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Fio de Prumo



Sexta-feira, 30.03.12

Será possível?

 

Há meses que venho apontando semelhanças entre a situação actual do país e outras que no passado deram origem a soluções drásticas e dolorosas para o povo português. Eu mesmo cheguei a achar-me pessimista, alarmista, derrotista. Mas calei bem caladas as minhas dúvidas, as minhas desconfianças, esperando que fosse o tempo a ditar a sentença. E eis que ele, Cronos, se encarrega de começar a dar-me razão. No ”Diário Económico” de hoje lá vem uma pequena crónica onde João Paulo Guerra chama a atenção para certas similitudes do tempo de agora com as vésperas da ditadura de 28 de Maio. E são semelhanças verosímeis!

É verdade que ainda se não atingiu o ponto de ruptura que passará por várias fases bem marcadas: exclusão da moeda única, desagregação da União Europeia, galope dos partidos de direita nas cadeiras do Poder nos diferentes países europeus, distanciamento notório da problemática europeia por parte da Grã-Bretanha, desordens sociais constantes e significativas – greves e assaltos – instabilidade política, aumento desmesurado do desemprego e da miséria, descontentamento acentuado nas fileiras militares. Perante um quadro com estes contornos as Forças Armadas nacionais podem ter de escolher virarem-se para um de dois campos – chamemos-lhes “soluções”: ou para uma ditadura de direita, conformando-nos, enquanto povo e país, com a maior das misérias em nome de equilíbrios orçamentais e de dívidas públicas; ou para a esquerda, definindo-se, então, um sistema de liberdades socialistas e revolucionárias que poderá fazer renascer modelos que provaram já a sua inadaptação à democracia liberal de que ainda gozamos. Meios-termos serão soluções inexistentes. O modelo socialista poderá evoluir consoante as circunstâncias, mas terá de passar sempre por uma fase de repressão das forças de direita que tentarão boicotar a sua implementação. O mesmo se dirá da ditadura fascizante, em relação às forças da esquerda, se for ela a vencedora. É a lógica inevitável da sobrevivência de um sistema sobre o outro. E tudo porque, as democracias mal estabilizadas, pobres e socialmente pouco equitativas transportam em si mesmas o germe da auto-destruição.

Os Portugueses não souberam ou não quiseram dar a volta às estruturas económicas de modo a afastar definitivamente de si o espantalho da miséria, por isso cá estamos na “porta de entrada” da instabilidade. Será que vamos percorrer o “corredor” todo até ao final?


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por Luís Alves de Fraga às 11:13



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