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Fio de Prumo



Sábado, 11.04.09

Para não esquecer...

 

 
Ouvi num dos telejornais de ontem o coronel Jaime Neves dizer qualquer coisa como isto:
— A descolonização não precisava de ser feita como foi. Se não se conseguia aguentar a Guiné, entregava-se a Guiné, mas ficavam Angola e Moçambique… Há meses que não se disparava um tiro em Angola!
 
Se a frase não é textual anda muito próximo do que o coronel Jaime Neves disse e, de certeza, o sentido é o que nela está plasmado.
 
Não fiquei plasmado! Fiquei pasmado!
Pasmado, porque há muitos anos que não ouvia da boca de um militar, dito de Abril, uma frase tão contrária ao espírito do 25 de Abril e, até, do programa do MFA que, ao propugnar uma solução pacífica do problema ultramarino apontava, necessariamente, no mínimo, para a autodeterminação das colónias e, no máximo, como não podia deixar de ser, para a descolonização.
 
Julgo que se a promoção a oficial general das Forças Armadas se fizesse mediante provas públicas, nada mais seria necessário para classificar com a nota respectiva o coronel Jaime Neves!
Tirem-se conclusões!

 

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por Luís Alves de Fraga às 15:07


34 comentários

De Vilhão Burro a 21.04.2009 às 02:31

Sr. Parreira

"..., mas Abril sem Novembro seria Outubro..."

Não,meu caro senhor, não seria Outubro !
Essa tem sido a falácia - para consumo interno -deturpadora da entente geo-estratégica dos, então, dois grandes blocos.
É espantoso como a ignorância dessa realidade ainda produz dividendos!!!

Por um lado, o de Spínola, consistiria na tentativa de lançar às malvas a Liberdade, sob a capa de uma "democracia" consentida nos estreitos limites da sua imensa vaidade megalómana.

As forças democráticas não lho consentiriam, como não consentiram.

Do outro lado, todo um rol de inconsequentes grupos e grupelhos esquerdistas, tendencialmente vocacionados para uma albanização, igualmente cerceadora da Liberdade Democrática.

As forças democráticas, também não lho consentiram.

Em Novembro, ambos os lados, saíram derrotados dessas suas estultas aspirações.

O que é preciso, por mero exercício de honestidade intelectual, é não confundir os actores dessa Ópera Bufa.

Infelizmente, a Generosidade Democrática ( a sua intrínseca fragilidade), de então a esta parte, foi permitindo a gradual degradação dos ideais de Abril.

Os responsáveis, provenientes, de um e de outro, dos referidos lados, deitando as garras de fora ou virando, desavergonhadamente, a casaca, aí estão,principescamente instalados nos costados de um povo manipulado, cada vez mais miserável e defraudado.

E essa é a visível e palpável herança de um Novembro que, actual e perversamente, se empenha em destruir Abril.

Será que os poderosos e, designadamente, o novel General, desconhecem esta realidade?!
Pois, pois...



De LUIS PARREIRA a 21.04.2009 às 11:00

Caro Vilhão Burro, seria ocioso estar a repetir-me, a resposta está no meu comentário de 21 de Abril, quando cito o dr . Álvaro Cunhal., será que se revê naquelas frases?

De Vilhão Burro a 21.04.2009 às 20:27

Senhor Parreira

Não, não me revejo nessas declarações, que, apesar de tudo, enquadro num discurso de afirmação política.
Mas, apesar de ser quem sou, resta-me alguma clarividência para, também, não embarcar nos chavões da contra-informação dos adversários políticos de Cunhal e do seu partido.
Como vê, não sou daqueles que se arvoram em detentores da verdade absoluta.
Ao contrário de outros, tenho dúvidas, muitas dúvidas!
Há coisas, porém, que, de tão evidentes, só a predisposição acéfala aceita sem a mínima objecção.
Os meus cumprimentos.

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