuam...

Nos jornais de hoje vem a notícia da assinatura de um protocolo entre o Ministério da Administração Interna e um tal Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova (IPRI-UN), com vista a propor um novo modelo de segurança interna nacional. Este estudo custar-nos-á a módica quantia de 72.500 euros, qualquer coisa como 14.000 contos em moeda antiga. À frente dos trabalhos vai estar Severiano Teixeira — antigo ministro da Administração Interna, no tempo do Governo Guterres, e actual porta-voz da candidatura de Mário Soares — e com ele vão colaborar Nelson Lourenço e Nuno Piçarra. É trabalho para durar um ano.


Se isto não fosse triste, dava para nos rir-mos a bandeiras despregadas. Mas é triste e revoltante, por vários motivos. Eu passo a expor.


Em que conceito tem o senhor ministro António Costa os estados-maiores da GNR, da PSP e os comandos/direcções das diversas polícias existentes? Pelos vistos, considera-os um bando de inúteis. Ou inútil será o senhor ministro, por não saber dirigir superiormente os órgãos de planeamento, estudo e apoio de que dispõe?


Qual é, ou será, a reacção do Senhor general comandante da GNR? Estará o seu estado-maior impossibilitado de nomear um grupo de trabalho para apresentar propostas de um novo modelo de segurança interna, sem dispêndio de um cêntimo para a fazenda pública?


E no Instituto de Defesa Nacional não seria possível coordenar-se um grupo de trabalho que reunisse especialistas das diferentes áreas para, mais uma vez, sem dispêndio, se estudar o importante modelo de segurança interna?


O SIS não tem condições para fazer estudos desta natureza, mesmo que integrando elementos de outras forças e polícias?


O Estado-Maior da Armada, que superintende na Polícia Marítima, não poderia coordenar um conjunto de elementos que representassem todas as forças de segurança interna?


Porque não, na dependência do Gabinete do ministro da Administração Interna, formar-se um grupo de estudo para solucionar este magno problema?


Não, não podia ser aceite nenhuma das ideias anteriores, porque isso impossibilitava a oportunidade de dar a ganhar uns cobres a certas entidades e/ou estabelecimentos (se é que o IPRI-UN constitui um estabelecimento!).


É a isto que se chama desgoverno e/ou compadrio.


Compadrio, porque dos 14.000 contos alguns, poucos, destinar-se-ão a aquisição de equipamentos para esse tal IPRI-UN, uns quantos para compra de livros e, o resto, será dividido de forma desigual, cabendo pequenas partes aos indivíduos envolvidos na execução da pesquisa para elaboração do relatório final e a parte de leão irá direitinho para o bolso do coordenador do projecto. É sempre assim, tal como, no passado recente, foi sempre assim e continuará a ser assim no futuro.


Analisemos, agora, a «coisa» sob outro ângulo.


Porque raio terá sido escolhido o IPRI-UN — recordo, Instituto Português de Relações Internacionais para elaborar um modelo de segurança interna?


Todos nós sabemos que hoje, cada vez mais, as ameaças à segurança interna com maior grau de perigosidade preparam-se no exterior, mas isso, só por si, não justifica que seja um organismo vocacionado — segundo a sua designação — para as relações internacionais a ser escolhido para estudar e propor um modelo de segurança interna. A justificação só pode encontrar-se no compadrio. Por este andar, o ministro da Defesa ainda encomenda a um qualquer instituto, inserido ou não numa universidade, o estudo do modelo de defesa nacional!


Este protocolo, de tão ridículo e tão descaradamente abusivo da forma como se gastam os dinheiros públicos, ofende os Portugueses que percebem como funcionam os estados-maiores das forças de segurança e das Forças Armadas. Nunca como agora está mais certo o adágio popular: «Poupa-se na farinha para gastar no farelo».


Senhores ministros, tenham vergonha e não façam dos Portugueses gente parva e ignorante!

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por Luís Alves de Fraga às 18:36


5 comentários

De Anónimo a 25.11.2005 às 15:17

A expressão cada macaco no seu galho é feliz e apropriada porque remete para a separação de poderes, e como tal, por muito que por vezes nos custe a todos, o poder politico tem autonomia para "encomendar" os estudos que entender de forma a preparar a implementação da sua governação. Não tem que se limitar às perspectivas e posições dos, neste caso, chefes das Policias ou mesmo das Forças Armadas, tem direito a munir-se das suas próprias armadas para o exercicio negocial da actividade politica. Isto para mim é sagrado. Agora se as "encomendas" que faz têm subjacentes outro tipo de interesses e clientelismos então aí sim há o direito de criticar o acto, mas não se deve generalizar porque isso cultiva o espirito derrotista que assombra este país. António cardoso
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(mailto:)

De Anónimo a 25.11.2005 às 02:01

Achei imensa graça à frase: " Nuno Severiano Teixeira, como o Nelson Lourenço (que desconheço) têm algumas ligações ao Partido Socialista", ALGUMAS???
Que me diria o Sr António Cardoso, se soubesse que os Chefes de Estado-Maior dos três ramos estariam a elaborar um estudo de "como governar o País decentemente?" Ou um movimento de Capitães, ou Sargentos ou Praças, ou todos juntos, com a mesma finalidade? Acharia ridículo certamente, mas no mínimo absurdo ou perigoso...
Sempre concordei com a frase "cada macaco no seu galho", e sempre achei sensata esta outra :"esticar a corda até (um pouco antes de)rebentar". A Dignidade é a última posse das pessoas, o que as distingue dos animais que no fundo todos somos. Mas, por viver em sociedade e por uma questão de educação e aprendizagem, recalcamos e só vivemos no inconsciente a nossa bestialidade, durante o sono, sem a censura do intelecto. Um homem sem sonhos ou impedido de dormir, ou sonhar os seus filhos... é uma besta. Faça-se luz nessas cabecinhas "académicas"!Camoesas
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(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 24.11.2005 às 20:15

Caro António Cardoso, nem sempre, às vezes, se diz tudo nos blogs. E eu tenho razões para levantar as dúvidas que coloco. Acredite. Aceito que algumas, mas só algumas, colaborações com instituições universitárias podem ser convenientes, todavia não será o caso desta.Luìs Aves de Fraga
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(mailto:luismfraga41@hotmail.com)

De Anónimo a 24.11.2005 às 14:55

Porque não dar o beneficio da dúvida se nem sequer se conhecem os contornos do protocolo? A equipa que vai desenvolver o estudo pode integrar elementos do ministério e do instituto, aliás pelos valores que estão em causa acho isso muito plausível. Porquê ter medo que as instituições académicas contribuam, em parceria com Forças Armadas ou Forças de Segurança, para o conhecimento de uma determinada realidade? eu penso sinceramente que pode haver uma complementaridade interessante. Tanto o Nuno Severiano Teixeira, como o Nelson Lourenço têm algumas ligações ao Partido Socialista, mas têm também uma enorme competência nas áreas em causa que por si justifica pelo menos que lhes concedamos o beneficio da dúvida. Mas acima de tudo o que quero salientar é que o facto de entidades académicas aparecerem a estudar estas matérias nem sempre é mau ou desprestigiante para as entidades do estado teoricamente responsáveis pela gestão de tais matérias. Acho mesmo que, em termos teóricos, é benéfico e salutar, pode é na prática resultar numa simples conjugação de interesses pessoais, mas não devemos julgar a priori. antonio cardoso
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(mailto:)

De Anónimo a 23.11.2005 às 23:33

Quando houver outro governo PS, será feito outro estudo, por um instituto dirigido pelo ex-ministro do Engº Sócrates, António Costa...
É preciso é haver rotatividade!
Consta que também irão ser encomendados estudos à Aerocondor, Heliportugal e Academia A. de Évora, com vista à aquisição da futura esquadra de caças que substituirão os velhos F-16.
Os futuros aviões de combate a incêndios e as viaturas blindadas, terão um parecer decisivo da empresa Metro do Porto, já em contactos com a Bombardier.
As armas que irão substituir as obsoletas G-3, serão escolhidas por parecer de um estudo subsidiado à Securitas e Prossegur.
A equipa de instrutores do programa "1ª companhia", será chamada à reserva activa e substituirão todos os Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas.
(Peço desculpa às entidades mencionadas, que apenas entraram neste teatro devido à sua forte e reconhecida imagem nas áreas que lhes são inerentes.Sem nomes sonantes, esta caricatura não teria graça nenhuma)...
...Mesmo assim não tem, mas não fui eu quem começou a anedota!Camoesas
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(mailto:camoesas@yahoo.com)

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