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Fio de Prumo



Terça-feira, 19.01.10

A Ordem Militar de Cristo

 

 
No passado português — séculos XVIII e XIX — era uma das mais invejadas veneras ser-se agraciado com qualquer um dos graus da Ordem Militar de Cristo. E era-o com alguma razão e fundamento, pois aquela Ordem Militar, já na altura honorífica, provinha do reinado de D. Dinis quando este pediu ao Papa autorização para transferir para uma Ordem nacional os bens — e até o freires — da extinta Ordem do Templo. É, por conseguinte, antiga, respeitada e cobiçada, especialmente no estrangeiro onde sabem apreciar o valor deste tipo de distinções. Para que não restem dúvidas quanto à valia e antiguidade desta condecoração, basta olhar para o medalhão do Marquês de Pombal, que se encontra no pedestal da estátua equestre de D. José, no vetusto Terreiro do Paço, e lá vemos, pendurada do pescoço do poderoso ministro do rei a cruz de Cristo por lhe ter sido conferida a regalia de a ostentar.
 
Pois hoje, 19 de Janeiro de 2010, o Presidente da República, por sugestão e conselho da comissão que governa e propõe as Ordens Honoríficas Nacionais, condecorou Pedro Santana Lopes com a grã-cruz da Ordem Militar de Cristo, colocando-o a par de inúmeras altas dignidades nacionais e estrangeiras que tal merecimento tiveram. Pedro Santana Lopes, o Primeiro-Ministro que foi desalojado do cargo por decisão de um anterior Presidente da República!
 
— O quer isto dizer?
Várias coisas, ao mesmo tempo, na minha opinião: que Cavaco Silva não questionou, em tempo oportuno, a proposta que lhe foi apresentada; que os proponentes discordam, desrespeitam ou desvalorizam a decisão de Jorge Sampaio; que Cavaco Silva é conivente com a anterior posição; que é pequeno o respeito que se tem pela atribuição de tal venera; que Pedro Santana Lopes vale, afinal, tanto como qualquer Primeiro-Ministro que tenha desempenhado com dignidade o respectivo cargo; que, enfim, todos os que ostentam as insígnias da Ordem de Cristo — pelo menos, impostas nos tempos mais recentes — as podem esconder, porque o seu valor baixou significativamente no “mercado” das honras nacionais.
 
E não me digam que o sentido de Ética, de Moral, de Honra não está em declínio em Portugal.

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por Luís Alves de Fraga às 15:19


6 comentários

De Fernando Vouga a 19.01.2010 às 18:46

Caro Alves de Fraga

Há muito que não acredito na bondade desse tipo de distinções.
Recebi algumas medalhas, Felizmente, muito poucas. E nunca as usei, mesmo quando era obrigatório.
Curiosamente, ninguém deu por isso...

De Sérgio Miguel a 19.01.2010 às 19:03

Pois é! Em Portugal já pouco interessa o que se fez/faz apenas é importante o cargo que se ocupou/ocupa... Por isso é que temos o País neste lindo estado.

De Sérgio Miguel a 19.01.2010 às 19:12

Esqueci-me!!!

"Fins:

A Ordem de Cristo pode ser concedida por destacados serviços prestados ao País no exercício das funções dos cargos que exprimam a actividade dos órgãos de soberania ou na Administração Pública, em geral, e na magistratura e diplomacia, em particular, e que mereçam ser especialmente distinguidos."

De Zéfoz a 21.01.2010 às 22:45

Sr. Coronel Alves de Fraga,
Excelente texto que irei publicar no meu blogue com a devida vénia.
Melhores cumprimentos

De Jmonteiro a 25.01.2010 às 20:44

Uma vez condecorado o intrépido Barroso, vale tudo.
Ou este traste:
Na política, foi militante do Partido Social-Democrata, tendo sido presidente da Comissão Política Distrital do PSD/Porto. Assumiu um papel activo quando em 1993 aceitou ser candidato à Presidência da Câmara Municipal de Gondomar, vencendo as eleições desse ano, e as de 1997 e 2001. Após ser desfiliado do PSD por ser acusado de práticas ilícitas enquanto autarca, venceu novamente as eleições de 2005, com a lista independente «Gondomar no Coração», que alcançou 57,5% dos votos.
Foi ainda Presidente da Junta Metropolitana do Porto, entre 2001 e 2005 e Presidente do Conselho de Administração da Empresa Metro do Porto, S.A.
Em Julho de 2008 foi sentenciado a 3 anos de prisão suspensa, no âmbito do processo judicial conhecido como Apito Dourado.
Foi recentemente condecorado com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, motivos que alegam os seus "serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, pelos serviços de expansão da cultura portuguesa, sua história e seus valores". Um gesto subjectivo da parte de alguns, tendo em conta o historial negro do indivíduo.
(In Wikipédia)

De CãoPincha a 29.01.2010 às 00:57

Quando se come da mesma gamela não há que discutir ou duvidar do comparsa. Não sabia?

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