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Fio de Prumo



Segunda-feira, 08.12.08

Suplemento da condição militar

 

 
Foi anunciado o aumento do suplemento da condição militar pelo ministro da Defesa, Severiano Teixeira. O anúncio vinha acompanhado de exemplos de valores que passariam a ser abonados a alguns tipos de graduados militares.
 
Segundo parece e de acordo com informação da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) os valores anunciados pelo referido ministro estarão errados. Ele terá indicado valores bem mais altos do que aqueles que se obtiveram fazendo as contas com base nos vencimentos propostos. Quer dizer, e salvo qualquer erro da AOFA, mais uma vez Severiano Teixeira vem à ribalta anunciar o que não é verdade.
 
Esta atitude é altamente maliciosa, pois que dando o ministro valores maiores para o suplemento da condição militar inculca imediatamente uma ideia na mente dos Portugueses que com muita dificuldade poderá ser modificada. Este é o truque mais elementar de qualquer aprendiz de manipulador de opinião pública: lança-se uma mentira para os meios de comunicação social e, depois, face à afirmação da verdade e das rectificações dos lesados, persiste a dúvida nas multidões sobre quem está correcto. Isto tem um nome: má fé.
 
Independentemente deste pormenor que não pode ser considerado despiciendo há um outro que, por causa das voltas que em política os políticos dão, deveria ser devidamente assegurado. Vamos pois, tão sinteticamente quanto possível, explicá-lo.
 
O pagamento dos militares faz-se segundo duas componentes salariais: o valor correspondente ao vencimento do posto e o suplemento da condição militar que lhe é percentual. Quer dizer, um aumento nesta última parcela não dá garantias iguais às de um aumento na primeira, porquanto, qualquer Governo, com quaisquer fundamentos pouco legítimos, mas legalizados pelo exercício do poder, elimina o suplemento da condição militar e tudo se fica pelo valor do vencimento do posto.
É uma hipótese absurda? Quem diria, há seis anos, que o sistema de assistência na doença poderia ser alterado de modo a ficar como ficou? Quando o interlocutor não é pessoa de bem, todos os cuidados são poucos! E, como se tem visto, o Estado Português não se tem comportado, através dos seus agentes governativos, como pessoa de bem!
Os aumentos salariais dos militares devem reflectir-se na parcela correspondente ao vencimento e o suplemento de condição militar poderá ser um valor fixo e igual para todos quantos servem nas fileiras. Assim, a designação estará certa, pois tratar-se-á de um pagamento inerente à condição castrense; nada, no exercício da função militar, diferencia o soldado do general, porque a condição é a mesma. O que estabelece a diferença é o vencimento que cada um aufere pelo tipo de conhecimentos e responsabilidades que lhe são inerentes no exercício de funções distintas.
É no soldo (tipo de pagamento devido aos oficiais) que um coronel tem de voltar a ser equiparado a um juiz ou a um professor catedrático; não é através do suplemento de condição militar!
 
Esta é uma opinião pessoal que expresso dentro da liberdade que me confere a Constituição da República. Não estou a defender nenhuma corrente de pensamento ou qualquer instituição organizada. Falo, como sempre o fiz, por mim!

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 10:42


44 comentários

De Pedro Cardoso a 13.12.2008 às 15:16


Sr. Coronel, mais um escrito da maior lucidêz como é seu natural, e assim nos habituou.
Não vou fazer qualquer comentário, até porque estou de acordo com tudo o que aqui foi escrito por V.Exc.

Mas com sua permissão pesso desculpa, para dar a minha opinião sobre alguns chico espertos que aparecem no blog, e ainda por cima cobardemente com pseudónimos não tendo coragem de se assinarem com o seu próprio nome.
O que mais me custa ainda é ver outros bloguistas dar conversa a gente ignóbil, como o "sr mugabe", que já á muinto tempo se deveria ter sentado no banco do Tribunal Penal Internacional e julgado pelo gnocidio do seu POVO.
Só gostava que o "Sr. Mugabe" bloguista tivesse nome de gente decente, porque a partir daí pode ter as opiniões que quiser.

PS. Agradeço que não perca tempo a responder-me "sr mugabe

UM ABRAÇO

De Anónimo a 13.12.2008 às 17:16

«É no soldo... não é através do suplemento de condição militar!», que devem traduzir-se os rendimentos do trabalho, se bem entendo.
E com toda a razão, meu caro.
E também como diz ainda o Andrade da Silva no último parágrafo, correctíssimo.
Quando se pretendeu aproximar o «suplemento de salto pára-quedista» ao dos pilotos, ali por 1987/88, foram pedidas através do EMFA, informações a vários países europeus relativamente aos páras.
Que se passa ali?
Profissionais a receberem um suplemento reduzido, mais simbólico do que outra coisa, bastante mais reduzido do que o que era à época recebido em Portugal.
Quando o oficial de pessoal apresentou um projecto para aproximar o SSP dos sargentos ao dos oficiais, foi-lhe transmitido que o ignorasse e que considerasse um aumento geral e substancial, para todos, mantendo as disparidades existentes.
Claro que chegado a Alfragide, foi estagiar para uma gaveta.
E de suplemento em suplemento, nos vamos enganando uns aos outros, já que parece ninguém estar minimamente interessado e resolver seja o que for. Com um módico de honestidade intelectual, que parece há muito arredado pelo sítio - necessário, possível e razoável, seria pedir muito?
BMonteiro

De Sérgio Miguel a 17.12.2008 às 20:26

E enquanto nos distraem...
extracto do RDM submetido para aprovação...

"d) Não tomar parte em manifestações colectivas atentatórias da disciplina, entendendo-se como tais as que ponham em risco a coesão e disciplina das Forças Armadas, nem promover ou autorizar iguais manifestações;
e) Não se servir, sem para isso estar autorizado, dos meios de comunicação social ou de outros meios de difusão para tratar assunto de serviço ou para responder a apreciações feitas a serviço de que esteja incumbido, caso em que deve participar o sucedido às autoridades competentes;
f) Informar previamente o superior hierárquico quando apresente queixa contra este.
"...

e continua...

De Paulo Contreiras a 20.12.2008 às 22:46

Caro Camarada e Amigo Coronel Alves de Fraga

Mais uma vez a sua pena talha a direito, assumindo uma posição nada confortável, e nada popular nos dias que correm. Talvez seja por isso que já existe quem se dê ao trabalho de tentar manchar a finura da sua escrita, criando mau ambiente e afastando o leitor menos prevenido.
Entrar nesse tipo de disputa, na minha modesta opinião, é fazer o jogo do adversário, lembra-me aquele velho adágio: "nunca discutas com um imbecil, ele arrasta-te ao seu nível, e vence-te por experiência".
Contudo, meu caro amigo, ainda bem que (e obviamente também assim o pensa) se deu o 25 de Abril, para permitir que mesmo os imbecis tenham espaço para se exprimirem. Sem abusar...

O Sr. Ministro da Defesa tem sido pródigo em desinformações, informações e contra-informações. Os ante-ante-projectos que aparecem de várias formas, feitios e maneiras também ajudam a confundir a Família Militar, a censura de Imprensa e manipulação da Opinião Pública, os comentadores/comissionistas a metro insurgindo-se e vendo cabalas em qualquer movimento que conteste o Governo, enfim... o novelo é tão espesso e enredado que tenho uma dificuldade séria em sentir qualquer tipo de espírito Natalício.
Não quero , contudo, deixar de manifestar a minha inteira solidariedade com todos aqueles que, contra ventos e marés, fazem parte da Família Militar com abnegação e Orgulho e dispor-me a continuar a lutar por um melhor 2009, 2010, etc.

Um forte Abraço

Paulo Contreiras

De Hugo chavez a 02.01.2009 às 18:15

ei Mugabe porque não te calas?????


Hugo Chávez

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