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Fio de Prumo



Sexta-feira, 03.10.08

União

 

 
O adágio popular diz que «a união faz a força». É certo que toda a união representa mais do que o somatório da força de cada elo da cadeia; poderíamos dizer, de forma tosca, que a união de uma qualquer cadeia é igual à soma da força dos elos da mesma mais a força do conjunto. Uma tal verdade genérica pode ter várias aplicações. Ocorreu-me, hoje, uma sobre a qual vou discorrer em discurso breve, mas conciso.
 
Mais do que noutros tempos já passados têm sido os militares, nas suas diferentes categorias e Ramos, atacados por este Governo maioritário e dito socialista nos direitos que julgavam adquiridos. Tudo começou pela assistência sanitária e pelas comparticipações específicas que lhes eram dadas quer aquando da aquisição de medicamentos quer nos chamados actos médicos. De uma forma perfeitamente arbitrária o Governo retirou direitos que eram formas indirectas de pagar sacrifícios de uma vida ao serviço da Pátria. Pessoalmente essa arbitrariedade governamental passou a pesar-me na carteira mais de mil e duzentos euros no final do ano em despesas de farmácia!
 
Quando o militar está na efectividade de serviço pode, de acordo com os regulamentos que pautam a sua actividade, fazer chegar ao comando competente a manifestação da sua discordância em relação ao que afecta a sua vida. Pode dizer por escrito: «Exmo. Senhor, o que me é pago por mês não chega para satisfazer as despesas normais de sustento da minha família. Solicito que dê conhecimento do facto a quem de direito e que sobre o assunto seja tomada a resolução que se achar conveniente».
Pode dizer isto e o comandante ou chefe, se não for completamente inapto, deverá fazer chegar este desabafo ao escalão mais alto que lhe for possível. Talvez o militar reclamante nada ganhe com a reclamação, mas teve a oportunidade de, com lealdade, informar sobre a sua desmotivação. Ora, o que é verdade para um militar na efectividade de serviço já o não é para um que esteja na situação de reforma. Esse não tem para quem reclamar! Resta-lhe, então o quê? Juntar-se com os velhos camaradas em iguais circunstâncias e, em conjunto, carpirem as suas mágoas. Mas só isto? Na minha opinião, não.
Os militares reformados detêm um direito inestimável: o de livremente poderem reclamar em público contra o que acharem por bem. Confere-lhes esse direito a Constituição Política da República. Uma República democrática que ajudaram a construir há 34 anos. As amarras castrenses já estão soltas.
É verdade que o direito de reunião e de manifestação pode ser usado por todos os militares, reformados ou na efectividade de serviço, mas também é certo que sobre os primeiros já não tem a autoridade militar qualquer tipo de alçada. Isso dá àqueles um mais largo espectro de liberdade!
 
Se nós, militares reformados, soubermos tirar proveito da possibilidade de protesto público formamos uma cadeia que tem a força de cada um e mais a força do conjunto.
Aproxima-se a altura de podermos mostrar quanto valemos. Deixemo-nos de velhos pruridos e saltemos a juntarmo-nos engrossando a cadeia que nos dá força. Deixemos de lado a velha frase que fez escola aqui há alguns anos e que resumia a ideia de que o «chefe do sindicato» era o Chefe do Estado-Maior do respectivo Ramo. Está mais do que provado que eles não são «chefes de sindicato» nenhum e, até, se calhar, já mal representam os direitos e interesses daqueles que comandam.
Camaradas de armas unamo-nos!

 

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por Luís Alves de Fraga às 18:27


10 comentários

De Fernando Vouga a 03.10.2008 às 21:54

Caro Alves de Fraga

Há muito que defendo essa teoria. Os chefes militares, a todos os níveis, não foram, não são e nunca serão os «chefes de sindicato» dos militares.
Quanto mais não seja, porque não o podem ser sequer. Pelo menos, por duas razões: não são escolhidos pelos «sindicalizados» e são, eles mesmos, subordinados da «entidade patronal».
É preciso dizer mais?

De A João Soares a 04.10.2008 às 06:45

Caro Alves de Fraga,
Uma boa análise. Não hesitei em transcrever para o Do Miradouro e em difundir por e-mail para os contactos militares. Concordo também com o comentário de Fernando Vouga, sintético, mas muito esclarecedor.
Abraços
João Soares

De Carlos Nuno a 04.10.2008 às 11:04

Caro Amigo
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Caro Amigo <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Óbviamente</A> que tem o meu apoio neste seu escrito, do mesmo modo que o Amigo me apoiou aquando do problema que eu publicamente levantei sobre o HFA . Como se sabe, isso valeu-lhe o Processo Disciplinar, cujo desfecho ainda veio dar mais razão às suas intervenções no mais diversos níveis. Para reforçar este apelo à união aproveito para dar relevo - se calhar era a sua intenção - ao Encontro Nacional de Sargentos a realizar no dia 18 no Rossio, pelas 15H00. Lá estarei e, pelo que conheço de si, sei que também lá vai estar. Um abraço. <BR>Carlos Nuno

De Jofre de Lima Monteiro Alves a 04.10.2008 às 22:23

O texto é duma lucidez impressionante, aliás, na linha geral do blogue, e serve também para os demais aposentados, embora a questão milita seja específica e com características muito próprias. O que está em causa sãos os direitos adquiridos por mais de trinta anos de trabalho e que foram abruptamente retirados em nome de sacrifícios, os quais vemos não são uniformes para todos. Vemos, um pouco, que o regime democrático vigente infravaloriza a família castrense. Lembro-me dum velhíssimo ditado popular que o meu avô minhoto repetia: «Unidos resistimos, divididos caímos», mas também deste outro: «Uns são filhos, outros enteados». Boa semana com tudo de bom.

De Jerónimo Sardinha a 04.10.2008 às 22:32

Caro Coronel Alves de Fraga,
Súbtil e inteligente, para além de oportuno e necessário.
É evidente que, hoje, o chamamento de "camaradas de armas", me passa ao lado, privando-me do privilégio de poder responder PRESENTE.

No entanto, porque cidadão debaixo da mesma Constituição, estarei presente e em força, deste lado;
Mais, porque me sinto parte integrante da tal República Democrática, sonhada e tentada há 34 anos, afirmo a minha solidariedade, com o meu ilustre Amigo e com todos os camaradas.
Temos tido alguns, poucos, grandes bons exemplos dos cidadãos fardados. Espero mais um. É um profundo e activo acto de LIBERDADE E CIDADANIA.
Estarei convosco, como tenho estado noutras lutas, afirmando mais uma vez, que Portugal precisa de contar com todos indistintamente. Somos a massa de que se faz um PAÍS.

A dignidade o impõe e a democracia o exige.

Cumprimentos cordiais,
Jerónimo Sardinha.

De andrade da silva a 05.10.2008 às 01:39

Caro Camarada, Caros Camaradas

Como seria fundamental que as virtudes da camaradagem, do espírito de corpo, do cumprimento do dever, da frontalidade fossem bem mais que virtudes compendiais.

É imperativo que sejam práticas do quotodiano, todavia sei por amarga experiência que muitas vezes o campo de batalha da luta pelos princípios fica deserto, mal uns quantos se apercebem que dali virá mau tempo e nenhum provento.

Também pode ser assim ,quando um comandante luta pelos direitos sagrados de quem comanda, porque, entretanto, esses direitos face a interesses de carreira foram sacrificados no altar do egoísmo. Esta é uma realidade que conheço há 41 anos, com momentos de gloriosas excepções.

Eu próprio experimentei, quando, através de uma sentença do tipo dos tribunais plenários, proferida pelo 3ºtribunal Territorial Militar, pelo juiz Alfredo Gonçalves Pereira, fui atirado para a prisão da Trafaria durante 2anos, então, grandes camaradas me apoiaram, entre muitos cito o Ferreira de Sousa, o grande Fabião, Vasco Gonçalves, Golias, Miranda ( tão mal tratado, morreu precocemente por suicídio) Lameirinhas, Cruz Oliveira, Dinis de Almeida, Custódio Pereira, Luís Sequeira, Matos Borges, Almeida Contreiras, Brissos de Carvalho, Barbosa Pereira, Pina, Tomé, Otelo, Duran Clemente etc gente de todas as armas, serviços e oficiais e sargentos.

Este forte e grande movimento de solidariedade a que também estiveram atentos o Gen Ramalho Eanes e o Vasco Lourenço impediu, de algum modo, que aquele juiz contra a opinião do Cor da força área João da Cruz Novo, juiz Presidente, que me queria absolver por me considerar inocente, como me disse a mim e aos meus advogados de defesa, fosse tão longe quanto desejava.

Esta pequena história, entre outras, ilustra que quando há união sempre se consegue controlar alguns danos, e um deles é que o (os) camaradas em dificuldades não se sintam abandonados, e não dêem em loucos, ou se suicidem. Por vezes o limite do suportável é atingido, e há quem não aguente, se estiver só, e quando um camarada se suicida, porque foi abandonado TODOS O MATAMOS. SOMOS RÉUS.

A UNIÃO FORTALECE A NOSSA RAZÃO.

Em dia de aniversário da implantação da República saudemos em Machado dos Santos todos os militares probos.

andrade da silva


De José Pereira a 05.10.2008 às 11:17

Dia 18 de Outubro de 2008, Sábado, Encontro Nacional pela dignificação da Familia Militar. Concentração no Rossio, pelas 15H00, seguido de desfile até à Praça do Comercio onde os dirigentes associativos farão as suas intervenções. O encontro centra-se nas questões relacionadas com a Saúde, Assistência Social e Condições Sociais dos militares e suas famílias.
Esta manifestação foi convocada por 3 militares na situação de reforma, um oficial, um sargento e uma praça e tem o apoio e stá a ser promovida pela Associação Nacional de Sargentos, a Associação de Oficiais das Forças Ar madas e pela Associação de Praças da Armada.
A mobilizção que decorre por todo o País com reuniões descentralizadas segue a bom ritmo, indiciando uma boa participação dos camaradas e suas famílias de fora de Lisboa que se estão a organizar para se deslocarem colectivamente em autocarros.
Vamos lá a desligar a TV, levamtar o traseiro do sofá e rumar em direcção ao Rossio.
Este vai ser "O ENCONTRO"!!!!!

De Desmancha-prazeres a 05.10.2008 às 11:27

Senhor Coronel Alves de Fraga

" Camaradas de armas unamo-nos! "

Lançado o mote, é necessário dar-lhe consistente substância.
Não bastam as denúncias, que, aqui e além, desmascaram a ignomínia.
Para quem (des)governa, não passam de um idoso arfar , premonitório do inevitável e natural estertor, que tudo resolve.
Mas (como entendo subjacente ao mote) se o actual "arfar" se transformar em ARFA (Associação de Reformados das Forças Armadas), a "música" passa a ser outra...
Isto digo eu, que sou quem sou.
Um solidário e fraterno abraço.

De andrade da silva a 10.10.2008 às 02:14


CAROS CAMARADAS

Para que conste, sem saber porque carga de água a ADM resolveu deixar de comparticipar análises dp PSA, análise de sangue de despiste do cancro da prostasta , deve er feita anualmente e era comparticipada quando feita nos laboatórios, agora, para total espanto um militar pode fazer as outras análises de sangue nos labortórios com quem ADM tem protocolos, mas tem de ir fazer a de PSA ao HMP. Isto lembraria a alguém que não fosse genial nestas coisas? Pelo amor de Deus,digo eu que sou agnóstico, que haja bom senso,.

O mesmo se passa na estamotologia fizeram-me deslocar ao Marquês de Pombal para entregar uma factura de 70€, perdi 3 h em transportes e 4 euros, e reembolsaram de 17euros, isto é legitimo?

andrade da silva

De Carlos Nuno a 15.10.2008 às 23:04

Mas há mais aberrações desse género. Em estomatologia, se era preciso fazer um molde o seu valor, bem como o tratamento em geral, era incluído na mesma rubrica e a comparticipação era geral. Agora, se for preciso fazer um molde para apoio de reparação ou manufactura de prótese não há comparticipação para o mesmo. O técnico necessita de fazer o molde para executar o resto do trabalho. Este é comparticipado e o molde não. Isto só cabe nestes cérebros de galinha que se dispuseram a gerir os nossos destinos.Mas será que isto não tem um fim?.
Carlos Nuno

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