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Fio de Prumo



Domingo, 06.07.08

Será verdadeira a notícia?

 

 
Nos tempos que correm a informação já não nos chega só pelos jornais, pela rádio ou televisão; vem-nos também pela Internet. Claro que esta última via informativa nem sempre apresenta a fidedignidade das anteriores fontes, contudo, pode ser trabalhada se tivermos o cuidado de salvaguardar a origem e, por conseguinte, a sua verosimilhança.
Vem isto ao caso, porque, há dias, recebi uma mensagem que me dava como certo o facto — que não confirmei — de, em Espanha, Zapatero ter mandado decretar o congelamento dos salários dos funcionários superiores da administração pública, incluindo os dos gestores das empresas dependentes do Estado. A decisão justificava-a ele, dizia-se na mensagem por mim recebida, com base na crise que atravessa a Europa e, também, a Espanha.
 
Se for verdadeira a notícia trata-se de um bom exemplo a seguir pelo Partido do Governo nacional; se for falsa constitui uma hipótese a equacionar.
Realmente, o Governo não congela os salários dos gestores públicos e privados, porque usa como base o argumento de que poderiam sair do país, e perderem-se, “boas cabeças” as quais fazem falta a Portugal. Ora, este é um fundamento falso, demagógico e estúpido. Vejamos.
 
Se assim fosse tinha de impedir-se a imigração, pois ela vem ocupar, por preços mais baratos, os empregos dos Portugueses que se vêem na contingência de emigrarem para, lá por fora, encontrarem trabalho melhor remunerado e, até, mais qualificado. Assim, a verdade estaria centrada no facto de, para evitar a fuga de boa mão-de-obra, se limitar a imigração. Se tal não se faz é porque ninguém está, realmente, preocupado com o que acontece aos trabalhadores nacionais. Contudo, o Governo está preocupado, isso sim, com os bons ordenados que se pagam a certos sujeitos que têm influência na nossa praça. A verdade é essa!
É essa, porque não se vê o Governo delinear uma política de retorno ao país de todos os bons “cérebros” que andam lá por fora a ocupar funções de destaque. Não! O que por cá prevalece é a política do compadrio em tudo igual à que se fazia no século XIX quando a democracia era uma treta! Aliás, voltámos à política da treta!
Não se faz saudável política entre nós; prevalece a mentira e a defesa de uma clique económica detentora de altos rendimentos enquanto se vai desfazendo, desmoronando, destruindo uma classe média que sempre teve fracos recursos financeiros.
Hoje, cada vez mais, o tecido social português está em fase de rompimento: de um lado, encontram-se umas quantas, poucas, fortunas que sobrevivem bem em qualquer lado do mundo, mas que continuam a escolher Portugal para daqui levarem grossos e chorudos rendimentos; do outro, acha-se o resto da população que se divide em três grandes sectores: os que ainda têm capacidade de sobrevivência temporária graças a rendimentos muito acima da média nacional; uma larga faixa de média burguesia endividada e, por fim, um imenso amontoado de cidadãos que ronda ou está no limiar da pobreza ou é já pobre.
 
É inadmissível que, face ao panorama nacional e à crise, se mantenham opíparos pagamentos a gestores públicos e privados, que se permitam emissões televisivas ao longo de 24 horas diárias — há que poupar energia! — que se mantenham iluminados os monumentos e locais públicos em verdadeiro contraste entre a realidade de carência e uma política de fachada, que se não adoptem medidas quanto à circulação automóvel dentro das grandes cidades portuguesas tendentes a gastar menos combustível, que se permitam manter abertos estabelecimentos de diversão para além da meia-noite.
 
Para enfrentar a crise e gerar poupanças haveria que ser coerente e levar a cabo uma política de contenção. Nada disso se faz, porque o Governo não quer cair em desgraça junto de uma faixa da população disposta ao consumismo a qualquer preço, faixa essa carente de ser educada, mas que, politicamente, é mais vantajoso manter alienada.
Criminosamente o Governo permite que se viva na irresponsabilidade da crise, porque assim não tem de ser impopular e, acima de tudo, não tem de enfrentar todos aqueles que com ela beneficiam.
 
Em Espanha, a ser real a notícia que referi no início, o Governo socialista parece disposto a tolher o passo a todos quantos podiam passar ao largo da crise. Lá pratica-se, pelos vistos, uma política verdadeiramente nacional. Por cá, afundamo-nos.

 

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por Luís Alves de Fraga às 17:38


8 comentários

De António José Mendes Dias Trancoso a 07.07.2008 às 16:43

Meu Caro Alves de Fraga
Sem ir mais longe - como muito melhor que eu, de ciência certa, sabes - estes (des) governos de "compadres" não aprenderam nada com os erros cometidos na 1ª República (ao ponto de, então, muita gente aspirar à ditadura de má memória).
Os "Vampiros" de Zéca Afonso, comparados com os de agora, não passam de Meninos de Coro.
Abrigados sob o guarda-chuva da Europa, permitem-se o mais descarado assalto aos que, diariamente, lutam, e sempre lutaram, pelo pão de cada dia.
Pergunto-me, e espanto-me, como foi possível que estes supostos Partidos, Socialista e Social-Democrata, tenham atirado para o caixote do lixo a Esperança contida no Programa do MFA?!!!
Um mínimo de decência não deveria preocupar o Sr. "engenheiro"?!
O furúnculo vai inchando...
Depois...admirem-se!

De Carlos Nuno a 08.07.2008 às 11:32

Como é que o Snr . engenheiro se ia preocupar se segue os exemplos anteriores?. Praticamente nunca fez nada na vida ou seja, não se lhe conhece um currículo profissional minímamente aceitável. Assim, fácil é supor que ele nem sequer está preocupado com as próximas eleições, embora ande por aí a propalar uma série de coisas eleitoralistas que um mero observador nota que o faz sem qualquer convicção. E segue assim porque o senhor sabe que, à semelhança com o que tem sucedido com os antecessores, terá um "tacho" à sua disposição e o seu futuro fica assegurado. Depois é só ir buscar os anos em que esteve na política e sacar uma bruta pensão e pronto. Não é nada difícil chegar a esta conclusão.

De A. João Soares a 07.07.2008 às 17:25

Caro Alves de Fraga,
Muito bem observado. Há muitas medidas que seriam úteis, mas que iriam fazer perder os votos de muitos alienados da sociedade produtiva.
Quanto ao congelamento dos ordenados chorudos, nem pensar, porque iria lesar os interesses dos compadres, e criar um precedente para os políticos candidatos natos aos «tachos dourados» e às «reformas milionárias».
Um abraço
A. João Soares

De Rui Saraiva Alves a 07.07.2008 às 17:31

…Zapatero ter mandado decretar o congelamento dos salàrios dos funcionàrios superiores da administração pùblica, incluido os dos gestores das empresas dependentes do Estado, não me parece ser uma acção, mas sim uma reacção!
Claro que as coisas assim « obrigam » e, Chefe de Estado que se preze…tem mesmo que ir por este caminho, no entanto, isto é de facto uma reacção e não uma Acção… e é, quanto a mim, aqui que as coisas se tornam graves.
Em meu entender de cidadão banal, de homem da rua que sou, penso que a base de sustentação de uma Economia é sempre a Cultura !
A falta de resolução imediata diante de uma crise, é sempre a falta de cultura !
O que estamos a atravessar diz-me que o « mundo » se esqueceu de qualquer coisa…esqueceu-se de preparar os seus individuos para esta grande oportunidade de mostrarmos de facto quem somos e como somos…as dificuldades servem so para uma coisa :
- Para serem ultrapassadas !
E se na verdade não somos capazes de ultrapassar as nossas dificuldades e se temos que estar de acordo com a « reacção » de Zapatero ; é so por falta de preparação ; neste caso mais preciso, falta-nos a Cultura.
Zapatero reagiu…pois que assim seja, porém, não trata a « causa » da questão ; Zapatero produz uma anestesia no efeito !
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De A. João Soares a 07.07.2008 às 18:06

Tomei a liberdade de transcrever o texto para o Do Miradouro,
http://domirante.blogspot.com/ , com o título «Dicas para atenuar os efeitos da crise».
Um abraço
A. João Soares

De Paulo Contreiras a 07.07.2008 às 22:16

De viva voz aqui está a notícia:

http://www.rtve.es/mediateca/videos/20080623/zapatero-anuncia-congelacion-los-salarios-los-altos-cargos/179592.shtml

Saudações cordiais ao caro Coronel Fraga

De Pica-Miolos II a 08.07.2008 às 14:42

Senhor Coronel
Dizem "eles" que as "sinecuras" são uma gota de água na Despesa Nacional e que as reclamações partem de gente mesquinha, invejosa e de vistas curtas.
Quem fala assim não o faz de barriga vazia, com família para sustentar com um rendimento cada vez mais distante do final do mês.
Exigem continuados sacrifícios à gentinha na razão inversa da concessão de benesses à desavergonhada clientela que os ampara.
Sempre ouvi dizer que os bons exemplos deveriam vir de cima...
Se assim fosse, as dores partilhadas, seriam, solidariamente, melhor suportadas.
No entanto, quanto mais se banqueteiam, mais enchem as bocas com o " Para Bem de Portugal".
Descaramento não lhes falta...e a malta vai na conversa!

De Desmancha-prazeres a 08.07.2008 às 21:30

Oh! Pica-Miolos!
Claro que vai na convresinha. Qual é a admiração?!
Num país de broncos, cheios de medos, espúrias crenças e tábus, quem é "engenheiro"...é Rei.

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