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Fio de Prumo



Sexta-feira, 08.07.11

Prisões e prisioneiros políticos

 

Há tempos reli com redobrado prazer o livro intitulado Memórias da Condessa de Mangualde que relata com bastante soma de pormenores a vida e a luta do seu marido contra a República, logo após a proclamação desta, em Outubro de 1910.

Combater por ideais, especialmente políticos, representa sempre um conjunto de sacrifícios difíceis de avaliar por quem nunca passou por tais situações. É sempre impressionante, belo e épico, embora se não concorde com a razão de fundo da luta em questão. Sendo eu republicano, não me escuso a admirar a pugna que os monárquicos desenvolveram para repor no trono um rei.

 

Acabei, hoje de manhã, a leitura do livro Memórias de Um Resistente às Ditaduras, da autoria do coronel Manuel António Correia, que era soldado, na Rotunda do Parque Eduardo VII, na noite de 4 para 5 de Outubro de 1910. Promovido por distinção a primeiro-sargento, já como alferes participou na Grande Guerra, em França, e era tenente quando, em 28 de Maio de 1926, foi imposta aos Portugueses a ditadura. Daí em diante passou a lutar pela democracia. Conheceu a clandestinidade, a prisão, as deportações, as perseguições levadas a cabo pelas polícias políticas.

Numa análise tão isenta quanto me é possível, lendo o primeiro relato e o segundo chego à conclusão de que, por muito má que tenha sido a vida de todos os que combateram pela restauração monárquica em Portugal, nada se compara ao tratamento que foi dado aos lutadores contra a ditadura. A prisão e a tortura ultrapassaram muito de longe os maus-tratos que o conde de Mangualde relata nas cartas que remeteu para a sua mulher ou nos documentos que deixou escritos. Realmente, as ditaduras sejam elas quais forem, permitem que o pior da condição humana se possa manifestar contra quem discorda do Poder.

Pelas visões que encerram, são dois livros que aconselho a quem quer perceber o lado negro da Liberdade e da Opressão.

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por Luís Alves de Fraga às 21:59


4 comentários

De Horácio de Ossola a 09.07.2011 às 00:27

Liberdade, Liberdade, quem na tem chama-lhe sua…
De que lado deveremos estar ?
Do lado da democracia corrupta e composta pelos vira-casacas de outrora ou do lado dos chamados ditadores que bem sabem com quem lidam ?
“The answer is blowing in the wind”!

De Luís Alves de Fraga a 09.07.2011 às 10:14

Pessoalmente já escolhi há muito: do lado da democracia. E por uma razão simples: tenho a ilusão de que escolho alguma coisa, pois gosto mais de andar iludido do que andar enganado. É que, nas ditaduras, também há trafulhas e vigarices só que não se pode dizer quem são, nem quando as estão a fazer.

De Horácio de Ossola a 09.07.2011 às 12:51

Se o intuito era de responder à pergunta que faço, falhou!
Trafulhas e vigarices há no seio de todos os sistemas, de todas as instituições, de todas as organizações. não estou a ver a relação ou a utopia, nem sequer a relação de escolha...mas, é como digo: "Liberdade, quem a tem chama-lhe sua".

De Fernando Vouga a 09.07.2011 às 17:49

Caro Alves de Fraga

Estou consigo. As democracias têm as suas dificuldades e pontos fracos. Mas são ainda o melhor, ou o menos mau, dos sistemas. No mínimo, permitem transições do poder de forma pacífica.
Pode, com efeito, haver democracias boas e democracias más. Quanto às ditaduras, só conheço más. E acabam sempre mal.

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