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Fio de Prumo



Sábado, 09.07.11

Lições da História

 

Quando, em Abril de1945, apaz pairou sobre a Europa, depois de os Aliados terem derrotado a Alemanha nazi e a Itália fascista, qual era o panorama que se podia ver no Velho Continente e nos EUA?

Na Europa, era tanta a fome na Alemanha, na Áustria, na Itália, como na vitoriosa Grã-Bretanha ou na desocupada França e na mártir Bélgica. A fome estendia-se, também, aos países neutros como Portugal e Espanha. Os circuitos produtivos estavam completamente destruídos e as correntes comerciais eram quase inexistentes. Milhões de desalojados deambulavam de um lado para o outro à procura das suas antigas raízes. Era dantescamente um caos. Em contrapartida, nos EUA, pesem embora as elevadíssimas perdas de vida entre a juventude americana, não havia desemprego, a economia era florescente, as fábricas trabalhavam a bom ritmo e produziam em abundância. Este cenário era magnífico para os americanos e péssimo para os europeus. Mas o que interessa uma economia florescente se não puder expandir-se? Rigorosamente nada, porque transporta no seu seio o feto da crise. Uma crise que, mais tarde ou mais cedo, estalará em função da retracção que se irá verificar no mercado interno por estar saturado. Assim, interessa expandir-se, abrir-se ao exterior, para continuar a fazer crescer a produção, as vendas, o emprego e o rendimento das famílias e o lucro dos capitais.

Isto mesmo percebeu George Marshall, Secretário de Estado dos EUA, que propôs uma ajuda financeira à Europa, para recuperação da máquina produtiva. Claro que a ajuda saía por um lado, mas o retorno fazia-se por outro, na medida em que o Velho Continente passou a ser um excelente comprador dos produtos americanos. Isso permitiu, de facto, a recuperação europeia, mas uma recuperação dependente dos EUA que se concretizou melhor e mais eficientemente na imediata criação da OTAN ou NATO.

O progresso europeu foi tal que, uma dezena de anos após a guerra, vivia-se por cá um boom económico muito significativo. Ao romper a década de 60 do século passado a Europa tinha recuperado e estava a lançar as bases da Comunidade Económica Europeia (CEE). Era o nascer de uma nova temporada. Uma temporada que veio desembocar na União Europeia e na moeda única, o Euro. De repente (duas dezenas de anos em História é um curto lapso de tempo), aquilo que começou por ser um plano para manter os altos padrões de produção e de consumo da economia dos EUA tornou-se numa ameaça série à economia americana. A palavra de ordem, depois da última crise económica dos EUA, foi simples: destrua-se o Euro, destruindo, se necessário for, a Europa. E por onde se inicia essa destruição? Pelos flancos mais frágeis: Grécia, Portugal e Irlanda, passando, depois aos restantes. E até onde se pode e deve ir? Até que a Europa fique, sem nela rebentar uma bomba, tal e qual como estava em 1945, ou seja, com os circuitos económicos todos destruídos. Para quê? Para que os EUA possam, uma vez mais, desenvolver um qualquer programa de auxílio semelhante ao plano Marshall. Um plano que auxilia mais quem o dá do que quem o recebe.

Só não vê quem não quer ver! A História dá as lições… é necessário saber interpretá-las! Esse era (é) o motivo porque nas Academias Militares se ensinava (ensina) História militar, pois, os campos de batalha podem variar e mudar os intervenientes, mas não mudam as táctica nem as estratégias… Alteram-se em função da tecnologia, nada mais! Infelizmente, não há academias para formar os políticos… Assim, poderiam estudar História e saber que nihil sub solo novum.

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por Luís Alves de Fraga às 20:58


7 comentários

De Ezéquias de Freitas a 09.07.2011 às 21:19

O chamado Plano Marshall foi muito mais do que o aqui apresenta; mas muito mais!
Poderemos extrapolar à vontade e até se pode ir mais longe no (seu) anti-americanismo elegante; evidente!
Faltou-lhe a lembrança de De Gaule, logo da sua primeira eleição e faltou também aludir a todas as desfeitas que a América já sofreu nos nossos tempos, ou será que está a pretender demonstrar que tudo tem sido fácil para os Estados Unidos?
Que tudo tem sido apenas e só oportunismo?
Esse país (os EUA) sempre pagou com o sangue dos seus e já levou a democracia a muitas nações da Terra.
Só os Cíclopes/historiadores vêem de certa forma.

De Gomes Jr. a 09.07.2011 às 23:48

Sabendo para que lado as igrejas se viram, e como sobretudo os governos as protegem, somos mesmo forçados a admitir que vivemos em sociedades manipuladas em que todos os elementos se encontram coniventes; parceiros que o são da nossa infelicidade e do descalabro em que vivemos, o descaramento é elevado e penso que nada há a fazer, que não seja aceitar…ficamos assim e desta forma esperaremos o desfecho!
A falta de vergonha ultrapassou há muito todos os limites da tolerância possível e deu início à louca corrida da sobrevivência, povos inteiros dirigidos por ditadores estão ainda sob o hipnotismo das religiões e absorvem a dificuldade como sendo um castigo de Deus.
Mas qual “deus” assim o consente?
Só a mentira estabelece o infinito de todas as manobras e só os “triunviratos” do interesse continuam a fabricar cada vez mais esta nova escravatura fazendo do Planeta um “campo de concentração”…Uma osmose de resistentes.
Certos calendários religiosos levam a crer que esta nossa civilização chegará ao seu termo em Dezembro de 2012…ao que parece no dia 21, no solstício de inverno, e não sei até se a hora não foi já determinada… (?) o fabular vai longe e o pior é que há quem assim o pense; que será mesmo a Vontade Suprema que virá pôr um termo a tanto desleixo e a tanta indignidade dos humanos.
Em quem deveremos acreditar?
Nos historiadores?
O desastre está previsto, e esperemos só que se ele tiver lugar, pois que seja global e não parcial !
O medo vende-se bastante bem e as igrejas são os melhores vendedores de medo que se possa imaginar, grandes comerciantes, eloquentes profissionais e sobretudo excelentes propagadores do medo…e sempre assim foi.
Porém, as igrejas não nos falam dos milhões de horas de trabalho que não nos são pagas por serem executadas por “robots” nem dos elevados benefícios de todas as multinacionais ou do Banco do Vaticano…por exemplo…(!), as igrejas não nos dizem que é desta forma que se alimentam os fornos da miséria ou a máquina do desespero, como não nos contam também toda a sua história.
Teremos que esperar que a História nos diga a verdade sobre a Resistência e que os historiadores se decidam a dizer onde estão as verdadeiras razões dos acontecimentos.

De José dos Santos Moreira a 11.07.2011 às 15:37

Com efeito, falar-se de resistência sem se falar da igreja, é porque falta qualquer coisa.
Os chefes de todas as religiões são imensos responsáveis em torturas - quanto mais não seja de ordem psicologica - e conscientes que o são, mascaram-se, escondem-se, mentem, como em todos os sistemas onde a RAZÃO não tem lugar de estar.
Acho que para falarmos de resistência política, de sofrimento, teremos que tocar, nem que ao de leve, na crença e na mentira.

De Sérgio Miguel a 10.07.2011 às 13:40

Mas isto é a nova forma de fazer Guerra... isso de utilizar bombas e coisas do género é apenas para aqueles países que se sabe que não dão luta.

Para os países que têm capacidades bélicas idênticas a solução encontrada foi: TERRORISMO FINANCEIRO... e ele está aí pleno vigor e pujante... curioso que até hoje nenhum Estado, digno deste nome, declarou estado de Guerra ao(s) seu(s) agressor(es) por este motivo... estranho... muito estranho! Ou andam mesmo a dormir ou então estão também a ganhar algo com isto...

O efeito até é melhor que o da guerra convencional pois o balanço financeiro final é muito superior... Os LUCROS do Terrorismo Financeiro são incomensuravelmente superiores...

Como sempre, em qualquer tipo de Guerra, é sempre a população "escrava" que sofre os efeitos directos e indirectos...

Bem vindos à NOVA ERA... do CAPITALISMO TERRORISTA. E boa sorte...

De Fernando Vouga a 11.07.2011 às 14:23

Caro Alves de Fraga

Estudei quase dois anos nos EUA e posso dizer que foram talvez os tempos mais felizes e profíquos da minha carreira profissional.
Vivi integrado no meio civil e militar. Apreciei a hospitalidade, o civismo, a camaradagem, as muitas viagens que fiz e, sobretudo, a qualidade do ensino (algo onde os portugueses têm muito a aprender).
Mas não tenhamos ilusões: Os Estados Unidos são uma grande potência e, como qualquer outro país, usa o seu poder prioritariamente em seu benefício. Ou seja, fazem o que nós faríamos nas mesmas circunstâncias... É que, tal como acontece com uma tomada de corrente eléctrica cujo poder só existe quando ligada a um aparelho, o poder político só existe quando exercido.
Enfim, as coisas são como são e não como gostaríamos que fossem. Compete-nos a nóa olhar os factos sem moralismos irrealistas, e actuarmos em conformidade, dentro das regras democráticas e da sã convivência entre nações civilizadas.

De José dos Santos Moreira a 12.07.2011 às 16:10

Sã convivência entre nações civilizadas é coisa impossível e já de há muito ultrapassada por aquilo a que chamamos de INTERESSES SUPERIORES e, Caro Fernando Vouga, os militares bem o sabem(!), os militares sempre souberam servir OS INTERESSES SUPERIORES e com natural demagogia sempre se integraram no número dos patrióticos/convictos e das vítimas da pátria.

Velho é o provérbio que nos diz: - “quem parte e reparte e não tira para si a melhor parte, ou é burro, ou não tem arte”.
Os EUA assim o fizeram e sempre – melhor do que ninguém – tentaram defender os seus próprios interesses (…coisa que Portugal ignorou totalmente nas suas Áfricas) e diga-se, muito os EUA pagaram com o sangue dos seus patriotas; porém, inteligentemente e com a dignidade da sua bandeira…o que nem sempre (ou nunca) foi o caso dos colonizadores Europeus, em que a dignidade da bandeira deixou mesmo a desejar…a França, a Bélgica, a Holanda, Portugal, mesmo a vizinha Espanha…lembremos a “onda verde” em Marrocos nos anos 70…
O que nos diz sobre a democracia dos EUA, já Humberto Delgado (quando Embaixador em Washington) assim nos apresentava essa exemplar democracia e fez nesse tempo uma tentativa no sentido de realçar Portugal; só que Portugal não era (como ainda hoje não o é) suficientemente inteligente nem culturalmente preparado para viver “O Sonho Americano”…quanto mais o pesadelo português!
Porque é que, como o diz e bem, os EUA são uma grande potência?
Resposta: - Porque o intelecto nacional americano não é o mesmo.
Como se diz – e bem – num outro Blog: - “…quando o saber colectivo é composto pela ignorância individual…”.
E assim vai a gloriosa história de Portugal em que a resistência sempre se bateu por três vezes nada…homens e mulheres apodreceram nas prisões portuguesas e até no campo de concentração do Tarrafal e porquê?
- Por nada!
- Só por falta de intelecto/nacional.

De Fernando Vouga a 15.07.2011 às 19:35

Caro amigo

Tal como os deuses, a "sã convivência entre nações civilizadas" não existe. Mas penso que será um excelente paradigma a seguir.

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