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Fio de Prumo



Quarta-feira, 07.03.12

CRIATIVIDADE E ECONOMIA

 

É verdade, a Economia tem de ser criativa! Tem de ser criativa, mas não pode nem deve passar pela internacionalização do pastel de nata…

Álvaro dos Santos Pereira deveria ter tido a capacidade de, sendo licenciado e doutorado em Economia, perceber que, para fazer face à recessão resultante do “aperto troikiano”, tinha de haver um plano económico que perspectivasse uma saída “por cima” face aos efeitos da crise. Sendo ou não adepto do keinesianismo teria de perceber que só por uma qualquer “injecção” de capital no tecido económico português o país poderia sair do aperto em que a elevação da carga fiscal e do desemprego o ia meter.

Santos Pereira teria de olhar, com antecipação, para o que era possível e realista levar a cabo, começando por analisar o parque industrial existente, identificando as suas fragilidades e pontos fortes; olhando, depois, para o sector comercial sustentável após o primeiro “aperto” exercido pelas Finanças e distinguido, com a antecipação possível, o que ia ficar destruído mas em condições de rápida reconstrução do que irremediavelmente ia falir; perspectivando, finalmente, na área dos serviços qual a parte que restaria em funcionamento com hipóteses de recuperação. Teria de se ter reunido, logo após o acordo de concertação social, com os representantes mais credíveis da indústria, do comércio e dos serviços para auscultar e avaliar da capacidade de resistência dos sectores respectivos, delineando, com o apoio de técnicos competentes e sabedores do seu Ministério – que os tem de certeza absoluta, não entre os “boys”, mas no meio de quem conhece a economia nacional – uma estratégia que fosse possível de executar por fases – de curto, médio e longo prazo – para a apresentar em conselho de ministros e fazê-la aprovar pelo ministro das Finanças. Rodeado de um “gabinete de controlo de danos” que diariamente apresentasse o “mapa da situação” através de uma constante ligação às confederações patronais e às centrais sindicais, deveria ter uma equipa que fosse fazendo semanalmente a correcção da estratégia económica para, em cada mês, a submeter ao conselho de ministros de forma a conseguir adaptar as fases de curto e médio prazo da estratégia financeira a que o ministro das Finanças estivesse vinculado para combate imediato, ou no mais curto lapso de tempo, da recessão.

 

O ministro da Economia, se assim tivesse procedido, poderia ter o controlo das verbas do QREN e obter do ministro das Finanças as indicações temporais e financeiras dos dinheiros a canalizar para os sectores importantes e sustentáveis da produção nacional.

Quase de certeza que nada disto se fez! Governa-se “à vista”, ou seja, de acordo com os estragos mais notórios e com os projectos que possam dar da governação a melhor imagem possível para reduzir as críticas nacionais.

Por ausência de uma política coerente, de uma ponderação cuidada, de uma cautela sistemática, os vazios criados foram sendo preenchidos por planos sectoriais executados fora do Ministério da Economia.

O que fica evidente para o observador atento é que o Governo e, consequentemente, os Ministérios não têm líderes à altura da situação, à altura dos cargos para que foram escolhidos. Não basta sobraçar uma pasta ministerial para se saber governar; é necessário saber escolher e liderar equipas que executem políticas e estratégias.

Na tropa, o bom comandante e bom chefe é aquele que, para além de ter presente o bem-estar possível dos seus subordinados, sabe escolher o “staff” que lhe estuda as situações e lhe propõe alternativas para diferentes tomadas de decisão. O comandante ou chefe decide com ponderação o que foi cautelosamente estudado por indicação sua. Os nossos governantes deveriam fazer estágios junto dos militares, já que estes, sendo “feitos” para obedecer, aprendem a liderar e, por conseguinte, a decidir.

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por Luís Alves de Fraga às 00:59



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