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Fio de Prumo



Sábado, 30.08.08

Mais um ano...

 

 
Passa hoje mais um aniversário sobre a data em que lancei o «Fio de Prumo». Este é o terceiro ano de existência.
Em termos de blogosfera é já tempo para considerar, pois muitos são os blogs que têm uma muito mais efémera vida, o que se compreende, pois nem toda a gente tem liberdade de tempo e paciência para se manter fiel a um projecto que exige uma certa constância e determinação; um projecto que impõe a necessidade de se estar atento e saber seleccionar o que nos interessa e que pode interessar a quem nos lê.
 
O «Fio de Prumo» começou há três anos quase desconhecido em todos os meios. Depois, passados poucos meses, foi a Direcção da AOFA quem lhe deu o primeiro impulso ao criar no site daquela associação um link que permitia aos frequentadores da página associativa chegarem ao blog. No segundo ano, consolidou-se a posição que fui desenhando com a minha escrita. A linha de rumo seguida pretendeu ser sempre a da consciencialização de quem lia as minhas crónicas para os problemas sociais e políticos do país e, em especial, para os de natureza militar. Nunca me interessou entrar por polémicas do âmbito técnico; deixo-as para os técnicos. Preocuparam-me mais os aspectos deontológicos, sociais e humanos e, naturalmente, os de natureza política, entendida esta como a ciência e a arte de governar o povo. Nos últimos meses no ano civil de 2007 já o hábito de leitura do «Fio de Prumo» se havia enraizado em muita gente, porque as estatísticas, dadas pelo contador de entradas, apontavam para a ordem das cinco mil mensais.
No terceiro ano — neste que agora passa — não me afastei do rumo traçado desde o primeiro dia e foi crescendo a leitura das crónicas que por lá deixava. Inesperadamente, ao denunciar uma ocorrência que assumia foros de escândalo à porta das instalações do Hospital da Força Aérea, foi-me anunciada a abertura de um processo disciplinar por despacho directo e pessoal do Chefe de Estado-Maior da Força Aérea. Limitei-me a transcrever a notícia publicada no Diário de Notícias e, nesse mês, a afluência ao blog disparou para números nunca antes imaginados — quase chegou às vinte mil entradas. E compreende-se que assim tenha sido, porque a instauração do processo, para além de inconstitucional, configurava já a possibilidade de se ver cortado um direito dos militares na situação de reforma. Sua Ex.ª o CEMFA, por si mesmo ou por mau conselho alheio, deixou transparecer para o grande público uma fragilidade que o alto cargo que desempenha não permite: falta de «poder de encaixe» político. Realmente, quando se é alcandorado a determinados lugares cimeiros da gestão ou da governação nacional, tem de se saber conviver com todo o tipo de afirmações ou, então, só há um caminho: o pedido de demissão! Se se não quer ir para tão drástica decisão, tem de se ter o chamado «jogo de cintura» para abrir portas de diálogo que não podem ser só franqueadas para os poderes superiores… Os poderes subordinados também têm direito a usá-las.
Esse triste episódio da hierarquia máxima da Força Aérea deixou um saudável rasto neste blog: deu-lhe a publicidade que até então lhe faltava. Isso obrigou-me a olhar com mais atenção tudo o que aqui publico, porque, agora, tenho responsabilidades acrescidas. Realmente, se até Março deste ano civil os meus escritos tinham preocupações deontológicas — daquelas que obrigam quem comanda e não só quem é comandado —, desse mês para a frente procurei que as minhas crónicas fossem luzeiros para quem tem como missão servir a Pátria até aos limites que esta lhe imponha. Não sei se o consegui, mas ficou o intuito. Hoje quero que o «Fio de Prumo» seja uma voz segura, firme, incapaz de tergiversar e não me envergonha dizer que tal força fui buscá-la à lamentável atitude do senhor general CEMFA e de quem o aconselhou. Ficarei bastante agradado se o mesmo senhor tiver aprendido com o episódio que comandar é um acto mais inteligente do que mandar, porque, como se viu, mandar é fácil, mas nem sempre alcança resultados!
 
Publiquei até ao dia de hoje 222 crónicas que deram origem a 1 372 comentários; o contador público marcava, ontem de manhã, qualquer coisa como 128 580 entradas, contudo, por uma razão que desconheço, o mesmo contador, no seu site, registava, à mesma hora, 158 847 entradas, das quais, 83 294 pelo espaço de mais de uma hora de leitura do blog. Quer dizer, segundo os valores não visíveis registaram-se mais de noventa e sete mil visitas e, visíveis, mais de setenta e quatro mil durante estes doze meses. Isto dá, respectiva mente, uma média de 267 e 203 visitas diárias o que me deixa muito satisfeito já que triplicaram, em três anos, os leitores interessados no «Fio de Prumo».
Naturalmente que o maior número de visitas ao blog é feito através de computadores instalados em Portugal, todavia, não deixa de ser extraordinário o facto de haver muitíssimos visitantes em Itália, no Uruguai, na Alemanha, em Espanha, em França, na Polónia, no Brasil, na Finlândia, na Noruega, na Grã-Bretanha, em Angola, em Moçambique e noutros países, nomeadamente na Rússia, no Canadá e, até, na Austrália. Este blog ultrapassa fronteiras, porque, para além de pensar Portugal, tenta transparecer doutrina e posições que são comuns a todos os militares e aos cidadãos que tenham a tradição e os bons costumes como princípios comportamentais basilares.
 
Um novo ano lectivo aproxima-se e as minhas obrigações enquanto docente universitário impõem-se. Talvez o tempo se me torne escasso para tantos empenhamentos, mas fica aqui a promessa de, dentro do possível, continuar a satisfazer os leitores com crónicas que sigam a linha de orientação que me tem norteado ao longo da vida e ao longo destes três anos.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 08:16


1 comentário

De Fernando Vouga a 01.09.2008 às 18:49

Caro Alves de Fraga

Embora não goste de fazer coro, chegou o momento apropriado de o fazer. Porque o meu amigo merece um forte abraço de parabéns. Não só pelo elevado interesse das suas intervenções, mas também pelo que revela da sua forte personalidade de Homem corajoso, que não verga e sabe o que quer.

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