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Fio de Prumo



Segunda-feira, 22.06.09

A República há noventa e quatro anos

 

 
Ando a fazer um trabalho de pesquisa sobre a figura de um oficial do Exército, que foi, na 1.ª República, deputado e ministro da Guerra. Republicano desde a juventude, depois de 1910, fez-se adepto do Partido Republicano Português o qual, em 1915, era já só chefiado pelo Professor Doutor Afonso Costa.
Nas minhas buscas documentais encontrei um ofício datado de Junho de 1915, por conseguinte, com noventa e quatro anos, dirigido ao meu biografado, e tendo origem no Directório do Partido Republicano Português. O seu teor é de tal forma elucidativo que não fui capaz de deixar de o reproduzir aqui para deleite dos meus leitores, podendo estabelecer comparações que, acho, são justas e indispensáveis.
Aqui vai a transcrição com ligeiras correcções quanto à ortografia, porque a actualizei.
 
Lisboa, 5 de Junho de 1915
Ilustre Cidadão
 
O Directório do Partido Republicano Português tem a honra de vos participar que está sancionada a vossa candidatura como Deputado pelo círculo de Chaves.
Aproveita o ensejo para chamar a vossa atenção sobre as enormes despesas que o cofre do Partido tem de suportar com a propaganda eleitoral. Actualmente não se encontra o cofre em situação desafogada que lhe permita fazer face às referidas despesas.
Por este motivo entendeu o Directório que se tornava necessário recorrer ao auxílio dos correligionários e mais especialmente aos candidatos a senadores e deputados, visto aquelas despesas lhes aproveitarem directamente. Assim, resolveu em sua sessão de 5 de Abril que cada candidato entrasse para os fundos do Directório com a quantia mínima de VINTE ESCUDOS (20$00) por uma só vez.
Desde já o Directório se considera muito reconhecido, solicitando-vos a remessa urgente da quantia votada.
Com a mais alta consideração, desejamos-vos
Saúde e Fraternidade
Pelo Directório
O Secretário
Ass.) Luís Filipe da Mata
 
Serão necessárias mais palavras?
Sendo, cabe-vos fazer os vossos comentários.

 

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por Luís Alves de Fraga às 16:53


2 comentários

De Vilhão Burro a 24.06.2009 às 09:38

Senhor Coronel

Isso era antigamente !
Agora, o que está a dar, é a comezaina à mesa do orçamento.

De Zéfoz a 24.06.2009 às 20:18

Procedimento idêntico teve um ilustre figueirense, Manuel Fernandes Tomás, Patriarca da Liberdade. Foi para a política pobre e pobre morreu; diz-se mesmo que à fome.
Não andaremos muito longe da verdade se dissermos que os políticos de hoje têm um pensamento diametralmente posto: à fome que morram os outros!...

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