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Fio de Prumo



Segunda-feira, 17.08.09

Capitalistas, precisa-se

 

 
Bom, Portugal vive, em simultâneo, duas crises económicas e financeiras: a internacional e a nacional.
Esta afirmação está mais do que esgotada… Toda a gente sabe isto! O problema coloca-se quando se procuram soluções para a crise nacional, porque da internacional não somos nós quem trata. E a crise nacional também não é uma consequência da internacional! Desiluda-se quem assim pensar, porque está a simplificar o que é de difícil solução.
 
Não vai ser o Estado a resolver a crise nacional! Pode ajudar, mas não resolve.
A crise nacional resolve-se com investimento financeiro… Mas não só!
Vão ser precisos capitalistas para investir em Portugal. Não podem ser os Portugueses — financeiramente exauridos — a investir, através do Estado, numa máquina de gerar empregos… Empregos de incompetentes e “afilhados” dos políticos no “poleiro”.
Mas o capital a investir não pode ser estrangeiro ou que espere ser pago no estrangeiro. O capital tem de ser português para que os lucros fiquem em Portugal, alimentando a máquina fiscal portuguesa.
Não se choquem os mais ortodoxos! Até Lenine, em plena revolução soviética, preconizou o desenvolvimento capitalista na Rússia! É bom não esquecer!
 
A ausência de uma estrutura económica forte aquando da adesão à CEE desmantelou, por completo, as defesas da fraca economia nacional herdada do Estado Novo. Quer dizer, no momento, estamos quase completamente dependentes da economia da UE. Assim, a fragilidade é total.
Para vencer esta anormal distorção teremos de, embora dentro da UE, reconstruir um capitalismo proteccionista capaz de importar pouco, exportar muito e produzir para consumo interno. Assim, olhando simplificadamente para Portugal, voltámos a 1925 ou 1926, isto é, estamos em condições de aceitar como boa solução uma ditadura financeira que, endireitando as finanças do Estado — à custa de todos os atropelos que possamos imaginar — acabe com os compadrios, com a corrupção, com os gastos desnecessários, imponha a produção precisa, limite as importações e obrigue à exportação, através da prática de uma política salarial de fome, de leis laborais que constranjam à produtividade, de regras que extingam a burocracia e de uma Justiça célere, pelo menos, no que toca à actividade económica.
 
Pode parecer escandaloso o que acabo de dizer, mas é o programa simples da boa “dona de casa” que tem um magro salário para enfrentar a sobrevivência de uma família numerosa, ociosa, gastadora e contestatária.
 
Foi a esta situação que nos conduziram os dez anos de cavaquismo e os que se seguiram de socialismo irresponsável. A boceta europeia que despejou milhões sem impor regras — julgando que tratava com gente habituada à planificação e ao projecto — cavou-nos a sepultura.
 
Não julguem os Portugueses que quando Medina Carreira fala dos anos que antecederam e justificaram a Ditadura não está a pensar num programa rigorosíssimo de medidas que invertam o rumo comportamental dos Portugueses. Não julguem isso! Quando ele chama a atenção para o encargo da dívida pública daqui a dez anos está a dizer — sem o dizer — que Portugal caminha a passos largos para uma bancarrota.
 
Pessoalmente não me sentiria bem com a minha consciência se não escrevesse o que escrevi. Não me julguem os leitores um “Velho do Restelo”, nem um reaccionário, nem um neo-fascista, porque o não sou, daí o meu apelo à necessidade de haver capitalistas que, depois da crise internacional resolvida, invistam em Portugal. Precisamos de investimento financeiro para gerar riqueza passível de ser distribuída pelo Povo.

 

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por Luís Alves de Fraga às 09:50


10 comentários

De NN a 17.08.2009 às 12:27

Portugal precisa é que os empresarios portugueses tenham visão,sentido patriotico e invistam.O grande mal está na nossa classe empresarial.Temos um mar á nossa frente,um mercado de peixe por exemplo que dá margens de lucro de 120% já tudo pago e ninguem se mexe.Concordo com o que diz mais uma vez Coronel.

De Fernando Vouga a 18.08.2009 às 22:01

Pois é, meu caro Alves de Fraga. Uma coisa é a teoria, outra é a prática. As coisas são como são e não como deveriam ser. Melhor dizendo, deveriam ser como nós gostaríamos que fossem... Mas há que ser honesto, qualidade que vai escasseando cada vez mais.
Por isso, admiro a sua frontalidade. Uma verdadeira lição de pragatismo e bon senso!

Um grande abraço.

De mugabe a 19.08.2009 às 01:32

Senhor Coronel, leio sempre com muito interesse os seus escritos e pensamentos. Contudo não concordo com o que preconiza. Para mim o que faz falta é uma mudança de política, começando pela nacionalização dos bens de produção, Bancos e Seguros e a consequente saída da UE.

Cumptos.

De E BRUNO a 19.08.2009 às 13:57

Meu caro Doutor:
É com enorme prazer que continuo atento à sua produção intelectual. Apraz-me constatar a elevada qualidade quer teórica quer cívica das suas reflexões que certamente deixam corados de vergonha os "distintos" catedráticos e analistas de bancada da nossa praça. Enfim parece que a 3ª. República em que a nossa geração, causticada pelo pequeno fascismo de Santa Comba depositou um elevado capital de esperança está cada vez mais moribunda à espera de um qualquer Dom Sebastião... Mas os abecerragens do novo regímen e os seus filhos, sobrinhos e afilhados trataram de lhe cavar a sepultura , em proveito próprio.
Bem haja pelo seu esforço e continue
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Meu caro Doutor: <BR>É com enorme prazer que continuo atento à sua produção intelectual. Apraz-me constatar a elevada qualidade quer teórica quer cívica das suas reflexões que certamente deixam corados de vergonha os "distintos" catedráticos e analistas de bancada da nossa praça. Enfim parece que a 3ª. República em que a nossa geração, causticada pelo pequeno fascismo de Santa Comba depositou um elevado capital de esperança está cada vez mais moribunda à espera de um qualquer Dom Sebastião... Mas os abecerragens do novo regímen e os seus filhos, sobrinhos e afilhados trataram de lhe cavar a sepultura , em proveito próprio. <BR>Bem haja pelo seu esforço e continue <BR class=incorrect name="incorrect" <a>EBRUNO</A> <BR>

De João Peneda a 20.08.2009 às 16:01

Tenho uma fábrica de sapatos em V. Nova de Gaia.
Acho muito bem que o sr. major tenha proposto salários de fome, comendo pouco os proletas trabalham melhor, não lhes dá tanto o sono.
Ao mesmo tempo sobrava-me mais dinheiro para o meu hobby de coleccionador de automóveis.

De Vilhão Burro a 23.08.2009 às 19:34

Senhor Coronel

Tem graça que, há alguns dias, conversei, com o meu melhor Amigo e Compadre, sobre este tema.
Até parece que adivinhava o que lhe vai no pensamento e defendia as medidas que subjazem ao seu escrito.
Confesso que estou assustado!
Há anos que me andam a apertar o cinto, que, já não tem furos disponíveis. Daqui para a frente, com mais um aperto, corro o risco de ser garrotado ...pela cintura.
E, no entanto, para todos os que gravitam à roda do Orçamento, a vida nunca esteve tão boa!
Alimentam uma máquina burocrática tão intrincada que lhes proporciona toda uma sorte de proventos de muito difícil e honesta explicação.
Medina Carreira é capaz de ter razão quando os classifica de gatunos.
Mas a gente vota neles, não vota?!

De Desmancha-prazeres a 24.08.2009 às 21:55

Sr. Vilhão (alegadamente) Burro

Claro que a gente vota neles, em nome de uma (também alegada) estabilidade (a deles) e do medo atávico de outras alternativas (sérias) que possam ser conotadas com o anticomunismo primário da catequese salazarista.
Como o senhor saberá, a cultura cívica e a mentalidade de um povo, não são coisas que se adquiram ou se transformem de um dia para o outro.
Levam dezenas ou centenas de anos, e,nesse ínterim, floresce o reino dos desonestos aproveitadores.
Neste contexto não é de admirar que se dê por adquirido que a dúvida (em regime pseudo-democrático) resida no próximo vencedor das próximas eleições legislativas: se o PS, se o PSD, isto é, mais da mesma e tácita tramóia de repartição de grandes e acordados tachos.
Sem ofensa, pergunto-me se o senhor e o seu compadre não irão votar num deles?!

De Vilhão Burro a 25.08.2009 às 01:31

Sr. Desmancha -prazeres

Também sem ofensa, não devo responder a uma pergunta que o senhor faz a si próprio e não a mim ou ao meu compadre.
No entanto a minha limitada clarividência (leia-se, burrice) empurra-me para a análise dos programas das forças partidárias na, até aqui, vã esperança de, nalgum deles (como diz o meu compadre) vislumbrar uma estratégia que defina um rumo credível para este país.
País que, desde a Epopeia, tem navegado à vista do improviso, ao sabor de um pródigo e inconsequente imediatismo, sem rigor nem futuro.
País que dispondo de condições geográficas excepcionais, e de um património histórico invejável, os maltrata e malbarata com a mais irresponsável e criminosa ligeireza.
Estabeleça-se a comparação com todos os outros países europeus de dimensão semelhante ao nosso; e a conclusão mais óbvia a retirar só pode ser uma:
os burros europeus são diferentes dos burros portugueses.

De CãoPincha a 27.08.2009 às 00:37

Concordamos plenamente com as ideias expostas mas estamos com sério receio de que a maioria não leve isso em conta e que se deixe enganar com a côdea que vai roendo para matar a fome, molhada no «tintol » que amolece as vontades.
Necessitamos de uma «revolução», não de capitães a serem ultrapassados pelos milicianos das guerras do Ultramar, mas de «mentalidades» e acções de participação democrática de todos os cidadãos devidamente esclarecidos.
Para isso, a instrução e a educação parecem-nos ser muito importantes.

De Pica-Miolos II a 27.08.2009 às 16:22

Sr. CãoPincha
Para o Centrão, a Instrução e a Educação, são tão importantes que, a partir de agora, vamos passar a ter uma multidão de "analfabrutos" encartados com o 12º ano...obrigatório.
E viva a estatística!!!

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