Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Quarta-feira, 20.04.11

A economia e a ajuda externa

 

 

Tenho procurado acompanhar, o melhor que posso, os acontecimentos em Portugal, desde que chegaram a Lisboa os técnicos da troika responsável pela ajuda externa às finanças nacionais.

Acabei por perceber várias coisas: o Presidente da República remeteu-se a um prudente silêncio – que pouco difere do anterior, visto que, no seu mandato, se caracteriza por ou dizer banalidades ou por calar o que devia dizer; os partidos candidatos à governação – PS, PSD e, por arrasto, PP/CDS – continuam a comportar-se como se o mais importante fosse conquistar o Poder em vez de fazer sair Portugal da crise; os partidos da oposição verde ou vermelha – partido de Os Verdes, BE e PCP – recusam dialogar com os técnicos estrangeiros mandados fazer a análise da situação por discordarem totalmente da solução proposta; as organizações representativas das forças sociais – SGTP, UGT, confederações do comércio, da indústria e da agricultura – cada uma à sua maneira, pretendem obter os melhores benefícios para os seus associados.

É evidente que a ajuda externa vai ser dada, mas que todos estes contactos se destinam somente a “tomar o pulso” à situação política e social do país por parte dos futuros credores. Eles querem saber com o que podem contar, pois já sabem, e muito bem, que tipo de “tarraxas” devem apertar para garantir o retorno do seu dinheiro no prazo estipulado nas negociações. Dizer que se tem de viabilizar a economia do país para que seja possível sair da crise é uma “redundância” para os negociadores estrangeiros… Para além de não serem parvos, não são suicidas! A economia portuguesa tem de ser viável para que haja possibilidades de pagar! A questão não é essa. A questão fundamental é saber à custa de quê e com que tipo de estratégia se vai relançar a economia portuguesa. Esse trabalho vai ser feito pelos negociadores, exercendo pressões sobre os parceiros políticos e sociais nacionais. Vão fazê-lo olhando aos interesses das entidades que representam e não aos interesses nacionais portugueses. Se, por absurdo absoluto, chegarem à conclusão que a economia portuguesa só se torna rentável se todos os anos, durante cinco anos, forem colocados no mercado de trabalho, por exemplo, russo duzentos mil trabalhadores braçais portugueses, será essa a imposição que farão ao Governo de Portugal, seja ele qual for. E o Governo tem de se comprometer a cumprir para ir recebendo as diferentes fatias da ajuda externa, pois, quando falhar, falha a ajuda. O exemplo é, como disse, absurdo, mas é-o propositadamente para provar que foi a incapacidade dos diferentes Governos, desde o tempo do de Cavaco Silva, desenharem e cumprirem uma estratégia económica para o país, impondo metas e limites, que conduziu Portugal à situação presente.

A magna questão que coloco a mim mesmo é a de saber se, desta vez, os políticos, os representantes do investimento capitalista e os representantes dos trabalhadores aprendem que, não havendo ruptura com o sistema vigente, tem de se definir estrategicamente uma “vocação económica” para Portugal, ou seja, temos de nos especializar numa ou duas ou três produções que garantam exportação que dê para sustentar o país e a população. Nem que seja a exportar "água de nascente", ou “vinho a martelo” de qualidade imbatível, ou" saquinhos com areia das praias portuguesas", ou qualquer outro conjunto de produtos que sejamos capazes de vender em grande quantidade, de boa qualidade, que seja concorrencial e que dê trabalho directo ou indirecto aos Portugueses. Temos de ser imaginativos, inovadores, concorrenciais, competentes e agressivos.

Não tenhamos dúvidas que, se Portugal se transformasse num país comunista, era uma solução desta natureza que seria escolhida para sustentar a economia. Podemos fazê-lo em regime capitalista “só” é necessário que “puxemos” todos para o mesmo lado. Deixemos as “quintinhas” individuais, deixemos os nossos mesquinhos interesses, abandonemos a nossa proverbial inveja e avancemos para a grande aventura de conquistar o futuro depois de há quase seis séculos termos descoberto o mundo aos povos do mundo. Está na altura de mudar mentalidades.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 21:09


7 comentários

De Ana Maria Ribeiro a 21.04.2011 às 01:38

Claro que não é possível "puxarmos" todos para o mesmo lado, amigo.
Deixemo-nos de idealismos. Quanto mais profundas são as mudanças necessárias, mais associadas estão inequívocamente a uma ideologia.
Competentes e agressivos, à custa de quem? E para benefício de quem? Estas questões serão necessariamente colocadas.
Mas não quero deixar de sugerir que Portugal invista na indústria do ferro e do betão, que as futuras gerações terão de usar para construção de sarcófagos protectores de desastres nucleares.

De Anónimo a 26.04.2011 às 18:37

Desastres nucleares ?
Mas será que Portugal tem assim tantas centrais como isso?
Não brinque, pense que apenas temos o beneficio da tecnologia que pudemos comprar e nada miais.
Os países desenvolvidos não vendem tecnologia inteligente a países estúpidos.

De Ana Maria Ribeiro a 26.04.2011 às 23:14

Esclareço-o que o investimento por mim sugerido se baseia na real percepção de que, infelizmente, ainda iremos ter muitos problemas com as Centrais Nucleares existentes, e muito provavelmente com outras.
Lamento que não se tenha identificado. Acho mesmo que não deveria ser permitido comentar nestes termos.

De Anónimo a 27.04.2011 às 20:38

Mas, Ana Ribeiro, tenha calma.
Já vi que muito pouco sabe sobre esta questão e entretanto eu bem compreendo a sua vontade de participar.
Diga-me só porque é que não deveris ser permitido que eu comente nestes termos?
Pense que não é só a sua opinião a que mais valor tem, ou será?
Devo dizer-lhe que a sua resposta é mesmo bastante confusa e nela, muito pouco se percebe...talvez incompleta !?
Não bastam as "boas palavras", há que dar uma conclusão a sua ideia para que o debate possa ser útil, válido e construtivo e creia Ana, que é o que falta para que se possa compreender o que nos pretende dizer.
Se quiser abordar o nuclear, pois estou pronto, conheço bem a questão; a Ana não sabe muito deste assunto.

De Anónimo a 28.04.2011 às 20:45

Limito-me a responder aos seus propósitos de rápida e fugaz comentarista e penso que de nada lhe servirá saber quem sou…olhe Ana, sou quem sou !
Chega?
Pior é quem se diz administrar este tipo de intercambio de ideias, via blog, e que depois não publica, peneira e esconde.
Fio de Prumo afirma-se como sendo um remendo que nem a controvérsia sabe gerir.
Só quem está de acordo ou felicita o gestor do blog é que é publicado, engraxares de sempre que já noutros tempos assim eram, supostas e falsas superioridades de quem muito pretende mostrar.
Valores são bem outra coisa.
Mas Ana Ribeiro se acaso quiser falar sobre o nuclear, estarei à sua disposição para uma simples e agradável troca de impressões através do meu correio electrónico.

De Luís Alves de Fraga a 29.04.2011 às 10:38

Anónimo,
Como vê, até publico os seus comentários... mesmo sendo anónimos. Depois, terá de compreender que este é o MEU espaço onde admito quem eu entender e como eu entender. Este não é, como pode julgar, um espaço público; é um ESPAÇO PRIVADO onde os comentários escritos estão sujeitos à minha aprovação. Na sua casa, sr. Anónimo, só entra quem o sr. deixa e não qualquer encapuçado que põe o pé na porta e força a entrada, não é verdade?
Para seu governo, esta é a última vez que vem desafiar, como anónimo, um comentarista que eu aceitei para comentar o que aqui deixei escrito. E poupe-se ao trabalho de dar resposta, porque não será publicada.

De Mário de Noronha a 22.04.2011 às 22:43

Infelizmente temos de nos sujeitar a isto. Os desmandos feitos a partir de 2 de Maio de 1974 foram lentamente dando o seu fruto.
Em vez de eliminarmos o que eram mau, para conservarmos e melhorarmos o que era bom, destruiu-se tudo e agora estamos a ver os resultados.
Tenh o a impressão de que até os seus fautores já se arrependeram.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

calendário

Abril 2011

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930