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Fio de Prumo



Terça-feira, 04.05.10

Já bateu no fundo?

 

O meu silêncio no «Fio de Prumo» deve-se, especialmente, ao espanto com que estou a olhar para a decadência geral da economia e, em especial, para a situação portuguesa.

Tenho-me perguntado:

— Quantos palmos faltam para batermos no fundo? Um? Dois? Será que ainda três?

De uma coisa estou certo: a unidade de medida é o palmo, e dos pequenos!

 

Ontem vi e ouvi o Dr. Medina Carreira no Jornal das 9, convidado pelo Mário Crespo. Mostrou três pequenos gráficos. Não podiam ser mais explícitos.

Em um deles via-se que a década em que tinha havido maior crescimento económico no país foi a de 1960/70 e a de menor a de 2000/10. O espaço entre elas decrescia sempre.

Num outro gráfico mostrou que na década de 1960/70 o número de pessoas dependentes de rendimentos do Estado era francamente menor do que os da década de 2000/10; talvez cerca de metade.

No último gráfico, mostrou que 70% do orçamento do Estado é absorvido pelo pagamento a funcionários dele dependentes.

Quer dizer, em cerca de 40 anos, a economia sofreu seríssimas reduções, tornando-se quase improdutiva e o Estado tornou-se no grande agente de empregos em Portugal. Isto corresponde a uma imagem que me assaltou o espírito. Ela aí vai: Portugal “socializou-se” enquanto se desnacionalizavam as empresas nacionalizadas na sequência de 11 de Março de 1975. Ora, com uma economia anémica, o “socialismo” só pode ser de miséria, de mais nada, porque, para haver socialização justa tem de haver um bom nível de produção económica. Venha Deus ou o Diabo explicarem-me o contrário, que eu não acredito! Nem eu nem ninguém que saiba um pouco de economia. Quando há miséria só se pode distribuir miséria.

 

Ah, e os rendimentos milionários da banca?! E os salários opíparos dos gestores?! E as pensões milionárias?!

Meus amigos, sejamos realistas. Os grandes cortes nos rendimentos milionários da banca, nos salários dos gestores muitíssimo bem pagos e nas pensões milionárias só servem para uma coisa: moralizar a administração financeira de Portugal!!! O que se vai buscar de excesso a cada um destes grupos, distribuído por todos os portugueses, não dá para cada um de nós comprar dez “cafés” no final do mês!!! É isso que resolve o problema? Desculpem, mas não é! Podem e devem tomar-se medidas moralizadoras, mas elas não resolvem o problema de fundo. E o problema de fundo é que Portugal tem gente a mais a “comer à conta do orçamento do Estado”!!! Esse é o problema!!!

 

Como é que “emagrece” o Estado? Acabando com serviços desnecessários, reduzindo o número de funcionários da Administração Central e Municipal, eliminando despesas desnecessárias, acabando com gastos supérfluos, reduzindo salários elevados. Numa palavra: fazendo o que se fez às Forças Armadas nestes últimos trinta e seis anos! É simples! Olhe-se para a receita e aplique-se… mas não mais a elas!!! Já chega!!! Para elas já chega!!! Agora chegou a vez de todos os outros, começando nos professores de todos os níveis de ensino, passando pelos médicos, pelos juízes, pelos bombeiros, pelos polícias, pelos militares da GNR, pelos assessores de todos os parasitas da Administração Central, Regional e Municipal, incluindo deputados, ministros, subsecretários de Estado, secretários de Estado, directores-gerais, administradores de empresas públicas, consultores e assessores, chefes de serviço, chefes de repartição, chefes de secção e tudo o que por aí fora vai de gente que se banqueteia com os dinheiros públicos. Chegou a vez deles, para se emagrecerem os orçamentos!

E é bom que os Portugueses, todos os Portugueses, da direita à esquerda, aceitem e tomem a iniciativa de denunciar esta bagunça para que sejam, ainda — note-se que digo, ainda — os Portugueses a remediá-la, porque pode vir um tempo — que está muito próximo, um palmo, dois ou três — em que nos seja imposta pelos poderes estrangeiros a obrigação de o fazermos sem contemplações, assim como quem manda carneiros para o matadouro…

 

Neste momento o “milagre” — coisa na qual eu não acredito — económico só se pode dar quando se emagrecer o orçamento e para o emagrecer têm de se tirar as tetas das bocas de muitos milhares de comilões ou racionar-lhes, muito bem, as quantidades de “leite” para mamar, porque o investimento que podia salvar a economia nacional foge de nós como o Diabo da cruz. E sem grande, mas muito grande, investimento não pode haver impostos que salvem este tipo de orçamento, porque o que vai acontecer é que os funcionários com baixos salários — que são os que existem em maior número — vão passar a pagar impostos para que o Estado possa pagar bastante menos aos funcionários que, tendo categorias mais elevadas — e que são em menor número — passem a auferir vencimentos menos chorudos. E isto torna-se numa espécie de “toma lá, dá cá” semelhante a uma “pescadinha de rabo na boca” ou, então, o que é pior, numa “Dona Branca” que vai à falência em três tempos.

 

Eu gostaria de poder escrever coisas diferentes destas, mas estaria a mentir e ficaria de mal com a minha consciência. Aliás, há alguns meses atrás, eu deixei aqui um apontamento intitulado «Capitalistas, precisa-se». Hoje penso que, para além de se precisar de capitalistas, precisa-se de muita coragem política para acabar com o actual estado de coisas ou, como dizia o saudoso Salgueiro Maia, acabar com o «estado a que isto chegou».

Claro que não serão de desprezar as medidas que tendam a estabelecer obras públicas — não megalómanas, tais como o TGV — mas isso só, não resolve, tal como não resolve a abertura de uma, duas, três, quatro fábricas de não sei o quê em Alguidares de Baixo. O que resolve é avançar decididamente para um orçamento base-zero, isto é, verificar-se uma por uma, a necessidade de todas as despesas do Estado e da Administração em todas as suas vertentes e, depois, anular as que não fazem falta.

Vamos ter desemprego, claro que vamos, mas iremos tê-lo, mais tarde ou mais cedo, mesmo que se não queira. Porquê? Porque se deu emprego em excesso e se pagou em excesso e principescamente quando, no tempo da negociação da adesão à CEE não se soube acautelar o futuro e se estimulou o consumo das famílias, levando-as até à máxima exaustão, o mesmo é dizer, ao máximo endividamento à custa da ideia de que o dinheiro era barato. O dinheiro é muito caro, porque a banca nacional o vai comprar no estrangeiro para o facilitar internamente. E não se julgue que estaríamos melhores se estivéssemos fora da União Europeia ou fora da zona euro!

Temos de nos convencer de que somos um país pobre ou um país à procura da sua vocação económica.

 

Temos a corda na garganta e a pena é que paguem muitos “justos” por alguns — poucos “pecadores”.

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por Luís Alves de Fraga às 18:42


10 comentários

De Sérgio Miguel a 04.05.2010 às 22:28

Quantos palmos faltam? Nenhum já estamos a escavar...

De Luis Fraga Jr. a 04.05.2010 às 23:21

Caro Coronel,

Antes de 74 tivemos uma primavera Marcelista, em 75 um verão quente, nas décadas 90 e 2000/10 um outono temperado pelo diálogo e pela tanga, agora é chegado inverno ao jeito glaciar.
Concordo com tudo o que disse e tenho que dar razão ao Dr. Paulo Portas que demagogicamente sugeriu que os deputados tivessem um corte no seus vencimentos.
Curiosidade, porque é que na função pública se chama vencimento? o no privado salário? será que viver junto da teta do estado significa ser um vencedor? e o grande/médio/pequeno/micro/nano empresário é o quê? um vencido??? um falhado?? e os milhares de Portugueses que de uma forma empreendedora renunciaram às poupanças para investirem na compra de um imóvel?? esses tb são falhados?? Acho que não os falhados são aqueles que no funcionalismo público (como diz a minha avó) se encostaram e ora transitam entre as empresas públicas ou nas Golden Shares e que não valem nem o chão que eu piso (LOL).

Tudo isto tem que ver com uma mentalidade instalada na administração pública e nas empresas onde estado dá a mão, que é a seguinte um cliente aceita as regras do mercado.

Passo a dar um pequeno exemplo:
TMN década de 90 (empresa do universo PT) cliente reclama por causa de um novo contrato dado que o cartão nao se encontrava activo, Resposta da empresa tem de aguardar cerca de 24h enquanto se verifica o que se passa.
Optimus na mesma época o mesmo tipo de reclamação supervisor de call center verifica a imagem do fax enviado pelo agente, chegou cortado (metade do contrato em cada página), mas está legível. Supervisor do call center imprime a cópia do contrato faz a montagem das duas metades tira uma cópiae aprentemente tudo está correcto, envia o fax para o dpto de activações de cartões com indicação de urgência cartão activo em 2h.
Isto traduz muito do ainda espírito do funcionalismo público.
Isto e em jeito de conclusão, perguntando ao funcionário público (FP),
Eu perguntaria
- Podia viver sem teta do estado?
O FP
- sim, mas não era mesma coisa!!

De Rui Saraiva Alves a 05.05.2010 às 16:49

É velho o rifão popular que nos diz que os homens não se medem aos palmos, todavia, no caso específico de Portugal pois eu digo relativamente que sim; alguns homens medem-se aos palmos (!) e se sem ambiguidade conseguirmos considerar que “palmar” em gíria portuguesa pode também significar “roubar”, aquele que mais palmar, é aquele que tem a melhor de todas as situações e poderá desta forma medir-se com aquele que rouba menos...

Quantos palmos faltam para batermos no fundo? Um? Dois? Será que ainda três?
De uma coisa estou certo: a unidade de medida é o palmo, e dos pequenos!

Julgo que se neste caso utilizarmos o palmo como unidade de medida estaremos e cometer um erro de análise, a unidade talvez mais adaptada no que diz respeito a tudo o que se tem vindo a palmar (roubar) desde os anos 70 até hoje, e a (Giga)@, o palmo parece-me curto…e julgo até que o palmo é mais utilizado no domínio da falocracia (que, diga-se, também está em crise)…enquanto que a (Giga) @ pode ser facilmente transportada e sem dar nas vistas…15 Kgs, seja do que for, passam bem em qualquer alfandega…
O Ampere transporta também informações magnéticas que podem servir para alimentar contas bancárias em longitudes tropicais e neste caso o palmo não poderá ter qualquer aplicação.
Quanto ao “fundo” a que o autor se refere, gostaria de esclarecer:
- A que tipo de fundo se refere?
- Fundo de forte impacto físico com o qual a nossa economia forçosamente se encontrará ou…fundo, mas fundo financeiro?
É que já andamos a “bater” no(s) fundo(s) há muito tempo…
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Fernando Vouga a 07.05.2010 às 12:57

Caro Alves de Fraga

Penso que o problema não se confina ao nosso pequeno país. Não costumo ser catastrofista mas parece-me que estamos a assistir ao princípio da derrocada do paradigma económico que vigorou nas últimas décedas no "Ocidente". Um sistema em que se partia do princípio de que o consumo era o motor da economia e do desenvolvimento. Porém, esse consumo ia beber (para não dizer roubar) o manancial de prosperidade nos recursos baratos (energéticos, matérias primas, mão-de obra), do terceiro mundo. Mas esses recursos estão a encarecer ou mesmo a acabar.
É um sistema tortuoso onde os trabalhadores são espremidos nos locais de produção para a seguir serem depenados nos locais de consumo. E, no meio, quem não merece fica com a riqueza produzida.

De CãoPincha a 09.05.2010 às 13:24

Antes de tudo «arranjem-se» políticos e «governantes» honestos e não vigaristas «fala-baratos» como os que temos agora.
Da cambada que temos não sabemos se se safa alguém!
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Antes de tudo «arranjem-se» políticos e «governantes» honestos e não vigaristas «fala-baratos» como os que temos agora. <BR>Da cambada que temos não sabemos se se safa alguém! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>CãoPincha</A>

De Anónimo a 12.05.2010 às 11:21

ESTE ARTIGO, VINDO DE UM CORONEL, TEM QUE SE LHE DIGA.

De Rui Saraiva Alves a 13.05.2010 às 19:55

Pelo lado escasso das suas palavras verificam-se os seus limites racionais, que devem ser contínuos, e sem qualquer percurso de afronta na expressão que utiliza.
Deixe-me dizer-lhe que lamento que diga tão pouco e que lhe falte "o engenho e a arte" para dizer muito mais.
Mas, é claro que quem não é capaz, limita-se a um "tem que se lhe diga", e as icapacidades são assim mesmo, ou o anonimato, ou o Nick Name servem de cobertura a qualquer tipo de palermice, porém, nem sequer é o seu caso.
Ou será que a cobardia não lho permite ?
Deixe-me dizer-lhe que o Autor da página de topo (que está na origem deste seu "crachat" que tem aspecto de comentário) não é só Coronel.
Fico curioso, não de saber aquilo que o senhor É, mas sim de saber aquilo que o senhor não É !
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Antonio Pereira a 21.05.2010 às 13:59

Este senhor Rui é um palerma...com que então não percebeu o que disse o comentador anterior a si ? vê-se logo que não passa de um presunçoso analfabeto!

De António Lima Coelho a 16.05.2010 às 17:05

Pois caro Anónimo,
A sua frase não me deixa perceber se revela espanto ou ironia. Mas sempre lhe posso dizer que antes de ser Coronel, o autor deste blog é um cidadão atento, activo e participante. Sem medos e com a coragem suficiente para expressar claramente o que tem a dizer, concorde-se ou não! É essa coragem e frontalidade que distingue os Homens dos cobardes.
Comente sem medos, identifique-se. Façamos deste mundo uma janela mais clara e objectiva.
Quanto ao Autor apenas lhe desejo muitos mais anos de vida e clareza de espírito para entre outras muitas coisas que faz, e bem, continuar a manter este espaço de debate.

Lima Coelho

De Zé Zé Camarinha a 20.05.2010 às 11:36

Essa de cortar verbas á guarda e policia não lembra ao diabo. Cortaram-lhes o mesmo que ás FA . O sr tem mesmo má vontade contra as FS . Se o seu antepassado que foi guarda souber disso certamente que não vai gostar. Qual foi o mal que lhe fizeram? Deus queira que nunca precise deles.

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