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Fio de Prumo



Segunda-feira, 03.11.08

O aviso do general

 

 
Causou um certo rebuliço o artigo publicado no jornal Público de há dias pelo general Loureiro dos Santos. Ele é uma figura pública com nome firmado nos órgãos de comunicação social nacionais. Se dá uma opinião qualquer supõe-se que esteja devidamente fundamentada. E estará, certamente, graças aos círculos sociais por si frequentados e às conversas por ele mantidas. Como diria Eça de Queirós, o general Loureiro dos Santos «bebe do fino».
 
Eu sou um quase anónimo coronel que se refugia no seu gabinete de trabalho onde leio os jornais, os livros clássicos, a História e me deleito a pensar sobre os assuntos. Não bebo do fino, mas julgo pensar com finura. Essa a razão pela qual há já vários meses eu vinha prevendo e escrevendo neste blog aquilo que o general Loureiro dos Santos acabou por dar a conhecer aos Portugueses nas páginas do Público.
 
A insatisfação ganhou contornos diferentes quando se tomou conhecimento do projecto de Orçamento do Estado e se verificou que, mais uma vez, as Forças Armadas iam ser alvo de fortes cortes financeiros que afectarão todo o funcionamento das unidades militares; não se trata já só da assistência na saúde, nem da progressão nas carreiras, nem do equipamento das tropas, mas da vida corrente. O dia-a-dia vai ser lesado nos seus mais ínfimos pormenores graças ao desprezo orçamental a que se votam as Forças Armadas.
Os militares andam descontentes; tanto os da reforma como os do activo e isso não é um facto recente, mas tornou-se num facto agravado. Juntam-se descontentamentos: os dos militares do activo pelas razões que já disse e os dos militares na reserva e reforma, porque, para além de tudo o mais, sabem que, no próximo ano, as verbas destinadas ao apoio sanitário vão sofrer um corte significativo. Isto quer dizer que José Sócrates Pinto de Sousa e Nuno Severiano Teixeira estão dispostos a deixar cair os militares na pior das condições.
 
Severiano Teixeira foi à televisão desmentir o general Loureiro dos Santos e tornar consigo coniventes os Chefes dos Estados-Maiores. Veio desdizer o que é uma verdade incontornável. As fissuras entre entidades responsáveis estão à vista de todos, restando, contudo, aferir se os Chefes dos Estados-Maiores querem ficar com o odioso da situação, isto é, se admitem estar colados ao ministro e, por conseguinte, ao Governo ou se, pelo contrário, se vão desvincular dessa posição. Todos eles sabem que a tropa os culpa de incapacidade de afirmação poderosa perante o Poder político, independentemente de terem, em tempo oportuno e nos lugares certos, defendido os homens que comandam. No ponto em que a conjuntura chegou as tropas de todos os escalões e de todas as situações o que desejam é ver atitudes que identifiquem as Chefias com o sentimento de descontentamento generalizado. Obediência e disciplina têm limites morais e institucionais que em qualquer altura podem ser rompidos e, se calhar, para bem de todos, podem ser rompidos e devem ser rompidos.
 
Sócrates e Severiano Teixeira estão a brincar com a tropa! E não se trata de um eufemismo, antes pelo contrário. A posição que adoptam leva a que, no meio civil, o respeito pelos militares e pelas Forças Armadas — que já é pouco devido a uma forte campanha de desinformação — baixe para níveis inaceitáveis.
Sócrates e Severiano Teixeira — que de tropa têm (se tiverem) a visão de simples oficiais milicianos, se é que o foram — não podem fazer crer que as reivindicações dos militares se tratam de caprichos de um corporativismo mal compreendido. Não podem, porque, do mesmo modo que os magistrados carecem de estar cercados de condições especiais para o desempenho da sua função, também os militares têm especificidades próprias da sua missão. Uma missão que não tem paralelo com mais nenhuma outra.
 
O desprezo e o achincalhamento das Forças Armadas afectam, em primeiro lugar, o respeito pelo próprio Estado, pois aquelas são o último pilar de sustentação deste. E que não venham militares — absolutamente desesperados com o tratamento a que a instituição castrense está a ser sujeita — proclamar a defesa do fim das Forças Armadas! Isso corresponde à admissão do fim do próprio Estado.
 
O general Loureiro dos Santos teve razão nos avisos que fez e escusa de usar de cautelas linguísticas para atenuar agora o que disse, porque o ministro Severiano Teixeira não tem qualquer rebuço em o considerar «uma fonte sem legitimidade» para falar sobre o bem-estar ou o mal-estar nas fileiras. Quando um ministro assim se refere a um general — que, por acaso até já foi ministro — o respeito deste por aquele deve ser nulo para honrar as estrelas conquistadas com muitos e duros anos de serviço.

 

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por Luís Alves de Fraga às 14:15


34 comentários

De JV a 04.11.2008 às 12:57

É urgente que as Forças Armadas tomem uma posição decisiva e forte, não contra este Governo e este pacote de medidas orçamentais em particular, mas contra a oligarquia que tomou Portugal e a cada dia que passa saqueia a sua riqueza, explora o seu povo, e entrega a nossa soberania ao directório de potentados europeus com sede em Bruxelas. As Forças Armadas e as Forças de Segurança têm por missão defender o Povo e a Pátria, a sua segurança, a sua soberania, e a sua liberdade. No fundo, tudo aquilo que os políticos da Terceira República têm destruído sem pudor desde há muitos anos. A decisão dos militares está entre o colaboracionismo com este «satus quo», que a um tempo fere a instituição militar e a Nação como um todo, ou uma tomada de posição que possa devolver o poder ao Povo. E não pode deixar de escolher.
Pedia, entretanto, que lessem e comentassem o post que fiz a este respeito, e a propósito do colaboracionismo do CEMFA:

http://cl-hammer.blogspot.com/2008/11/o-grande-problema-nacional.html

Cumprimentos a todos os presentes.

De Desmancha-prazeres a 04.11.2008 às 13:42

Senhor Coronel

Quando as FA (detentoras de todo o poder em Abril de 74) permitiram que, mais tarde, as suas Chefias fossem nomeadas, por quem da Condição Militar pouco ou nada sabe, puseram o baraço à volta do próprio pescoço.
A perda de identidade teve aí o deu início.
Paulatinamente, os seus fautores, vão transferindo legítimas competências para a sua Guarda Pretoriana...que não tuge nem nuge.
Cuidado!
Isto digo eu que sou quem sou.

De Mugabe a 04.11.2008 às 20:59


Caro Trancoso,
Lamento desapontá-lo mas não sou um jovem militar.
Estive em Angola na guerra colonial até 74 como alferes miliciano e participei no PREC com muito orgulho.
O senhor fala em democracia, e eu pergunto que democracia é esta....!! uma democracia que gera 2 milhões de desempregados, produz cerca de 70% da população com graves carências de vária ordem para si e seus familiares, incentiva e provoca graves clivagens sociais, subalternizando-se a interesses capitalistas internacionais, criando sem reacção a subjugação e escravização do trabalho, originando o desencanto, a falta de perspectivas e em última análise o suicídio de pessoas de bem que mereciam serem melhor governadas.
O senhor chama-lhe DEMOCRACIA,...eu não, eu chamo-lhe outro nome e estou disposto uma vez mais a juntar-me a quem queira acabar com este estado de coisas.
Cumprimentos e..........cautelas ???

De António José Mendes Dias Trancoso a 06.11.2008 às 02:17

Mugabe
Estou desapontado! E surpreendido!

Pergunto-me como pode, um Militar do 25 de Abril:

- Confundir as situações, anterior e posterior àquela Data ?!
- Sugerir a substituição dos cravos pelo uso, puro e duro, das armas ?!
- Adoptar uma identidade que descredibiliza a mais elementar noção de Liberdade ?!
- Confundir a Democracia com a incauta e deficiente utilização que o lamentável recuo cultural de um Povo dela faz ?!

Afinal - como alguns comentários o referem - quem tem permitido (usando a "arma" do voto) os sucessivos (des)governos ?!
Não diz o ditado popular que "Cada Povo tem o Governo que merece" ?!
Permita-me que lhe peça que canalize a sua disponibilidade e imensa energia para o ensino da legítima "violência democrática", única garantia da não desvirtuação dos seus Princípios e Valores.

Enquanto a Consciente e Livre Cidadania não for prática comum, haverá sempre quem use e abuse do Poder.
Estarei, assim, tão errado?

De Mugabe a 06.11.2008 às 19:52

Caro Trancoso,

Na minha perspectiva, está errado sim !
Lamento que não tenha sido sensível ao que expuz no meu comentário, passou-lhe talvez ao lado, a mim sensibiliza-me muito e pode crer que estarei sempre ao lado dos mais fracos e desfavorecidos, penso que este era o espírito de Abril, pelo menos para alguns !!
Penso que já me defini o suficiente para não subsestirem dúvidas quanto ao meu carácter e filosofia política,.....linear, sem piruetas, nem saltos mortais.

Quanto à sua insistência sobre o meu Nick,....podemos também trocar opiniões e aproveito desde já para lhe dizer que não embarco em eixos do mal Bushianos,..a polìtica neo-colonial do senhor Brown é evidente e está aí clara como água para quem quiser ter olhos de ver,...quando um líder africano não faz a vontade aos senhores das sociedades secretas,...ai Jesus que é um malvado,...ora eu já sou crescidinho para acreditar nessas coisas.

Cump.

De António José Mendes Dias Trancoso a 08.11.2008 às 14:18

Mugabe
Na verdade vai ser muito difícil entendermo-nos.
Não consigo conferir a Mugabe o estatuto de líder, num patamar semelhante ao de Nelson Mandela.
Não fora a Democracia que ainda nos resta, não precisaríamos ir à África profunda para experimentarmos, na sua plenitude, a "liderança" de um Mugabe que o Bokassa da Madeira representa.
Mas o Senhor e os seus rigorosos conceitos lá sabem !
E mais não lhe direi.
Passe bem.

De Mugabe a 08.11.2008 às 18:54


AHAHAHAH gostei da sobranceria da despedida,..é típico ! boa saída à francesa por falta de argumentos !

Uma boa semana também para si !

De António José Mendes Dias Trancoso a 09.11.2008 às 00:07

Mugabe
Quanto a mim, mais uma vez, labora em erro.
A minha despedida nada tem de sobranceria; bem pelo contrário.
Estando certo que prosseguir um debate em que, manifestamente, as concepções em presença são as que são, prosseguir, como dizia, para além de me tornar maçador, o resultado mais não seria que uma pura perda de tempo, água e sabão.
De qualquer forma, evitando traumas, dou -lhe os necessários parabéns. Ganhou.
Eu, "linear, sem piruetas, nem saltos mortais" perfeitamente identificado, continuo perdendo.
Que fazer !?! É a vida...

De José Tavares a 05.11.2008 às 12:50

É evidente que há muito que estes políticos menores perderam o respeito e por que não dizê-lo, o medo das Forças Armadas. E as FA puseram-se a jeito. Desde o Fernando Nogueira que acolitado um actual MGEN afrontou a FA.Não é só agora que este pequeno MDN classifica o Sr. GEN L.Santos de "fonte ilegitima" . Lembram-se dum tal Castro Caldas desconsiderar na TV o CEMGFA Sr. GEN Alvarenga? E os chefes militares em nome de uma disciplina que parece já ninguém acreditar toleram todos os desmandos. No caso deste MDN a situação ainda se torna mais acintosa por ele ser filho de militar embora não conste que tenha passado pelas fileiras. Mas gosta de se mascarar com o fato camuflado quando vai aos TO. Do P:Sousa não há nada a esperar. Tenho mesmo dúvidas se chegou a ser inspeccionado. A desconsideração que a sociedade civil nutre pelas FA é patente mais não seja pelo pormenor de o Sr GEN L.Santos ser entrevistado por uma jornalista subalterna do Público quando com entrevistados menos relevantes merecem a presença do directorr do jornal. É altura de se começar a obrigar esta gente a saber comportar-se e respeitar a instituição Forças Armadas. J.Tavares

De Camoesas a 05.11.2008 às 17:47

Soube-se recentemente, através de arquivos tornados públicos pela administração dos EUA que, a Espanha pensou e informou os EUA (bem como a NATO) que ponderava invadir Portugal a seguir ao 25 de Abril. A seguir à revolução os espanhóis temeram a implantação do comunismo (aquele regime que dá injecções atrás da orelha dos velhinhos e outras barbáries…) em Portugal.
A seguir a uma revolução armada, implanta-se sempre a instabilidade e sempre também, um período de descontrole que por vezes dá lugar à anarquia, os espanhóis temiam isso (e claro também mantinham uma disputa com a NATO no que respeita a bases militares no seu território, mas isso é outra estória) e que se pudesse alastrar ao longo da imensa fronteira.
Facto é que pensarem em nos invadir! Não por serem nossos inimigos ou por invejarem qualquer algo que tenhamos e lhes faça inveja… Atacar-nos-iam para preservar a sua própria segurança e estabilidade. A guerra não surge só e apenas por inimizades ou invejas e alargamento do território.
Não é só por isso que seria impensável uma nova revolução com recurso à força, em Portugal. Muito menos derramando sangue! Não temos (povo português) hábito ou história de carniceiros das nossas próprias gentes, como tal e nascidos desse mesmo povo, os nossos militares são contidos e observadores da Lei e Democracia.
A força e o poder de se utilizar as armas como profissão, mostra-se precisamente não as usando e muito menos em nós próprios.

A maior demonstração de força e respeito é mostrar que se tem mas, não se usa!

Tal como um pai pode dar uma bofetada, uma tareia ou um “enxerto de porrada” ao filho menor e ainda criança, mas não o faz, educa-o.
Não estou a chamar infantis e menores à classe política que despreza e humilha os seus militares, os seus “pais” históricos do regime democrata do qual abusam por uso e abuso indevido do poder…
…Mas, que parecem, parecem!

De Camoesas a 07.11.2008 às 17:59

Afinal, estes "políticos" não são crianças nem menores, soube-o hoje;

"(...)A posição das chefias foi tomada depois de verem a sua autoridade interna reposta com o assumir, pelo ministro Nuno Severiano Teixeira, de que "as chefias militares têm transmitido ao Governo as preocupações e as expectativas das Forças Armadas". Recorde-se que a tutela, ao longo da última semana, disse desconhecer a existência de mal-estar ou "descontentamenteo generalizado" nas fileiras, o que fragilizou a posição dos chefes perante os subordinados.

O presidente da Associação 25 de Abril, coronel Vasco Lourenço, frisou ao DN que as afirmações Severiano Teixeira "põem em causa as declarações do secretário de Estado da Defesa", João Mira Gomes, no passado dia 30, horas depois de o general Loureiro dos Santos (reforma) alertar para a tensão existente nas fileiras, deixando uma ameaça implícita de uso da força por algum militar irreflectido devido à não resolução dos problemas.

"As chefias militares não nos transmitem qualquer informação" sobre quaisquer "movimentos de descontentamento a nível de qualquer escalão das forças militares", disse João Mira Gomes, acrescentando: "Não consideramos que haja qualquer tipo de clima de instabilidade nas Forças Armadas."(...)"

http://dn.sapo.pt/2008/11/07/nacional/chefes_enviam_mensagens_quarteis.html

Os militares foram para a rua dizer verdades, o Secretário de Estado vem a público desmentir os militares e acusar as chefias de compadrio e silêncio.
As chefias não gostaram e ficaram "mal vistas" pelos militares!
Depois, passada uma semana, vem o Ministro desmentir o Secretário de Estado, dar razão às verdades que os militares disseram na rua e repor a dignidade das chefias que logo a comunicaram aos militares.
Durante uma semana, as chefias não foram nem carne nem peixe, para os seus homens...eram bacalhau.

No mínimo, O SECRETÁRIO DE ESTADO (além de mentiroso como provou o Ministro) PROVOCOU A FALTA DE COESÃO NAS FORÇAS ARMADAS e INCITOU À INDISCIPLINA, quebrando a relação de respeito, verdade e dignidade entre os militares e as suas chefias.

Claro que não lhe acontecerá nada, se acontecer algo, será a nomeação para gerir uma qualquer empresa de todos nós ou a simples mudança de pasta...

Afinal, estes "políticos" não são crianças nem menores, são é uns garotos!

De Anónimo a 07.11.2008 às 21:48

Mas continuamos a enrrolar...
sejamos pragmáticos.
Todos sabemos como se vive hoje.

A classe média anda ás aranhas com a renda da Casa e aflita para mudar para um emprego onde ganhe mais...

A Classe pobre....nem vala a pena falar...

A Classe RICA nem se apercebeu que estamos em CRISE.

Ou seja, tá tudo na mesma...como antes do 25 de Abril.

Existe ballet Rose, Felgueiras, BCP, BPN, etc,etc...

Diga-se Felgueiras UMA VERGONHA NACIONAL...

E Se um gajo bebe 3 copos de vinho...é um CRIMINOSO...que tem que ser detido e tratado como ta...hem...!!!!

Que País vergonhoso...não foi para isto que aconteceu o 25 de Abril....ou foi??????

Assentemos os pés na Tera e saibamos fazer ver aos outros o que se passou e porque se PASSOU.

ENSINE-SE OS JOVENS

Abraço a Todos
CAUTELA


De Fernando Vouga a 06.11.2008 às 21:30

Caro Alves de fraga

Estou solidário consigo.
Aquilo que tenho a acrescentar ao que aqui escreveu, e muito bem, pode ver-se nos meus blogues:
http://deprofundis.blogs.sapo.pt/
e
http://petas.blogs.sapo.pt/

De Jofre de Lima Monteiro Alves a 07.11.2008 às 23:13

É com grande prazer que passo por aqui, depois duma pausa de algum tempo por motivo de doença dum ente querido.

Penso que os últimos governos do País olham a função militar como algo supérfluo, prescindível, ou ainda com a visão típica de merceeiro, a desejar do bom, mas baratinho.

Querem ter um Exército para fazer umas folestrias no estrangeiro, no âmbito das missões da OTAN, mas não querem dotar esse mesmo Exército com os necessários meios de operacionalidade. Querem uma tropa de faz-de-conta, aquilo que noutras eras de dizia ser uma “tropa fandaga”, o que é sobejamente insultuoso à dignidade pessoal e profissional dos militares.

Mais, o que é grave, olham para a função castrense com o mesmo olhar depreciativo que passaram a deitar para a generalidade da Função Pública. Ignoram as especificidades da função castrense e olham para os militares com desdém, como um peso-morto no Estado, o que é aviltante.

Na generalidade, os políticos – a maioria da classe política sanguessuga – olham para os militares com sobranceria, mas também o fazem para os professores, os enfermeiros, os reformados, os trabalhadores, esticando a paciência de todos até ao limite do razoável. Um verdadeiro ataque à cidadania para alem dos limites da sensatez. Impõem deveres absolutos sem direitos, em nome duma estabilidade e lealdade.

Uns políticos despidos de valores morais e de ética... E tudo piora quando usam uns óculos cor-de-rosa, a ver um País cor-de-rosa, uma Nação idílica sem problemas e sem clima de descontentamento. Tudo demasiado surreal!

O resto, isto é, tudo, esta na sua excelente prosa, de grande valia, que se lê num fôlego. Boa semana com tudo de bom.

De josé costa - casal do marco a 08.11.2008 às 15:02

Caro Administrador, para juntar aos dados que tenho sobre as forças armadas portuguesas e a sua adequação às necessidades do país no actual contexto nacional, europeu e internacional.
Critiquei fortemente a posição do Sr. General Loureiro dos Santos, considerando as suas declarações inadmissíveis num estado de direito, porque não foi feita contra o governo mas sim contra todo o povo já que é o povo que paga toda a estrutura militar e aos seus efectivos no activo e na reforma.
Será que necessitamos de umas forças armadas cujas remunerações não se adequam com o PIB do país?
Será que um país pobretanas em que é a desigualdade entre aqueles que vivem à sombra do estado, ou seja do nosso dinheiro, quando há cada vez mais portugueses que passam fome durante metade do mês?
Será que necessitamos de uma GNR militarizada em tempo de paz quando a criminalidade cresce desordenadamente?
Gostaria que desse um pulo, durante o horário de expediente normal, ás instalações da Brigada de transito de Coina. Iria verificar, tal como aconteceu comigo ontem, que a maior parte dos carros estão estacionados no local.
Porquê não existe neste país um combate mais generalizado da parte das forças armadas na defesa deste país contra muitos dos males que nos afligem e gostaria ainda mais de ouvir o Sr. General a ameaçar este governo e a Assembleia partidária por não permitirem que haja neste país uma cultura democrática, uma cultura de luta contra a corrupção, uma cultura ética de luta contra os infiltrados nas forças armadas, na saúde, na justiça, etc….
0s valores republicados acabaram por cair na lama tal como aconteceu na 1ª República quando as “facadas nas costas” aconteciam diariamente perpetrada pelos socialistas e a Carbonária a comandar os mesmos.
.
"Nessa altura (após o 25 de Abril)saíram das faculdades, concluindo os cursos, muitos dos dirigentes das lutas estudantis. com o processo revolucionário em curso e já sem possibilidade de serem OFICIAIS MILICIANOS (a prova de quem fez o 25 de Abril.), procuramos encaminha-los para a ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Os de DIREITO para Juízes,os que pudessem para JORNALISTAS, os MÉDICOS para a saúde pública. A orientação consistia em infiltrar o APARELHO DO ESTADO, com alguns resultados posteriores bem à vista na sociedade portuguesa.
Eu tinha comigo os melhores quadros em Direito para o grupo parlamentar: José Magalhães, João Labescat e José Lemos......"Zita Seabra em Foi Assim", pág. 339.
.
Tal como hoje este país só se levantará com um novo ditador que acabe com estes grupos de interesses em que as forças armadas se incluem.
Não peçam mais dinheiro. Mas sim mais democracia e Igualdade republicana!
Pois a mesma está fechada a sete chaves.
Sr. Luís Alves de Fraga, querem mais dinheiro e benesses, mas só terão que nos informar porque permitiram que estes grupos de interesses partidários, assaltassem a administração pública, convosco incluídos, para melhor roubarem os recursos da nação?
A miséria avança e eu gostaria que as forças armadas, em lugar de assestarem as armas contra o povo porque é o nosso dinheiro que vós quereis, assestassem as armas contra Assembleia da administração pública e contra o governo já que o presidente de meia dúzia de portugueses, permanece mudo e quedo contra a crescente revolta popular!
Digam-nos também, por favor, onde vamos desenterrar mais dinheiro para vos alimentar?

Sou abstencionista porque não me quero misturar nesta pocilga e como Torga afirmo: "É ESCUSADO. NÃO POSSO TER OUTRO PARTIDO SENÃO O DA LIBERDADE".
Bem haja!

De josé costa - casal do marco a 08.11.2008 às 16:12

Caro administrador, claro que lendo o trecho do livro da Zita Seabra é fácil concluir que as Forças Armadas nada farão além de umas ameaças.
Porque eles (os infiltrados) andam por aí e hoje em situação mais forte do que quando houve o 25 dos Cravos Vermelhos!
Claro que querem., como sempre, mais dinheiro e benesses não respeitando sequer o artº 13º, o tal que diz que todos temos que obedecer à mesma lei e que todos somos iguais perante ela.
Se assim é permita-me perguntar porque existem em Portugal várias leis conforme a força da respectiva corporação?
E porquê os "infiltrados", bem assim como os seus donos partidários, não explicam ao povo o que aconteceu numa reunião em Paris entre os PCP, PS, Delegação da URSS, Carbonária, militares desertores, etc....Foram 2 milhões de contos que a URSS deu ao PCP e PS para financiar a revolução com uma única exigência!
Entregar as nossas províncias ultramarinas aos grupos apoiados pela URSS SEM CONSULTA À POPULAÇÃO!
Eu tenho provas de duas fontes credíveis mas necessito que algum desses partidos confirme esta notícia!
Caro administrador, se querem o apoio do povo virem as armas contra aqueles que destruíram este país deixando-nos hoje na mais abjecta miséria enquanto meia dúzia enriqueceu com o apoio das forças armadas, justiça, forças de segurança, etc....
O povo não esquece porque o desespero é cada vez maior e o rastilho do barril, a cada dia que passa é mais curto!
Se querem ter o povo do vosso lado ajudem-nos a fazer a revolução de Abril com os seus ideais antes de se ter tornado a revolução dos canalhas!
O PS, tal como o Partido Republicano Português “esfaqueou” o Machado Santos após a revolta de 1910, colocando-o numa prateleira dourada, já que «se ninguém ousava tirar a Machado Santos o mérito de ter acreditado sem hesitações na vitória da revolta iniciada às primeiras horas do dia 4 e de agir em consequência, já as suas qualidades como político, desde sempre despertaram as maiores desconfianças à generalidade dos dirigentes do Partido Republicano Português». “A revolução portuguesa 1907-1910 Machado Santos» Editora Sextante , pág.VI. , também seguiu o mesmo modelo da revolução de 25 de Abril feita pelos militares. Com o apoio e financiamento da URSS e do seu lacaio PCP, utilizou infiltrados para criar o clima de insubordinação nas FA e alguns militares que ainda acreditavam na sua pureza para a seguir os colocar na prateleira e tomar conta do país e do seu povo! Com a agravante de os militares honestos se terem calado quando canalhas traidores da pátria, entregou também terra que sempre pertenceu a Portugal e pelas quais Portugal sempre lutou quando das descobertas. Sim sr, administrador, estou a falar das terras de Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe. Por tudo isto e pelo dever moral que as FA têm na defesa do território nacional (no seu todo), as mesmas não devem penalizar ainda mais o seu povo, pois enquanto estiverem de costas voltadas não serão nunca as forças armadas portuguesas! Bem haja!

De josé costa - casal do marco a 08.11.2008 às 16:32

Caro administrador, já que aqui estou vou terminar comentando uma outra situação!
A dos soldados mortos no Ultramar Português! Não sei quantos mas certamente serão muitos os que ainda estão enterrados nos países onde lutámos.
Tal como o governo fez com alguns civis portugueses, e muito bem, também é de notar o completo desprezo do governo e das embaixadas pelo estado e pela sorte dos nossos compatriotas!
Eles são portugueses que lutaram pela defesa de outros portugueses que procuraram essas terras para melhorar a sua vida, mas são considerados animais e completamente desprezados até pelos seus colegas soldados como vós e como o Sr. General LS. A vossa prioridade deveria ser a de ameaçar este governo e esta sociedade política de canalhas por não fazer aquilo que seria um acto de honra em nome daqueles que tombaram pela pátria e de tudo fazer para que as ossadas desses soldados voltassem á terra que os desprezou na morte!
Caro administrador, sobre os insultos à classe política, já os escrevi bem piores em documentos oficiais e vou continuar até que esta sociedade mude para uma sociedade democrática!

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