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Fio de Prumo



Sábado, 11.04.09

Para não esquecer...

 

 
Ouvi num dos telejornais de ontem o coronel Jaime Neves dizer qualquer coisa como isto:
— A descolonização não precisava de ser feita como foi. Se não se conseguia aguentar a Guiné, entregava-se a Guiné, mas ficavam Angola e Moçambique… Há meses que não se disparava um tiro em Angola!
 
Se a frase não é textual anda muito próximo do que o coronel Jaime Neves disse e, de certeza, o sentido é o que nela está plasmado.
 
Não fiquei plasmado! Fiquei pasmado!
Pasmado, porque há muitos anos que não ouvia da boca de um militar, dito de Abril, uma frase tão contrária ao espírito do 25 de Abril e, até, do programa do MFA que, ao propugnar uma solução pacífica do problema ultramarino apontava, necessariamente, no mínimo, para a autodeterminação das colónias e, no máximo, como não podia deixar de ser, para a descolonização.
 
Julgo que se a promoção a oficial general das Forças Armadas se fizesse mediante provas públicas, nada mais seria necessário para classificar com a nota respectiva o coronel Jaime Neves!
Tirem-se conclusões!

 

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por Luís Alves de Fraga às 15:07


34 comentários

De LUIS PARREIRA a 21.04.2009 às 08:39

Caro Desmancha Prazeres não pretendo fazer uma análise da situação geradora do 25 de Novembro, dos muitos acontecimentos recordo com forte e impressiva memória: o cerco da Assembleia da República e os deputados do P.C.P . a atirarem os ossos do seu jantar aos restantes membros; a manifestação da Alameda, de iniciativa do P. S. e em que os partidos democráticos participaram vindos de todo o País e em especial do Porto, vencendo as barreiras colocadas na auto-estrada pelas tropas do RALIS; a greve do Governo; o discurso do General Vasco Gonçalves em Almada; a entrevista do Dr. Álvaro Cunhal à jornalista Oriana Fallaci, em Maio de 1975... "jamais haverá democracia parlamentar"... "viverão bem pouco os que não chegarem a ver a implantação do socialismo (tipo soviético) em Portugal"...; declarações de militares, pseudo-militares, revolucionários e contra-revolucionários. Enfim... tudo foi posto em causa... até o poeta Luís Vaz de Camões!!! sei do que falo, pois estava na Base de Cortegaça. A guerra civil esteve por um fio. Circunstâncias diversas a terão evitado. Importante é considerar, neste ponto, a inteira disponibilidade operacional das três Regiões Militares (Norte, Centro e Sul) e das principais unidades da Região Militar de Lisboa (é justo mencionar, entre estas, a dos Comandos, a EPI, a EPC e o CIACC). Importante é, também, sublinhar o patriotismo e a capacidade de comando do Coronel Jaime Neves, que soube travar, em circunstâncias dificílimas, o ímpeto combativo dos seus homens, de modo a minimizar as perdas humanas nos confrontos da Calçada da Ajuda.
Contudo procurou-se, logo a seguir, que o 25 de Novembro fosse o ponto de partida para a recuperação de promessas feitas originalmente pelo MFA, considerando, naturalmente, o diferente quadro, sobretudo social e político, então existente. Assim, logo a 26 de Novembro, a intervenção televisiva de Melo Antunes não só diz não às "sugestões" de dissoluções partidárias, nomeadamente do PCP, como mostra "que a democracia implica a integração do adversário". Parafraseando Dominique Pouchin, na altura enviado especial do Le Monde, com essa intervenção "se instalou o Estado de Direito em Portugal", simbolicamente, é certo. Não se esqueceu, também, a legitimidade democrática emergente, representada pela Assembleia Constituinte. Assim, o 25 de Novembro, enquanto acto "esclarecedor do actual regime", deixava claro, a todos, incluindo os restauracionistas, que a sorte dos partidos e de outras formações políticas só dependia da decisão livre da Sociedade Civil e que a vida e a acção das outras diferentes organizações da Sociedade Civil só eram dependentes da vontade dos seus participantes e dos ditames da lei. Quanto á promoção por didtinção, diz :"Os Militares de Abril, a serem "lembrados", considerar-se-iam gravemente ofendidos", para quê cultivar diferenças já esbatidas se todos, cada um a seu modo, travaram, sem cálculos egoístas e em espírito de total entrega à missão, o nobre e nobiliante combate pela liberdade? Espero que muito justamente também esses militares de Abril a que se refere sejam distinguidos com a promoção que bem merecem.
LP



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