Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Quinta-feira, 08.12.05

Soldados apolíticos ou apartidários?

É uma verdade insofismável o dizer-se que o homem é um ser eminentemente social e sociável. Esta condição impõe-lhe a de ser, em concomitância, político visto a vida em sociedade não dispensar a política como meio de organizar a convivência. No entanto, um dos modos de a conseguir ordenar é, partindo da execução da política como desejo de intervenção dos cidadãos na res publica, caminhar para a democracia, podendo esta ser entendida não no sentido amplo, mas no restrito onde todos participam enquadrados ou sugestionados por engrenagens sociais às quais resolvemos chamar partidos.


De uma forma simples dir-se-á, então, que o Homem é um ser político, podendo ou não ser partidário (isto é, aceita ou não integrar um partido, ou, aceita ou não seguir as sugestões da organização da sociedade segundo a perspectiva de um certo partido). Na prática, quando se apela ao sentido de cidadania de cada um de nós, está-se a pedir que se seja político para que se viva dentro e em consonância com os valores gerais da polis (cidade). Os partidos separam e a política une. Se se preferir, os partidos separam a política.


Ao Soldado cabe defender a polis dos seus inimigos exteriores e, em casos excepcionais, dos internos. Querer que os Soldados profissionais não sejam políticos é uma impossibilidade absoluta, porque só pode servir a polis quem tenha verdadeira consciência da sociedade e de quais os valores comuns a defender. Dotar a polis de uma força armada onde a cada Soldado é dada a liberdade de escolher a facção partidária com a qual mais se identifica é condená-la ao caos, à guerra civil, à desordem e à perda de soberania. O Soldado pode, como qualquer cidadão, simpatizar mais com este partido do que com aquele outro; pode e deve fazer a sua escolha enquanto membro da polis, mas como Soldado terá de possuir uma consciência superior, levando-o a desdobrar-se numa dupla personalidade, distinguindo a sua obrigação para com os concidadãos e a sua opção individual. O Soldado não pode ser apolítico embora exteriormente tenha de ser apartidário. É nisto que também reside a grandeza e a nobreza de se ser Soldado. Esta é, também, uma das componentes da condição militar!


Se o Soldado souber ser íntegro na sua postura então é, de certeza absoluta, superior aos seus concidadãos, porque possui as mesmas virtudes mais a de anular a sua vontade para cumprir a demokratía grega.


A polis não deve honrar só os seus heróis quando, vivendo o perigo de se perder, eles se sacrificam por ela. Não! A polis tem de render sempre profundo tributo a quem sacrifica diariamente os seus interesses e as suas escolhas pessoais às escolhas da colectividade. É legítima a revolta dos Soldados contra aquele que sendo partidário, governa a polis não percebendo este apurado sentido de Serviço, pois governar sem ter em conta o sacrifício de quem é grande, por se ter libertado dos valores mesquinhos, não merece sentar-se nas cadeiras do Poder.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 22:54


2 comentários

De Anónimo a 09.12.2005 às 17:22

Afinal os politicos, quando na oposição, sabem dos problemas da "tropa". É pena que quando no governo sejam atacados de amnésia...

http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=620444&div_id=291 (http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=620444&div_id=291)Carlos Serra
</a>
(mailto:)

De Anónimo a 08.12.2005 às 23:54

"O Soldado não pode ser apolítico embora exteriormente tenha de ser apartidário. É nisto que também reside a grandeza e a nobreza de se ser Soldado. Esta é, também, uma das componentes da condição militar!" (...)"Querer que os Soldados profissionais não sejam políticos é uma impossibilidade absoluta, porque só pode servir a polis quem tenha verdadeira consciência da sociedade e de quais os valores comuns a defender." (...)" É legítima a revolta dos Soldados contra aquele que sendo partidário, governa a polis não percebendo este apurado sentido de Serviço"
Tão profundo que só me merece um comentário;
10, numa escala de 9! É a melhor defesa que poderia imaginar como antecipação a um cobarde ataque ou futuras represálias. É a grande definição em verbo, das mais puras posturas em acto.Uma vez mais, parabéns!Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Dezembro 2005

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031