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Fio de Prumo



Sexta-feira, 05.03.10

O deficit e o patromónio nacional

 

 
Ouvi ontem, com grande espanto meu, uma proposta de dois deputados alemães sobre a forma de o Governo grego resolver a grave crise que está a atravessar aquele Estado membro da União Europeia: vender uma ou duas das ilhas do seu território, vender obras de arte da antiguidade e vender peças museológicas. Quer dizer, na impossibilidade de espremer até ao tutano os trabalhadores gregos, o Estado deve desfazer-se de património nacional, e, até, de património que se pode considerar da humanidade para garantir a sobrevivência num mundo onde imperam os interesses financeiros e onde os Governos gregos não souberam acautelar-se contra a ganância de lucro e despesismo que a União Europeia introduziu nos hábitos dos povos mais pobres e menos capazes de emparceirar com os ricos do continente.
Foi a ilusão de riqueza e abundância que a adesão à União Europeia desencadeou quem veio provocar desequilíbrios nos hábitos modestos de povos que estavam acostumados à míngua e ao fraco consumo. Claro que não estou contra o progresso! Estou contra uma falsa abundância que o mau governo de certos Estados que aderiram à, então, CEE incutiram nos seus cidadãos. Estou contra a incapacidade de gestão estratégica que esses mesmos governos demonstraram quando lhes foi dada a oportunidade de mudar rumos económicos. Estou contra os condicionalismos impostos pela CEE sobre economias de fracas capacidades, os quais rebentaram com o que era tradicional produzir e não acautelaram a transição para um mercado mais amplo, mais aberto e mais concorrencial.
 
Hoje é em relação à Grécia que se fazem sugestões como as dos dois deputados alemães; amanhã poderá ser o recado dirigido a Portugal e aos Portugueses. Sugiro que se vá pensando no processo de transferir para mãos particulares as Berlengas, as Desertas e — quem sabe? — o recheio do museu de Arte Antiga…

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por Luís Alves de Fraga às 10:37


11 comentários

De Camoesas a 05.03.2010 às 10:56

Será que teremos de vender o nosso único porta-aviões, o "65th Air Base Wing" aos Americanos ???
http://www.partido-socialista.net/Lajes%20-%20artigoExpresso.doc

Melhores cumprimentos,

Camoesas

De Fernando Vouga a 05.03.2010 às 22:53

Caro Alves de Fraga

Não estamos em tempo de humor mas rir pode ser o melhor remédio (para nós).

Sugiro que Portugal venda o património dos partidos políticos incluindo sacos azuis e outros dinheiros por fora. Penhorem-se também os tachos dourados e as reformas múltiplas.
Se não chegar, penhorem-se os políticos, embora não me pareça que tenham muito valor patrimonial...

De atento a 05.03.2010 às 23:12

Vai ser a começada da derrocada da UE por esse caminho.
O povo grego não é de ficar de cocoras.
Alemanha está a entrar num jogo perigoso.

De Rui Saraiva Alves a 08.03.2010 às 08:36

Talvez seja uma boa ideia, porém, não é a melhor !
Vão-se os anéis, mas fiquem-se ao menos os dedos...
Quem tem anéis não se quer desfazer deles e aqueles a quem já só restam os dedos, esses, vivem ainda na esperança de que o “El Dourado” possa ainda um dia estar de volta.
Exímios que somos nesta construção social dos Novos Pobres em que as “acrobacias” de argumentos se desenvolvem no trapézio da corrupção, nas paralelas da mentira e no Arção do crime, pois o nosso maior Circo funciona de São Bento a Belém.
Tigres, macacos e leões não faltam e o “show” é gratuito.
Neste grande circo a nossa Justiça monta a sua rede de protecção e nunca nenhum dos nossos “acrobatas” correrá qualquer risco de cair.

A título de exemplo, o Conservador do Mosteiro da Batalha decidiu reparar uma parte do telhado deste monumento com chapas de zinco, as ossadas da nossa Capela dos Ossos estão-se a descolar e com bastante mau aspécto, a poluição desagrega o calcário do Templo de Diana.
Se tivermos mesmo que vender o nosso património, pois terá que ser a baixo preço.
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Rui Saraiva Alves a 12.03.2010 às 08:10

Ninguém esperava todo o conjunto de surpresas que nos bate à porta e que bem poderia ter sido evitado a tempo e horas se tivessemos sabido olhar e prevêr.
Portugal não tem hoje quaisquer condições, nem para ser um país reactor, nem para ser um país reactivo.
As mentalidades condicinaram-se às dificuldades e a resultante é o nosso dia-a-dia que já não esta sendo cada vez mais difícil, mas sim impossível.
Portugal está a ver a “palha” no olho do vizinho, quando tem uma “trave” no seu próprio olho e não dá por ela !
Dar conselhos é fácil e até há quem diga que quando damos conselhos aos outros, estamos a dar aquilo que mais nos falta.
A descoberta das razões é simples de obter e “papagaios-de-esquina” é o que não falta nas nossas esplanadas, nas nossas tascas, nos transportes públicos, etc., enfim cada um dá a sua opinião, vamos desta forna “rosnando” mas sem qualquer agressividade, é conhecido o já velho rifão popular que nos diz que: cão que ladra não morde !
E ELES sabem-no.
Acontece porém que toda a evolução, e seja esta qual fôr, só é possível quando a existencia dos seres humanos pasa pela Cultura.
Os nossos auto-didactas são excelentes em foot-ball, em “tic’s” linguísticos e passamos assim a nossa vidinha a pôr o nosso lixo no quintal do vizinho, em vez de comaçarmos por varrer diante da nossa porta.
O nosso Ensino apodrece pela falta de educação, alunos que sem qualquer escrúpulo cometem agressões graves aos docentes, enfim, muitas coisas acontecem pela emersão de estupidez em que este Portugal se banha.
Em 74 abandonámos um sistema que por si já estava podre e que de qualquer forma irira cair de maduro, e, hoje, nesta primeira década do século XXI, não passamos dos últimos da “classe”/europa.
A nossa cêpa está bem torta e penso que dela, pois não iremos passar !
Se olharmos para o estado mental das nossas regiões, santinhos e procissões não faltam e a cultura religiosa bate em pleno.
Ruas com nomes de santinhos e cruzeiros que nos relembram agradecimentos do passado, é o que não falta por esse Portugal fora.
A cultura religiosa e a arquitectura fúnebre são elementos do nosso património, eixos da nosso cultura, afirmações de quem afinal este povo é.
A lição foi grandiosa, Roma trouxe-nos toda a logística tecnica, militar, social, economica e política.
Temos ainda vestígios desse tempo, todavia, não conseguimos aprender a lição pois limitámo-nos a expulsar o invasor e em perioridade a uma cultura Cristã pela qual optámos.
Hoje, nem temos cultura nem religião, escangalhámos tudo e a grande máquina funciona a cada 13 de Maio.
Continuamos a ver a palha no olho do nosso interlocutor e não somos sequer capazes de descobrir que no nosso, temos uma enorme trave que não nos deixa ver...
Portugal põe um joelho no chão e pergunta : - Porquê Senhor ?
E Deus responde-nos:
- Olhem quem vocês são.
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Fernando Vouga a 12.03.2010 às 15:52

Caro senhor

Apreciei com gosto este seu desabafo. Tem toda a razão de ser.
Mas já que fala de religião, já que estamos todos tão aflitos, não será altura de a Igreja Católoca prestar contas?
Ao longo de oito séculos que vem acumulando riquezas, apesar de sermos tradicionalmente um país muito pobre. E só enriquece quem tem lucros.
Sendo assim, terá de pagar impostos ou então demonstrar (com toda a honestidade que deve ter uma religião que se apresenta como moralista) que é uma organização sem fins luctrativos.

De Rui Saraiva Alves a 14.03.2010 às 10:06

Caro Senhor.
Através desta página podemos confirmar porque é que a Igreja não paga os seus impostos e escapando-se assim a muitas outras coisas, engrandece desta forma o seu património.
A César o que é de César ...
Saudação bem cordial.
Rui Saraiva Alves.

http://www.hottopos.com/videtur14/villela.htm

De Fernando Vouga a 15.03.2010 às 12:37

Obrigado pela sua informação.
Adorei o texto, que recomendo vivamente.

De Rui Saraiva Alves a 19.03.2010 às 08:31

A falta de Fé conduz-nos à insegurança e somos desta forma invadidos pelo medo.
Não sei se há “deuses” ou “Deuses” que nos protegem uns mais do que os outros, no entanto o que é facto é que há tendências religiosas que naturalmente se sentem menos seguras e penso que é por esta razão que sabemos que há Mesquitas, por esse mundo fora, que são verdadeiros arsenais.
O Vaticano é um verdadeiro formigueiro de espionagem, de munições, de armamento.
Munições de calibre militar e armas ligeiras de todos os tipos podem ser encontradas nos templos de Allah, a Guarda Suíça, no Vaticano, possui uma tecnologia militar altamente sofisticada, as Sinagogas também são um ninho de soldados disfarçados em “fiéis” e que desta forma tentam assegurar o bom funcionamento de todos os cultos e a melhor estabilidade religiosa…

Que pensar da Fé que as Igrejas nos apregoam (?), quando afinal eles próprios não acreditam suficientemente na protecção que o Céu lhes oferece e protegem-se com armamentos sofisticados e com especialistas em técnicas de protecção.

Tudo leva a crer que quem nos apregoa a confiança em Deus, não “a” tem afinal.
Tudo leva a pôr em dúvida, não a protecção que Deus nos oferece através da Fé, mas sim o sentimento de certos “chefes” religiosos.
Da parte de Ratzinger não me admira porque quando jovem esteve ao serviço da Alemanha Nazi, portanto, armas é coisa que ele ainda não se deve ter esquecido.
Da corja de barbudos, servidores de Allah, também nada me admira na medida em que o fanatismo os leva à insegurança, ao crime gratuito e é talvez normal que essa gente tenha mesmo que se proteger.
Os Judeus, quanto a eles, pois é naturalíssimo que se sintam agredidos e como já não é a primeira vez que há atentados contra as Sinagogas, será normal que tenham umas quantas espingardas e as respectivas munições escondidas atrás da mesa do Rabino.
Bem sei que Deus sempre conduziu o Homem à guerra e um dos “servicinhos” que na sua crença o Homem oferece a Deus, é a violência!
Lembro o massacre de S. Bartolomeu, a batalha de Jericó, a Guerra dos 6 Dias, enfim, em todas as épocas procuramos fazer “continhas” com aqueles de quem não gostamos para podermos afirmar que nesse momento foi por vontade de “Deus” e que, tal como os Templários, somos de vez em quando o “braço armado” da igreja que representamos.
Gandhi e Luther King, nos nossos dias, não nos deram afinal exemplos de pacifismo que tenham chegado e, um e outro acabaram como bem o sabemos.
Na ventilação histórica sobre a qual nos possamos debruçar, os mesmos retalhos chegam sempre até nós com a mesma forma e com o mesmo fundo.
Sabemos só que todas as igrejas possuem o seu dispositivo de manipulação através dos seus próprios agentes de comunicação.
Sabemos também que todas as igrejas possuem largos fundos financeiros para os seus serviços de espionagem (não esqueçamos os 3 séculos de inquisição) e para o seu próprio abastecimento em tecnologia paramilitar.
Todas as igrejas “JULGAM” e a partir daí têm o seu próprio executivo militar escondido sob a capa da Protecção.
Falarmos de Teatro de Operações acho que é mesmo o termo apropriado porque tudo isto não passa de um teatro em que os espectadores acreditam no que vêm e os actores, esses, não passam de mercenários a soldo da Fé.
Mas a nossa Fé, a nossa sinceridade e a nossa crença e toda a nossa participação, estão entregues entre as mãos de quem?
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Esterline a 20.04.2010 às 18:26

Não me concidero nacionalista desmedido, mas não me é fácil entender/aceitar o extremo que a meu ver caracteriza a proposta dos deputados alemães. Quer dizer, vender uma parte do território nacional?
Melhores cumprimentos,

De Rui Saraiva Alves a 24.04.2010 às 18:59

As mais antigas regras comerciais ensinam que só poderemos vender aquilo que temos para vender e, vendendo com benefício de pelo menos 1/3 acima do valor de custo para que o negócio seja justo.
A Grecia Antiga ensiina-nos também que o chamado "stock morto" deve ser rápidamente transaccionado e de preferencia a baixo preço justo, para libertar a contabilidade e desta forma tornar mais ligeiros os encargos do comerciante.
Mas " se por perigos e guerras esforçados" e se tudo fôr "para além do que permitiu a força humana", pois quanto valerá este stock do nosso Património ?
Roubado (?), eu não acredito...porém, (?), algum sim, isso foi !
Que preço (se assim é) teremos nós a coragem de pedir por aquilo que já roubámos?
Acho que antes de darmos início à venda do nosso património teremos que dar uma olhadela no que foi o nosso século XV, teremos que tirar a limpo porque é que a Rua do Ouro se chama Rua do Ouro e porque é que a Rua da Prata se chama Rua da Prata...e, porque é que a Praça do Comércio tem esse nome ? É que nem tudo foi "sangue, suor e lágrimas", longe disso.
Assim, se houver venda do nosso património, pois uma grande parte desse benefício parece-me limpinho e...sem peneiras !
Cordiais saudações para todos.
Rui Saraiva Alves.

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