Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Fio de Prumo



Domingo, 21.09.08

Já lá vai Pedro o soldado...

 

 
Por razões meramente pessoais ligadas à minha actividade académica, não tenho tido tempo para escrever no «Fio de Prumo». Contudo, tendo em atenção um pedido deixado por um camarada no blog «Liberdade e Cidadania» (clicar para ver) e lembrando as velhas canções revolucionárias do tempo do fascismo, quebro aqui o meu silêncio para dar voz a uma petição que anda a circular na Internet sobre a necessidade de se trazer para Portugal os restos mortais de todos os militares mortos em África, durante a guerra.
 
Como sempre, entre nós, perante um movimento desinteressado de cidadãos, movimentam-se sempre os pequenos interesses mais ou menos corporativos ou representantes de grupos institucionais. É um mal nacional que se manifesta desde há muito. Realmente, já sabia da petição a que o blog «Liberdade e Cidadania» deu, agora, publicidade e soube, também, da imediata reacção da Liga dos Combatentes: é ela quem está a conduzir o processo de exumação das ossadas de todos os que deram a vida na guerra colonial e por terras africanas ficaram sepultados e é ela quem pretende continuar ao «leme» desta questão.
 
Pessoalmente nada tenho contra o facto da Liga dos Combatentes ter chamado a si tão meritório trabalho, mas sei quanto espinhoso é o caminho a percorrer e quantas dificuldades se vão levantar colocadas pelas autoridades que teriam todo o interesse em ser as primeiras a desejar ver resolvido este problema de contornos nacionais. A Liga deveria aproveitar todas as idiossincrasias para reunir fundos e arregimentar vontades que lhe proporcionem vencer, em tempo reduzido, uma aspiração que é de todos os ex-combatentes.
 
Faça a Liga um peditório nacional — como há muitos anos se levavam a cabo por altura do 9 de Abril — para concitar vontades e dar visibilidade à sua acção que, por enquanto, tem estado fechada no segredo dos gabinetes. Venham para a rua a Liga e todos os antigos combatentes que se queiram aliar a esta causa e, talvez assim, o Governo, através do Ministério da Defesa, se sinta obrigado a tornar célere o que tem sofrido de delongas incompreensíveis.
Os antigos combatentes esperam por todos os que partiram e não voltaram ainda.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 13:35


5 comentários

De Jerónimo Sardinha a 21.09.2008 às 21:08

Caro Coronel Alves de Fraga,
Honrado e grato pela referência que nos faz.
Em boa verdade, já esperava que o corporativismo e a inveja pessoal, se manifestassem, face a tão melindroso assunto.
O que realmente é estranho, é que seja uma Associação a lançar e divulgar, com carácter nacional, tal acção e seja um cabo a subscrever a responsabilidade de tal.
Será que os "amarelos" perderam o brilho, a coragem, a decisão, ou somente se ficam pelo cómodo, conveniente e "heróico" embate de gabinete ?
É triste, muito triste, que tal mesquinhez continue a manifestar-se, com todo o despudor, depois de trinta e cinco anos de oportunidades que ao que se sabe, não surtiram quaisquer efeitos, nem tiveram sucesso. Se acaso foram tentados.
O pouco que se sabe, deve-se a oficiais, hoje na reforma, que inconformados, lá vão conseguindo alguns eventos, conseguidos sabe-se lá com que sacrifícios e esforços.
Voltarei ao assunto, pois prometi-o.
Além do mais as entidades merecem respostas condignas.
Mais uma vez muito obrigado pela generosidade e sabe que dispõe de todo o espaço e oportunidade do "outro lado", como, desde sempre, me tem dispensado a mim.
Grande e fraterno abraço.
Jerónimo Sardinha.

De andrade da silva a 22.09.2008 às 12:10

Caro Camarada

Infelizmente é assim, durante dezenas de anos quem deve fazer, o que deve ser feito, parece esquecer-se do seu mister. Todavia se alguém se lembra de reclamar o que é ingente, é o diabo. Os poderes levantam-se e quase acusam de ignomínia e traição os cidadãos que querem resolver situações de desonra Nacional.

Da minha parte conheço pessoalmente esta situação, fui convidado, melhor desafiado, por um dos nossos melhores camaradas o General Luís Sequeira a dar um contributo técnico, humano e moral para a resolução da avaliação do Stresse de Guerra PTSD ). Trabalhei na elaboração de um modelo integrado médico, psicológico e jurídico que não existia, provocando situações de vergonhosa e inaceitável injustiça, todavia todo este esforço gratuito esbarrou com os interesses de um ou de outro departamento, e lá anda pela DGPRM , sem que ninguém me pergunte o quer que seja.

Devo acrescentar que sou psicólogo militar, estive colocado no Centro de Psicologia Aplicada do Exército durante quase duas décadas fui seu subdirector e director, prestei serviço de apoio psicológico no serviço de psiquiatria do HMP durante 4 anos, colaborei com a ADFA , estive na guerra colonial e fiz dezenas de processos de amparo de família, mas tudo isto que noutra Organização teria algum significado, na nossa Instituição vale zero, um zero absoluto, porquê? Será porque me chamo João? Talvez

Infelizmente a consequência disto tudo é que há combatentes em situação de necessidade com os seus processos encalhados, e outras quiçá menos afectados, mas que conhecem bem os sintomas a usufruírem de pensões, situação que referi com todas as letras consequenciais no documento de apresentação daquele modelo.

É ASSIM. PARECE NÃO HAVER VOLTA A DAR.
POR PORTUGAL RESGATEMOS OS NOSSOS MORTOS, TAMBÉM COM O NOSSO ESFORÇO FINANCEIRO.
[Error: Irreparable invalid markup ('<br [...] <a>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

Caro Camarada <BR><BR>Infelizmente é assim, durante dezenas de anos quem deve fazer, o que deve ser feito, parece esquecer-se do seu mister. Todavia se alguém se lembra de reclamar o que é ingente, é o diabo. Os poderes levantam-se e quase acusam de ignomínia e traição os cidadãos que querem resolver situações de desonra Nacional. <BR><BR>Da minha parte conheço pessoalmente esta situação, fui convidado, melhor desafiado, por um dos nossos melhores camaradas o General Luís Sequeira a dar um contributo técnico, humano e moral para a resolução da avaliação do Stresse de Guerra PTSD ). Trabalhei na elaboração de um modelo integrado médico, psicológico e jurídico que não existia, provocando situações de vergonhosa e inaceitável injustiça, todavia todo este esforço gratuito esbarrou com os interesses de um ou de outro departamento, e lá anda pela DGPRM , sem que ninguém me pergunte o quer que seja. <BR><BR>Devo acrescentar que sou psicólogo militar, estive colocado no Centro de Psicologia Aplicada do Exército durante quase duas décadas fui seu subdirector e director, prestei serviço de apoio psicológico no serviço de psiquiatria do HMP durante 4 anos, colaborei com a ADFA , estive na guerra colonial e fiz dezenas de processos de amparo de família, mas tudo isto que noutra Organização teria algum significado, na nossa Instituição vale zero, um zero absoluto, porquê? Será porque me chamo João? Talvez <BR><BR>Infelizmente a consequência disto tudo é que há combatentes em situação de necessidade com os seus processos encalhados, e outras quiçá menos afectados, mas que conhecem bem os sintomas a usufruírem de pensões, situação que referi com todas as letras consequenciais no documento de apresentação daquele modelo. <BR><BR>É ASSIM. PARECE NÃO HAVER VOLTA A DAR. <BR>POR PORTUGAL RESGATEMOS OS NOSSOS MORTOS, TAMBÉM COM O NOSSO ESFORÇO FINANCEIRO. <BR><BR class=incorrect name="incorrect" <a>andrade</A> da silva <BR><BR><BR>

De Sérgio Miguel a 22.09.2008 às 14:14

Concordo! Discordo apenas da parte do "peditório nacional"... o Povo Português já dá dinheiro de sobra ao Estado para que este cumpra TODAS as suas responsabilidades!

De andrade da silva a 23.09.2008 às 02:35

Caro Camarada

Não sei se isto é já guerra cibernética, mas o certo é que o meu comentário está completamente empastelado.

Se houver cura agradeço que se cure o pobre.
Obrigado
asilva

De Carlos Nuno a 24.09.2008 às 22:07

Caro Amigo. Já em outra ocasião tive a oportunidade de dizer o que agora vou repetir em relação ao esforço particular que foi feito para resgatar recentemente os 3 camaradas Pára-quedistas . Tudo isto revela o desprezo, a ingratidão e o enxovalho constante dedicado pelos governos às F.A ..Parece que se querem vingar de algo e isso verificou-se aquando do assassinato, no Brasil, de alguns portugueses. Imediatamente o governo se prontificou a transportar os corpos para Portugal. Continuo sem compreender que os sucessivos governos se tenham alheado do que eu considero ser um dever nacional. Actuam em relação aos mortos como, vergonhosamente, o fazem em relação aos vivos, especialmente aos velhos combatentes, que eles desejam que morram depressa.
Carlos Nuno

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

calendário

Setembro 2008

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930