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Fio de Prumo



Terça-feira, 10.03.09

Uma medida estúpida e ignorante

 

 
A crise financeira e económica está mais do que declarada na Europa e nos EUA. Tal como vários comentaristas nos dizem, ela vinha sendo anunciada há, pelo menos, dois anos, embora os sinais da sua existência se tenham manifestado muito antes.
Ainda ontem, no programa televisivo «Prós e Contras», foi referido que, independentemente da crise global da economia, o nosso país vive em crise desde há sete anos, o que é um facto perceptível por qualquer comum mortal minimamente informado.
O Governo socialista, do qual é primeiro-ministro José Sócrates — cidadão sobre o quem impendem dúvidas muito sérias a respeito de vários assuntos e que a tudo responde afirmando que o mundo está contra ele — começou a sua actuação, vai para quatro anos, obedecendo aos ditames de Bruxelas, impondo a redução do deficit para menos de 3% do PIB. Nesta obcecação pelo deficit ele e António de Oliveira Salazar deram as mãos e até parecem contemporâneos. Só que o velho professor de Coimbra — que foi mais tempo ditador do que mestre! — acabou com os orçamentos deficitários em nome do equilíbrio financeiro português e José Sócrates tentou fazê-lo, porque lhe foi determinado pelo estrangeiro. Ambos não levaram em conta a solução da economia nacional, porque afinal — a crise vem demonstrá-lo — os deficits até podem existir e serem muito grandes se eles estiverem ao serviço da saúde económica. Hoje o Estado injecta dinheiro onde for preciso para — mesmo em casos de gestão danosa — garantir a sobrevivência do poder aquisitivo dos cidadãos, isto é, a capacidade de compra de cada um de nós, pois só deste modo podemos sair da crise. É necessário que o cidadão comum tenha dinheiro na carteira para comprar produtos que garantam que as fábricas continuam a laborar e, assim, garantam, também, que os despedimentos são mínimos e o desemprego estanca ou se reduz.
Ora, o que José Sócrates, através de Luís Amado, mandou fazer aos militares e suas famílias, há três anos, foi exactamente o contrário quando lhes modificou o sistema de assistência na doença. Na verdade, em nome de uma poupança para o Estado, determinou que os militares pagassem mais pela sua assistência sanitária e ficassem mais empobrecidos para o consumo geral. Na altura, fui um dos primeiros oficiais a reagir, enviando a José Sócrates uma carta aberta (pode ser lida, seguindo a ligação). Mandei, também outra a Luís Amado.
 
Modificou-se o sistema de assistência na doença que cada Ramo das Forças Armadas possuía e estabeleceu-se outro que funciona mal e que reduziu o poder de compra dos militares e, muito especialmente, o dos militares reformados. Em face da crise que já então se vivia a medida foi descabida, mas perante a crise actual ela é declaradamente estúpida e demonstrativa de uma clara ignorância do panorama económico mundial e nacional e das evoluções possíveis que se desenhavam no horizonte internacional.
Se o voto é uma medida punitiva, os militares e as suas famílias têm o dever moral de punir severamente o Partido Socialista que foi capaz de gerar estas monstruosidades governativas.

 

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por Luís Alves de Fraga às 19:38


2 comentários

De Fernando Vouga a 11.03.2009 às 22:13

Caro Alves de Fraga

Diz muito bem. Eu cá não vou votar no cidadão Pinto de Sousa nem nos seus sequazes. Está mais que decidido.
Porém, subsiste outro problema: vou votar em quem?

De Pica-Miolos II a 13.03.2009 às 08:11

Senhor Coronel Monteiro Vouga
É, de facto, um dilema !
O "centrão", constituído pelas faces de uma mesma moeda, já só ilude quem é incauto.
Assim, restam duas alternativas: ou à Direita assumida ou à Esquerda não dogmática.
E livre-se o Povo Português de maiorias absolutas !
Lá diz o jargão que se "o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente".

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