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Fio de Prumo



Quarta-feira, 02.07.08

Verticalidade e danos colaterais

 

 
No domingo passado, numa demonstração pública, um sargento de 28 anos de idade, do 3.º Regimento de Pára-quedistas de Marinha, de França, em Carcassonne, disparou a sua arma com munições verdadeiras contra a assistência quando deveria ter usado munições de salva ou bala simulada. Ficaram feridas dezassete pessoas, duas das quais em estado grave.
Os jornais franceses de hoje dão, com grande destaque, a notícia do pedido de demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército, general Bruno Cuche, porque o ministro da Defesa lhe havia exigido «sanções imediatas» mesmo sem estarem concluídos nem se atender aos resultados dos inquéritos e investigações mandados fazer pelas entidades responsáveis (a notícia pode ser consultada seguindo este link).
 
Já se sabe há tempos que, em França, os Chefes dos Estados-Maiores dos Ramos das Forças Armadas andam de candeias às avessas com o ministro da Defesa e com o Presidente da República por causa das alterações orgânicas que se pretendem fazer ao nível do Ministério da Defesa. O general Cuche fez saber em comunicado que a sua demissão resulta somente do desastre de Carcassonne e, assim sendo, mais se evidencia a verticalidade do comandante do Exército de França quando não cede a uma exigência política indiscriminada e meramente populista do ministro da Defesa.
Esta atitude tem um nome: verticalidade.
 
Entre nós, felizmente, nunca ocorreu um acidente com armas de fogo tão grave, mas têm acontecido pequenos grandes incidentes que afectam a operacionalidade das Forças Armadas e o seu pessoal. O rol vai desde o corte dos direitos sanitários dos militares até à aquisição de material operacional sem sobressalentes, fornecimento de viaturas que não satisfazem aos termos contratuais, atrasos na entrega de material, pagamentos de vencimentos e de comparticipações que se retardam, enfim, um sem número de ocorrências que já deveriam ter dado origem a várias demissões se os nossos Chefes de Estados-Maiores fossem franceses…
O importante a reter da atitude do general Cuche é que a demissão de um Chefe de Estado-Maior, para além de ser um dano colateral, é sempre uma lição de civismo e de verticalidade que a classe castrense dá à classe política. Assim, conclui-se que falta sentido pedagógico aos nossos militares mais graduados. Estarei enganado?

 

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por Luís Alves de Fraga às 10:27


6 comentários

De Victor Manuel Elias a 02.07.2008 às 13:09

Em Portugal, para nossa vergonha, quando um qualquer acidente/incidente acontece, se as forças chamadas da ordem se excedem... é sempre em resposta a agressões perpetradas pelos opositores. Um agente da BT dispara para detenção de um transgressor... lá tem o agente que justificar o acto... mas a associação sindical logo arranja maneira de o
justificar.
Em França há decoro por parte de quem responde pelas Forças de Segurança. Cá... olha-se para o lado ou procura-se bode espiatório que venha a ser responsabilizado.
Que mais se pode dizer sem que venhamos a caír no rangue rangue de sempre: A CULPA MORRE SOLTEIRA, PORQUE ASSIM O QUEREM OS QUE DAS COISAS TÊM ESSE CONCEITO.
Pobre Portugal, que tais Ministros/Chefes tens!

De jose antonio borges da rocha a 03.07.2008 às 09:03

Peço desculpa por contrariar o Meu Coronel, pois em Portugal os nossos Chefes Militares "ASSUMEM-SE"; quer uma prova? Pois bem...

Em 2004 Um Comandante de Unidade, hoje Major-General com altíssimo cargo VIOLOU A LEI, PERSEGUIU-ME PESSOAL E DISCIPLINARMENTE, PUNIU-ME, SACANEOU-ME, DESTRUIU-ME A HONRA, A DIGNIDADE, O CASAMENTO, A RELAÇÃO PATERNAL, A FAMÍLIA, ETC... e sabe o que fez o Chefe Militar: HOMOLOGOU AS DECISÕES DA CRIATURA E DESATOU A PRONUNCIAR-ME DISCIPLINARMENTE, PORTANTO EIS A PROVA DE QUE SE ASSUMEM...

Estão se cagando para a saúde os militares, para os vencimentos, para o sistema de avalaiação inócuo e podre, para o RDM com quase cem anos, para o equipamento, as missões, e tudo o resto, pois têm Carro, condutores, assessores, poder discricionário, fundo de maneio e outras "regalias" afins...

De Rui Saraiv Alves a 04.07.2008 às 22:35

Um « xeque-mate » é o lance que põe termo ao jogo de xadrez.

Em seguimento ao acontecimento de Carcassonne ; tiro com bala real em vez de tiro simulado, levou o Chefe de Estado Maior a demitir-se…estamos em França, bem sei e também ao que compreendi neste Blog…as coisas são assim mesmo…Latitude assim obriga !
Penso que a demissão do CEM Francês, não foi nem mais nem menos do que um P.P.O… . !
Se bem entendo, eu que não sou militar, em certas circunstancias o « ponto de passagem obrigatorio », o tal PPO, faz parte da missão de um Chefe e ao que se vê, pode até leva-lo à demissão ; em circunstancia civil ou em circunstancia militar o PPO é para Homens de Honra.
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Anónimo a 07.07.2008 às 14:27

Bem, se fosse cá, arranjavam desculpa, da desculpa, da desculpa, para ver se não teria sido por acaso algum ET que disparou com balas a valer....já é costume o jogo do empurra aqui nesta terra e ent-ao nas...forças aradas....rsrsrs isso nem se fala!

De A. João Soares a 07.07.2008 às 17:34

A nível de general já foi esquecida a tradicional norma de que «o comandante é sempre responsável pelo que a sua unidade faz ou deixa de fazer».
Os generais já não são comandantes, são apenas os impedidos dos políticos que os promoveram e nomearam.
Uma observação medianamente atenta faz compreender isto.
Abraço
A. João Soares

De Eduardo Paulino a 10.07.2008 às 15:46

É tudo uma questão de mentalidade,educação e formação. Dizia a minha Avó: "Vem do berço" e tinha razão.

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