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Fio de Prumo



Sábado, 11.04.09

Para não esquecer...

 

 
Ouvi num dos telejornais de ontem o coronel Jaime Neves dizer qualquer coisa como isto:
— A descolonização não precisava de ser feita como foi. Se não se conseguia aguentar a Guiné, entregava-se a Guiné, mas ficavam Angola e Moçambique… Há meses que não se disparava um tiro em Angola!
 
Se a frase não é textual anda muito próximo do que o coronel Jaime Neves disse e, de certeza, o sentido é o que nela está plasmado.
 
Não fiquei plasmado! Fiquei pasmado!
Pasmado, porque há muitos anos que não ouvia da boca de um militar, dito de Abril, uma frase tão contrária ao espírito do 25 de Abril e, até, do programa do MFA que, ao propugnar uma solução pacífica do problema ultramarino apontava, necessariamente, no mínimo, para a autodeterminação das colónias e, no máximo, como não podia deixar de ser, para a descolonização.
 
Julgo que se a promoção a oficial general das Forças Armadas se fizesse mediante provas públicas, nada mais seria necessário para classificar com a nota respectiva o coronel Jaime Neves!
Tirem-se conclusões!

 

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por Luís Alves de Fraga às 15:07


34 comentários

De mugabe a 19.04.2009 às 17:52

Parreira; mas ele já é General ??? estão a colocar o posto no lixão é ??? se esse analfabeto é general eu quero ser básico com muito orgulho !!!!

De LUIS PARREIRA a 19.04.2009 às 19:08

Caro Mugabe, o ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, já assinou a proposta de promoção a general de Jaime Neves, o Conselho de Chefes do Estado Maior aprovou por unanimidade, a promoção de Jaime Neves a general só necessita agora da concordância do Presidente da República.

De Desmancha - Prazeres a 20.04.2009 às 11:01

Senhor Luís Parreira
Não brinquemos com coisas sérias!
Será que Jaime Neves, por feitos militares, é o único merecedor desta extraordinária e extemporânea promoção?
Se assim não for, o que o distingue dos demais?
Não será a marca, de uma data política, que lhe está associada?
Diz, o senhor, que o Ministro já assinou a "proposta" do Conselho de Chefes de Estado Maior.
Então não havia de aprovar o que, muito provavelmente, terá "sugerido" àqueles seus "mui atentos, obrigados e veneradores" Chefes?!
Sejamos sérios.
Quem pretende enganar quem?!

De LUIS PARREIRA a 20.04.2009 às 17:21

Caro Desmancha Prazeres, certamente que outros militares de Abril merecem a promoção por distinção, e talvez isso venha a contecer, até lá ficaremos, na eterna discussão do que é certo ou errado ou de quem é culpado por algo que foi feito, á 35 anos antes de qualquer julgamento apressado, temos que convir que em todos os casos há mais do que uma versão e para que se possa definir se há culpados, temos que conhecer todos as ângulos do caso. A marca de Novembro está associada a esta promoção, mas Abril sem Novembro seria Outubro....um certo Outubro que o povo português continua a não querer.

De Desmancha - Prazeres a 20.04.2009 às 20:30

Senhor Luís Parreira

Creio que labora numa errada análise política da situação geradora do 25 de Novembro.
Aconselho a leitura atenta do recente post do Autor deste blog.
Quanto ao merecimento de muitos militares de Abril, mão tenho dúvidas.
Muitos deles, como Vasco Lourenço, em defesa da correcta aplicação do programa do MFA, tiveram de envolver-se no saneamento do conflito gerado pela provocação, da ala militar mais retrógrada (Spinolista), na qual, as forças esquerdisto-radicais(como, por exemplo, o MRPP de Durão Barroso) embarcaram irreflectidamente.
Aparentemente, Jaime Neves, estaria no lado certo.
Estaria, mesmo?
Ou será que o seu ideário não andaria longe dos que, frustrada a golpada, tinham fugido à pressa para Espanha?
A interrogação é perfeitamente legítima, tendo em conta as suas recentes declarações acerca da descolonização.
Declarações, essas, que deitam por terra as rectas intenções de quem se pensava ter aderido, sem reservas, ao referido Programa do MFA.
Passados tantos anos, há Militares de Abril que continuam a sê-lo; outros haverá, que, espuriamente, deixaram de o ser, para revelar, agora, a sua opção pelos efeitos mais equívocos e nefastos do 25 de Novembro.
Nesta ordem de ideias, Jaime Neves, merece, por parte deste Governo e das suas Chefias, a promoção ao Generalato.
Os Militares de Abril, a serem "lembrados", considerar-se-iam gravemente ofendidos.
A diferença, é só essa.

De LUIS PARREIRA a 21.04.2009 às 08:39

Caro Desmancha Prazeres não pretendo fazer uma análise da situação geradora do 25 de Novembro, dos muitos acontecimentos recordo com forte e impressiva memória: o cerco da Assembleia da República e os deputados do P.C.P . a atirarem os ossos do seu jantar aos restantes membros; a manifestação da Alameda, de iniciativa do P. S. e em que os partidos democráticos participaram vindos de todo o País e em especial do Porto, vencendo as barreiras colocadas na auto-estrada pelas tropas do RALIS; a greve do Governo; o discurso do General Vasco Gonçalves em Almada; a entrevista do Dr. Álvaro Cunhal à jornalista Oriana Fallaci, em Maio de 1975... "jamais haverá democracia parlamentar"... "viverão bem pouco os que não chegarem a ver a implantação do socialismo (tipo soviético) em Portugal"...; declarações de militares, pseudo-militares, revolucionários e contra-revolucionários. Enfim... tudo foi posto em causa... até o poeta Luís Vaz de Camões!!! sei do que falo, pois estava na Base de Cortegaça. A guerra civil esteve por um fio. Circunstâncias diversas a terão evitado. Importante é considerar, neste ponto, a inteira disponibilidade operacional das três Regiões Militares (Norte, Centro e Sul) e das principais unidades da Região Militar de Lisboa (é justo mencionar, entre estas, a dos Comandos, a EPI, a EPC e o CIACC). Importante é, também, sublinhar o patriotismo e a capacidade de comando do Coronel Jaime Neves, que soube travar, em circunstâncias dificílimas, o ímpeto combativo dos seus homens, de modo a minimizar as perdas humanas nos confrontos da Calçada da Ajuda.
Contudo procurou-se, logo a seguir, que o 25 de Novembro fosse o ponto de partida para a recuperação de promessas feitas originalmente pelo MFA, considerando, naturalmente, o diferente quadro, sobretudo social e político, então existente. Assim, logo a 26 de Novembro, a intervenção televisiva de Melo Antunes não só diz não às "sugestões" de dissoluções partidárias, nomeadamente do PCP, como mostra "que a democracia implica a integração do adversário". Parafraseando Dominique Pouchin, na altura enviado especial do Le Monde, com essa intervenção "se instalou o Estado de Direito em Portugal", simbolicamente, é certo. Não se esqueceu, também, a legitimidade democrática emergente, representada pela Assembleia Constituinte. Assim, o 25 de Novembro, enquanto acto "esclarecedor do actual regime", deixava claro, a todos, incluindo os restauracionistas, que a sorte dos partidos e de outras formações políticas só dependia da decisão livre da Sociedade Civil e que a vida e a acção das outras diferentes organizações da Sociedade Civil só eram dependentes da vontade dos seus participantes e dos ditames da lei. Quanto á promoção por didtinção, diz :"Os Militares de Abril, a serem "lembrados", considerar-se-iam gravemente ofendidos", para quê cultivar diferenças já esbatidas se todos, cada um a seu modo, travaram, sem cálculos egoístas e em espírito de total entrega à missão, o nobre e nobiliante combate pela liberdade? Espero que muito justamente também esses militares de Abril a que se refere sejam distinguidos com a promoção que bem merecem.
LP



De Vilhão Burro a 21.04.2009 às 02:31

Sr. Parreira

"..., mas Abril sem Novembro seria Outubro..."

Não,meu caro senhor, não seria Outubro !
Essa tem sido a falácia - para consumo interno -deturpadora da entente geo-estratégica dos, então, dois grandes blocos.
É espantoso como a ignorância dessa realidade ainda produz dividendos!!!

Por um lado, o de Spínola, consistiria na tentativa de lançar às malvas a Liberdade, sob a capa de uma "democracia" consentida nos estreitos limites da sua imensa vaidade megalómana.

As forças democráticas não lho consentiriam, como não consentiram.

Do outro lado, todo um rol de inconsequentes grupos e grupelhos esquerdistas, tendencialmente vocacionados para uma albanização, igualmente cerceadora da Liberdade Democrática.

As forças democráticas, também não lho consentiram.

Em Novembro, ambos os lados, saíram derrotados dessas suas estultas aspirações.

O que é preciso, por mero exercício de honestidade intelectual, é não confundir os actores dessa Ópera Bufa.

Infelizmente, a Generosidade Democrática ( a sua intrínseca fragilidade), de então a esta parte, foi permitindo a gradual degradação dos ideais de Abril.

Os responsáveis, provenientes, de um e de outro, dos referidos lados, deitando as garras de fora ou virando, desavergonhadamente, a casaca, aí estão,principescamente instalados nos costados de um povo manipulado, cada vez mais miserável e defraudado.

E essa é a visível e palpável herança de um Novembro que, actual e perversamente, se empenha em destruir Abril.

Será que os poderosos e, designadamente, o novel General, desconhecem esta realidade?!
Pois, pois...



De LUIS PARREIRA a 21.04.2009 às 11:00

Caro Vilhão Burro, seria ocioso estar a repetir-me, a resposta está no meu comentário de 21 de Abril, quando cito o dr . Álvaro Cunhal., será que se revê naquelas frases?

De Vilhão Burro a 21.04.2009 às 20:27

Senhor Parreira

Não, não me revejo nessas declarações, que, apesar de tudo, enquadro num discurso de afirmação política.
Mas, apesar de ser quem sou, resta-me alguma clarividência para, também, não embarcar nos chavões da contra-informação dos adversários políticos de Cunhal e do seu partido.
Como vê, não sou daqueles que se arvoram em detentores da verdade absoluta.
Ao contrário de outros, tenho dúvidas, muitas dúvidas!
Há coisas, porém, que, de tão evidentes, só a predisposição acéfala aceita sem a mínima objecção.
Os meus cumprimentos.

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