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Fio de Prumo



Sábado, 19.07.08

Uma vez mais, o toque a silêncio

 

 
No dia 26 de Julho, na Igreja da Força Aérea, em S. Domingos de Benfica, pelas 10 horas, vão ser homenageados os militares portugueses mortos, de armas na mão, em terras de África e cujos corpos por lá ficaram sepultados nas matas distantes.
 
Esta homenagem genérica corporiza-se agora perante os restos mortais de três soldados pára-quedistas que foram exumados do solo da Guiné-Bissau, mortos em 1973. Vão, finalmente, repousar nas suas terras natais, depois de uma longa ausência de 35 anos!
Estes são os primeiros de muitos que por lá jazem já nem se sabe onde ao certo.
 
Ao mesmo tempo que nos honra a nós militares o regresso à terra de onde partiram estes três soldados que derramaram o seu sangue e entregaram a vida por uma causa e numa guerra da qual foram vítimas inocentes, este regresso é, também, uma mancha escura na História que os políticos do pós Abril de 1974 quiseram escrever. É uma mancha bem escura, porque mostra o desprezo de que quem nos governa por todos os que sacrificaram o último sopro de vida de armas na mão, em guerra, servindo Portugal.
 
Que não apareçam na igreja de S. Domingos de Benfica, no dia 26 de Julho, os senhores ministros, porque vão com a sua presença macular um momento sagrado dos militares. Vão macular, pois a estarem presentes, sabemo-lo, será numa atitude eleiçoeira e hipócrita já que nada representa no meio de actos que têm cerceado direitos adquiridos quando por África afirmávamos, cada um no seu posto e da maneira que lhe era exigida, a vontade de tudo sacrificarmos numa guerra que não pedimos. Em nome de equilíbrios orçamentais e de saneamentos financeiros amputaram-nos de parcos direitos… Não venham agora os senhores ministros conspurcar os nossos sentimentos, o nosso orgulho, a nossa tristeza! Eles são homens de muitas caras; nós só temos uma e orgulhamo-nos de saber manter os olhos levantados para ideais nobres e dignos que estão muito para além e muito para cima do horizonte dos políticos.

 

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por Luís Alves de Fraga às 16:29


7 comentários

De António José Mendes Dias Trancoso a 19.07.2008 às 20:17

Meu Caro Alves de Fraga

" Que não apareçam..." ?!

Claro que vão aparecer, ou não fosse essa gente especialista em "fazer o mal e a caramunha".
O pior de tudo, é que o "nacional porreirismo", sustentado pelo entranhado faduncho lacrimejante e primário, ficará imensamente grato aos "deuses" descidos das alturas.
Trinta e quatro anos após a reconquista da Liberdade, é confrangedor verificar que os "valores" do consumismo compulsivo se sobrepuseram aos da crítica e exigente elevação cultural.
Enquanto a inversão não se der...

De Fernando Vouga a 19.07.2008 às 23:51

Caríssimo Fraga

Tem toda a razão. Os militares têm todo o direito de repudiara presença destes políticos na igreja de S. Domingos de Benfica, no dia 26 de Julho.

Mas não vamos ter sorte. Tenho a certeza de que vão aparecer. Ficam bem na fotografia...

Vem a propósito a lei de Murphy: "quando algo pode correr mal, correrá mal de certeza".

De Camoesas a 20.07.2008 às 09:47

Vão estar presentes, terão lugar de destaque na "tribuna de honra" e serão bajulados muito para além daquilo a que...têm direito (porque são eles próprios que escrevem e determinam eses "direitos") !

Fingirão simpatia quando as fardas se lhes dirigirem, colocarão a máscara do respeito para a fotografia e manterão a máscara quando se dirigirem aos familiares. Nos momentos mais solenes se e quando Deus for evocado, enrigecerão a sua postura altiva como se deles se estivesse falando!

Além de virem a ser os últimos a chegar porque sem eles a cerimónia não começa, sairão muito provavelmente antes do final ,porque, como pessoas importantes que são, têm coisas mais sérias e assuntos mais iinadiáveis para tratar...
...Talvez parir mais uma qualquer lei para continuar a delapidar os direitos dos militares e suas famílias.

Os abutres aparecem sempre que cheira a carne morta (me perdoem pela expressão, a memória e os familiares dos exumados, aos quais dirijo as mais sinceras condolências) aparecem sempre mesmo que disfarçados com fato e gravata!

De Jofre de Lima Monteiro Alves a 20.07.2008 às 18:03

Depois de uma quinzena na minha aldeia no Alto Minho, sem Internet, a gozar as delícias do remanso, venho com grande prazer visitar este blogue pela sua qualidade e temática sempre atraente. Desejo uma boa semana.

De Rui Saraiva Alves a 20.07.2008 às 19:02

...a memoria constroi passo a passo, o que o tempo destroi no seu compaço.
São palavras de um Poeta, pois não sou o autor desta ideia, porém, não sendo militar, não tendo participado nos acontecimentos de Africa, ha um aspecto que conheço bem (...como todos nos):
- A hipocrisia; à qual demagogia assim obriga.
Isto não é, quanto a mim, o fruto do Pais que temos, mas sim dos tempos que atravessamos.
Saudaçéoes.
Rui Saraiva Alves.

De jose antonio borges da rocha a 24.07.2008 às 17:24

Antes do 25 de Abril Portugal (e as Forças Armadas) estava revestido de patritismo, combatentes e resistentes. O poder parido em Abril gerou políticos e um regime (civil e militar) onde campeia a dissidência, o refractarismo e o oportunismo...

De João Vítor Silva a 25.07.2008 às 19:01

.....
"...vão com a sua presença macular um momento sagrado..."
Como macularam e continuam a conspurcar o dia a dia deste Portugal sagrado.
O momento é nosso. O momento é dos familiares. É dos ex-combatentes, é dos portugueses.
Que não seja maculado por gente sem carácter, sem escrúpulos, sem pátria.

Um abraço

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