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Fio de Prumo



Quarta-feira, 19.08.09

O jogo dos tontos ou dos desonestos

 

 
Imagine o leitor paciente que era patrão de um seu empregado e contratava com ele o seguinte: — Pago-te mil euros por mês e forneço-te as duas principais refeições diárias pelas quais terás de me liquidar a importância de 300 euros.
Bem vistas as coisas, o leitor pagaria ao seu empregado a quantia de 700 euros líquidos, se não houvesse lugar a mais nenhum desconto, e assumia a obrigação de o alimentar ao almoço e ao jantar.
 
Olhado com olhos críticos, este contrato é absolutamente tonto, pois poderia resumir-se à fórmula: pagamento de 700 euros mensais com almoço e jantar por conta do patrão! Era mais simples, mais transparente e contabilisticamente mais correcto, porque se percebia que o pagamento era feito em metal sonante e em géneros.
 
Continuemos com o exemplo e, sem procurar ofender o leitor, admitamos que os seus intentos são menos sérios — isto na seriedade não há menos nem mais… ou há ou não há!
Suponhamos, então, que, no próximo ano, o leitor faz um novo contrato com o seu empregado e, em função do aumento dos géneros alimentícios, lhe propõe: — Pago-te os mesmos mil euros por mês, mas como aumentou o preço da batata, da carne e do peixe, terás de me pagar as refeições já não a 5 euros, mas a 6; quer dizer, no final do mês entregas-me 360 euros.
 
Olhando novamente com olhos críticos este novo contrato ele pode resumir-se à fórmula: pagamento de 640 euros mensais com almoço e jantar por conta do patrão.
 
No primeiro exemplo que dei a forma de contratar é própria de um tonto a não ser que tenha em vista passar à segunda e, nesse caso, é própria de um desonesto.
 
Estará, neste momento, o leitor a pensar: — Mas o que é que ele quer?
Pois bem, eu somente quero demonstrar que o Estado é desonesto na actuação para com os seus funcionários!
Substitua o leitor, nos exemplos dados, o preço das refeições por IRS e diga lá se não tenho razão?!
Que lógica tem um funcionário do Estado pagar IRS? É estar a entregar ao Estado um valor que o Estado lhe entregou previamente!... A não ser que o Estado não seja pessoa de bem e aumente o valor do imposto à custa da redução do pagamento do trabalho do funcionário. E isto é muito menos lógico e menos compreensível se o funcionário já for só um reformado!
 
Durante o Estado Novo e posteriormente até às vésperas do ingresso na CEE os funcionários do Estado não estavam sujeitos a pagamento de imposto sobre rendimentos que auferissem exclusivamente do Estado. Nem Salazar — que fez algumas “habilidades” contabilísticas para disfarçar os saldos deficitários do Orçamento Geral do Estado — se lembrou de uma artimanha desta natureza!
 
Pode, agora, o leitor ver, com alguma perspicácia e imaginação, como facilmente se resolveria o problema salarial de várias classes e tipos de funcionários do Estado…
É preciso aumentar os escriturários; baixa-se-lhes o IRS em dois pontos percentuais, por exemplo; é necessário aumentar um certo escalão de reformados; baixa-se-lhes o IRS. Quer dizer, o Estado não estava a aumentar os rendimentos… Estava era a ser “mais” honesto!
Tudo se poderia processar desta maneira até que se acabasse com o IRS para os servidores do Estado e para rendimentos exclusivos da actividade laboral para ele.
 
Agora tudo parece simples, porque a honestidade é, também ela, simples e a desonestidade, pelo contrário, surge envolta em complicados raciocínios e obtusas explicações.

 

 

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por Luís Alves de Fraga às 21:09


3 comentários

De Sérgio a 21.08.2009 às 23:31

Sendo o Estado uma máquina essencialmente despesista e que pouca receita gera, actualmente, o sector privado é tão bom que até paga para "nós" Funcionários Públicos descontarmos IRS...

De CãoPincha a 26.08.2009 às 00:17

Gostamos imenso deste post pelo qual passámos logo depois de escrever o nosso sobre as prescrições de José Veiga, o atropelamento por Pinto da Costa e o terrorismo heróico de al-Megrahi.
Bonito mundo em que vivemos!

De Sérgio a 13.09.2009 às 17:45

Desonestos e, acrescento, mentirosos TODOS ELES! É apropriado nesta época de borbulhar "político" lembrar os mais esquecidos que o PS e o Sr. José Sócrates, ao contrário do que continua a afirmar, desconhecia o défice das contas públicas em 2005. Pura mentira, e continuam a mentir! Das duas uma: ou tem memória que após uma noite de sono se vai... ou então são desonestos e mentirosos. E não, não falo sem provas... para que todos os caros leitores deste Grande blog possam ver com os próprios olhos no vosso monitor aqui deixo o extracto da intervenção do Sr. Jaime Gama no Parlamento em 18-11-2004, para corroborar o que acabo de escrever. "...O Orador: - Considerando as necessidades globais de financiamento do Estado do sector público administrativo, das empresas públicas deficitárias, dos hospitais SA e de outros, o défice anual já é superior a 6%. Ora, isto coloca um conjunto de problemas a prazo, exigindo soluções, igualmente a prazo, que não se vislumbram, minimamente, nas propostas do Governo." Ora sabia o Sr. Jaime Gama e sabia o Sr. José Sócrates, que até se ria durante esta intervenção, que o défice era superior a 6%? Posto isto, e tantas outras coisas que se passam neste mundo maravilhoso dos políticos, fico desde já mais convencido que continuamos a escavar o fundo do poço onde nos encontramos. Caso gostem deste tipo de literatura o diário é o n.º 18 da 9ª Legislatura 3ª Sessão Legislativa. O extracto está na pág. 1002 e 1003.

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