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Fio de Prumo



Quarta-feira, 25.06.08

Família Militar

 

 
Alguém pouco ligado às coisas castrenses me perguntou outro dia: — O que é isso de Família Militar?
Não é fácil responder, assim de chofre, a esta questão colocada por quem desconhece de que consta a vida de um militar. Não é fácil, porque o vulgar cidadão ganha uma rotina de vida que só é alterada nas férias ou, quando é, na reforma. De facto, escolhe habitar num determinado local e trabalhar próximo ou distante e só por percalços inesperados — cada vez mais frequentes no nosso país e nos tempos que correm — poderá ter de mudar qualquer das duas constantes anteriores. Uma vez instalado numa determinada zona será comum os filhos crescerem por lá e por lá frequentarem as escolas, fazendo a sua preparação para a Vida. Se a fortuna o bafejou e teve cabeça e oportunidade para fazer poupanças, é provável que tenha podido arranjar uma segunda casa de férias, para onde vai em certos fins-de-semana e no mês de repouso laboral.
Ter uma vida assim, tranquila e certinha, entre os militares é pouco comum; diria mesmo que constitui excepção. De facto, em princípio, a área do território nacional é a da nossa residência permanente. Onde estiver uma unidade militar pode estar o nosso local de trabalho. Ora, tal condicionalismo leva a que se tenha de fazer opções: ou se fixa o agregado familiar a uma localidade e cada um de nós vai, depois, para onde o mandarem, ficando privado do contacto diário dos seus entes mais próximos ou, pelo contrário, desloca-os para a urbe mais contígua da sua unidade.
Na primeira escolha resolve sacrificar-se e sacrificar a família; na segunda, opta por sacrificar mulher e filhos, obrigando-os a uma nova reinserção social, beneficiando a família da sua presença sempre que o horário de serviço lho permita.
 
É meu Amigo um camarada que decidiu, há muito tempo, instalar a família no Entroncamento, por estar mais perto da Base Aérea de Tancos. Que me recorde, nos últimos quinze ou dezoito anos de serviço, esteve sempre colocado em unidades distantes daquela zona facto determinante de só ir a casa nos fins-de-semana. Não acompanhou a última fase do crescimento dos filhos, deixando à mulher esse encargo. Reformado, finalmente, está a envelhecer na casita que tem no Entroncamento. Confessou-me, há tempos: — Tive de reaprender a viver todos os dias com a minha mulher… Estávamos desabituados um do outro! O sábado e o domingo não davam para perceber como havíamos mudado tanto!
 
Depois, há as idiossincrasias próprias de cada Ramo das Forças Armadas. Realmente, em princípio, as bases aéreas estão localizadas próximo de zonas urbanas, tal como os quartéis do Exército, mas já o mesmo não acontece com a Armada: o militar embarcado distancia-se completamente da família e acresce que também pode ter uma mobilidade ao nível nacional mais ampla ainda do que a dos restantes militares — por exemplo, no caso de serviço em capitanias de porto. Todos estes factores estabelecem uma diferenciação quase abismal relativamente aos trabalhadores civis. É essa dissemelhança que tem de ser levada em consideração por quem governa, porque, sendo o militar um servidor do Estado, não é um funcionário público. Este tem rotinas duradouras e para aquele nada é garantido, estável e permanente. Por isso, na ausência de cada um de nós do seio da família esta tem de saber procurar sobreviver e essa foi a razão pela qual se criou e difundiu o conceito de Família Militar: na falta do marido, mulheres e filhos sabiam que lhes era possível socorrerem-se no momento preciso de todos os sistemas assistenciais militares — em especial do sanitário — disponíveis para suprir carências e soluções. Na ausência do marido e do pai a mulher e os filhos sabiam que, pelo menos, o apoio na doença estava assegurado em condições mais humanas e personalizadas do que nos hospitais onde acorrem os cidadãos comuns, até os que não têm ninguém.
 
É essa solidariedade, resultante de todos estarem sujeitos às mesmas contingências, que define o conceito de Família Militar. Até a viúva sabia que se pedisse auxílio às instâncias castrenses era atendida com respeito e dignidade. No seio da comunidade castrense tinha-se a certeza de se contar com apoios humanizados por força de uma consciência de rotação nos sacrifícios, nas dores e nos sofrimentos. Poder-se-á continuar a ter?
 
O conceito de Família Militar foi sendo construído entre nós no século XIX, quando o Estado ainda mal provia às necessidades dos seus mais nobres servidores, através de sistemas de mutualidade e de cooperativismo.
 
É este conceito que os Governos de Portugal, desde o tempo do não falado, mas jamais esquecido, ministro da Defesa Fernando Nogueira e, agora, destes dois — Luís Amado e Severiano Teixeira — encarniçadamente procuram demolir, retirando-nos todas as conquistas assistenciais conseguidas, ao longo de um século, à custa de muitos sacrifícios e, até, de sangue.
 
Não podemos assistir impávidos à destruição do que é nosso por direito. Não somos funcionários públicos! Por alguma razão, no tempo da ditadura, Marcello Caetano determinou a criação da Assistência na Doença aos Servidores do Estado distinta da Assistência na Doença aos Militares (diferente, também, para cada Ramo). Temos a mais abnegada das profissões, a única onde se jura dar a vida, se necessário for, para servir a Pátria.

 

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por Luís Alves de Fraga às 10:48


13 comentários

De Fernando Vouga a 25.06.2008 às 21:15

Caro Fraga

Esta sua crónica levou-me a fazer uma "viagem" pelos locais onde residi de 1958 a 1992. Não levando em conta as unidades mobilizadoras, se a memória não me falha, mudei de residência umas 22 vezes...

Um abraço

De Desmancha-prazeres a 26.06.2008 às 01:41

Senhor Coronel
Pode mudar-se inúmeras vezes de residência, pode-se, até, por circunstâncias várias, mudar-se de família tradicional, mas, dificilmente se muda de uma "família" que resultou de uma opção de vida que sobreleva tudo o mais.
Esta é a que se construiu no seio de vicissitudes partilhadas, que minimizando naturais e ocasionais divergências operacionais, permite uma consonância de entendimento tão "sui generis" que só em situações muito específicas, dramáticas e/ou espinhosas, encontrarão similitudes.
Melhor que eu, conhecerá situações de encontro de Militares, que mesmo pertencendo a diferentes gerações, de imediato encetam um diálogo que lhes é fácil e intimamente familiar.
Talvez aí resida a beleza do que, comunmente, com todas as consequências, se designa por Espírito de Corpo.
Espírito esse que só a inexorável lei da vida vence.
Mas, dessas coisas, a refractária, falsa, invejosa e relapsa orda política, pouco ou nada entende.
E vinga-se...

De Pica-Miolos II a 26.06.2008 às 13:35

Senhor Desmancha-prazeres
Contrariando o seu heterónimo, li com prazer o seu comentário.
Na verdade, como diz, a consonância de entendimento, resultante de vicissitudes partilhadas, só em situações muito específicas encontrará similitudes.
Claro está que sempre haverá "ovelhas ronhosas", designadamente as que vendem a "família" pelas mais variadas e conhecidas nuances do cozinhado de lentilhas. Até as há...estreladas, que, temperdadas pela horda política, lhes confere um aspecto assaz repugnante.
Quem as ingere atraiçoa o Espírito de um Corpo que dessa mistela não se alimenta.

De Pica-Miolos II a 26.06.2008 às 16:50

Corrigenda.

Onde se escreve "temperdadas" deverá ler-se "temperadas".
Pelo intruso e inoportuno "d" apresento as minhas desculpas.

De Carlos Nuno a 26.06.2008 às 10:58

Caro Amigo. Essa sua dissertação mais não é do que uma prosa pedagógica para quem, pertencendo à mesma " família" a renega e perverte o sentido da sua existência . Já em estudo da Sociologia ficámos a saber que desde a formação do ser humano se formaram famílias, depois no seu conjunto os clãs, com a finalidade de se protegerem, em suma, de se ajudarem. Terão estes "senhores" estudado esta disciplina?. Não poderia haver descrição mais clara do que a sua. É evidente que, segundo alguns testemunhos aqui já descritos, os "senhores" fazedores de leis, que se obstinam em nos chamar funcionários públicos, pese toda a consideração que esta classe me merece e que, do alto dos seus poleiros, quais ídolos nos seus pedestais, desconhecem em absoluto o que foram aqueles anos de amargura. Ao menos que escutassem quem sabe do assunto para poderem evitar as prepotências que agora nos aplicam. A Família Militar deveria ser intocável porque não é uma mera família como as que nos rodeiam e que representam um ramo de origem específico. É a Família única de um país e como tal deveria ser respeitada e venerada. Eu, membro dessa Família, sinto-me amesquinhado, desrespeitado, vilipendiado e tratado como lixo : como capacidade sobrante. Só me falta saber qual o ecoponto a que pertenço. É que o mínimo que um velho militar poderia ter como consolo no resto dos seus dias de vida era uma saúde dignamente assistida e encontra-se perante a triste realidade dessa assistência lhe calhar só como sobras dos outros. Eles cá chegarão. Um abraço.

De ângela a 26.06.2008 às 17:24

Senhor Coronel,
sou filha de militar do QP (agora na reforma), fui militar contratada (contra a vontade do meu pai) e sou casada com um militar do QP.
Serve esta introdução para lhe dizer que, desde sempre fiz parte da Família Militar e esse conceito está-me entranhado.
Quando os meus pais casaram arranjaram uma casa em Lisboa, mas o meu pai estava colocado em Águeda a fazer o curso para oficial, ao tempo, dois anos.
Durante toda a gravidez da minha mãe, ela esteve sozinha, com um marido que vinha de mês a mês, pois os transportes e as condições económicas não eram famosas.
Enquanto o meu pai esteve colocado em Lisboa, ou em Sacavém, nunca achei estranho que ele não estivesse em casa à noite ou que só o visse uns dias por semana e nem sempre aos fins de semana, por causa das semanas de campo, dos exercícios ou dos serviços de oficial de dia.
Era a minha mãe que ia comigo ao médico, que ia às reuniões da escola, que era mãe e pai...
Na minha adolescência vi o meu pai ser colocado em Braga e depois no Entroncamento. No primeiro caso vinha a casa de mês a mês e depois passou a vir de 15 em 15 dias.
E depois reformou-se... Com a Lei do Dr. F. Nogueira, ele cansou-se de ser "pau para toda a obra" e resolveu vir para casa. Até porque havia acabado de vir do Entroncamento e estava em primeiro lugar para um deslocamento para os Açores...
A adaptação foi terrível!
Um pai que antes era quase ausente (mas nunca pior pai por isso) passou a um pai demasiado presente.
Digamos que a minha mãe também estranhou porque passou a ter a tempo inteiro um marido que, antes, pouco parava em casa e com quem nunca se podia contar - nem em férias!!!
A mim, sucede-me o mesmo. Neste momento tenho um marido na Póvoa do Varzim, quando moramos em Lisboa. E nem quero pensar em ter filhos enquanto não houver um mínimo de "segurança" do local onde o marido será colocado, pois não quero passar pelo esforço tremendo que a minha mãe fez...
É isto a família militar!
É nunca saber se se pode contar com o pai/marido.
É sabê-los longe e, às vezes, em sofrimento físico e psicológico e não poder estar ao lado a ajudar.
E é nunca desistir deles! E adaptarmo-nos o mais possível a todas as circunstâncias...
Sabe, quando casei já sabia o que me calharia, mas, conseguir manter essa capacidade de adaptação de que falei ao início em todos os momentos não é fácil.
E ser tratada como qualquer outra pessoa que tem uma família regular também não ajuda nada. menos ainda quando, como já me aconteceu, sou apelidada de ser uma privilegiada pois tenho um hospital privativo e "bons" descontos em tudo e mais alguma coisa...
Não é ser corporativa, mas só quem cá está é que sabe o que se passa e como nos sentimos...
E o número de divórcios nos militares mostra que, na verdade, nem todas/os somos capazes de aguentar a situação...
Peço desulpa pelo alongar do texto, mas creio que se alguém o ler talvez possa compreender melhor o difícil que é pertencer à família militar.

De A. João Soares a 26.06.2008 às 17:45

Não tenho muito a dizer tal a qualidade e abrangência do post e dos comentários. Muito didáctico, uma lição para todos os políticos em que incluo os chefes militares.
Esse espírito de corpo e esse espírito de família (antes de partilhas!) é que origina a inveja e a perseguição dos políticos. Querem destruir a força resultante da união dos militares e os chefes militares colocaram-se ao lado dos políticos. Estes querem que o único clã seja o deles que ignoram valores, que não têm ética e que só olham para o próprio umbigo.
Com esta tendência dos políticos, o futuro do País está em perigo. Qual será a solução?
Abraços
A. João Soares (http://domirante.blogspot.com/)

De Camoesas a 26.06.2008 às 17:49

Há cerca de 3 anos, aquando das férias do senhor Primeiro ministro(safari) no Quénia enquanto Portugal ardia, escrevi um texto com a intenção de "direito de resposta" ao Correio da Manhã. Senti-me insultado e indignado com o que tinha escrito o senhor Emídio Rangel nesse OCS.

Desde já peço desculpa ao amigo Fraga pela extensão deste comentário mas, sinto que complementa o seu escrito com o qual concordo em absoluto. Permita-me a transcrição parcial do texto (que enviei ao C.M) que julgo demonstrar a diferença entre a família de um político com alto cargo e a de um simples militar da "classe média":

(...)O senhor Rangel, sentiu as limitações " As férias do primeiro-ministro, obrigatoriamente programáveis". Criou um cenário hipotético em que o primeiro-ministro teria deixado os filhos no Quénia ao cuidado dos leões e voltado ao nosso País para assumir as suas funções delegadas em António Costa, para não ter sofrido vergastadas, não tivesse sido malhado, não fosse alvo de croniquetas, atacado por jornalistas imberbes e arrogantes, gente pindérica e garotada, geração frustrada...
Por fim, o senhor Rangel, em jeito de ironia, comove ao sugerir ao senhor primeiro-ministro que "o melhor é não gozar férias, não se encontrar com os filhos, não ter vida familiar, para que os abutres não desçam dos penhascos onde se escondem."
Chorei!
Chorei também de raiva, mas apenas no coração foram derramadas as lágrimas, já estou "embrutecido" demasiadamente para ser assim tão sensível, sabe porquê senhor Rangel?
(…) não questiono as férias do senhor primeiro-ministro, tanto quanto sei, quando assumiu o cargo só jurou cumprir pela sua honra, não lhe foi exigido um juramento de sangue, que abdicasse de direitos de cidadania (como o direito à família), não jurou a permanente disponibilidade nem a entrega da própria vida, o senhor primeiro-ministro não está sujeito à condição militar.(…) eu, os meus irmãos e a minha mãe, não fomos deixados aos leões, mas, "nos únicos dias possíveis no contexto de um ano", por vezes, estávamos com o Zombie que regressava das terras dos leões e dos "papões" que podiam fazer com que ele não voltasse, histórias para crianças, esta dos papões, afinal nem na India os papões acabaram com ele.
Senhor Rangel, o Zombie ainda é vivo, está um pouco aparvalhado com lapsos de memória e viaja no tempo, sofre atrasos temporários de dezenas de anos e raramente o vejo.(...)

De Camoesas a 26.06.2008 às 21:13

A força da “família militar”

Partindo do princípio que existirão umas poucas dezenas de milhar de militares das Forças Armadas no activo, todos eles serão “adultos” o suficiente para serem eleitores.
Contando com os seus familiares (conhecedores e sofredores da condição militar) o número poderá ser dobrado simplesmente com os conjugues e no mínimo (contando apenas com um filho eleitor por casal) triplicado se juntar-mos apenas um filho em média por casal.
Teríamos assim, algo muito próximo de uma centena de milhar de ELEITORES facilmente ultrapassado contando com os militares na reserva e reforma (que apesar de serem agora considerados como “sobrantes” continuam a ter capacidade eleitoral) e respectivos cônjuges e descendentes. 200.000!
Obviamente esta seria a melhor prova da tão apregoada “coesão”, do espírito de corpo e obrigação institucional de preservação da dignidade das Forças Armadas, a que os militares são por lei obrigados. Muito próximo das duas centenas de milhar!
Apesar de não tanto atingida e humilhada, a Guarda Nacional Republicana também é constituída por militares, com os quais e se juntarmos os seus familiares eleitores… 300.000/400.000 votos!!
Não é minha intenção, por agora, “alargar” ou assimilar as famílias dos Agentes de segurança do Estado (PSP) também eles humilhados …
Meio milhão de eleitores (500.000) certamente fariam a diferença e a “revolução” necessária neste país e na mentalidade destes “profissionais da coisa política” que se revezam e alternam em compadrios de poder a dois!

Não! Não incito a qualquer espécie de revolta (nem admito a general algum ou dirigente partidário, com tal ser conotado), apelo sim, ao que os países supostamente desenvolvidos tentam (ou pelo menos dizem ) fazer nos outros países que sofrem opressão; a mudança através do “democrático voto”! A principal vocação e objectivo das Forças Armadas, não é a guerra mas sim, evitar que ela aconteça; civil ou por ameaça externa. Lutemos (família militar )com as armas legítimas que estão à nossa disposição, o voto!
Não sugiro uma “canalização” para esse meio milhão de votos, apenas uma constatação; seja a opção de voto transferida para uma das “equipas” da “segunda divisão”, qualquer que seja mas, que tenha na liderança, alguém com curriculum legal, com aceitação e credibilidade internacional não proporcionada pelo cargo que ocupa.
Alguém que não seja um “menino de ouro”… com pés de barro!

De Desmancha-prazeres a 27.06.2008 às 01:05

Camoesas
Lá que está bem pensado, está. Mas daí a ser levado a sério vai uma grande distância.
Não se esqueça que muita gente encara a fidelidade de voto como se de a adesão a um clube de futebol se tratasse. E quantos militares afinam por essa comprometida e abstrusa batuta? Tanto mais que no próximo ano é ano de "dar milho aos pombos"...
E, os pombinhos, como sabe, voltam sempre ao pombal onde foram, primitivamente, aduzidos.
Isto digo eu, que sou quem sou...

De Carlos Nuno a 27.06.2008 às 12:09

Senhor Camoesas . Não tenho ,nem nunca tive, aderência a qualquer linha ou partido político. Limito-me a observar o que vai à minha volta em matéria de governação que, sem perceber nada do assunto, me parece ser a pior de sempre. Pelo menos foi quem mais me tirou e quem mais me tem desconsiderado como velho militar reformado a quem, agora, classificam de material sobrante para ter direito à assistência médica. Não me retiraram privilégios como muita gente ainda pensa. Retiraram-me direitos adquiridos o que é diferente. Tudo o que se fala agora vem na sequencia das queixas vindas a público da assistência a militares prestada pelo HFA , dependente da ADM IASFA . Referia-se na altura que era humilhante ver velhos militares postados de madrugada à porta do HFA para conseguirem consulta para algumas especialidades. A porta só abria à 7H30 mas as pessoas iam para lá muito mais cedo para conseguirem uma posição favorável, face às suas necessidades e no conceito de conseguirem aquilo a que têm direito como membros da tal Família Militar. E isto era necessário porque há especialidades para as quais há um limite mínimo de vagas. Ultima solução : agora já se pode entrar directamente às 6H e tirar logo senha para começar a ser atendido a partir das 8H30 como dantes. Foi pior a emenda que o soneto. Dantes ia-se antes das 7H30 para ter uma boa posição na fila; agora é preciso ir antes das 6H para conseguir o mesmo desiderato. Que tal?. Isto é nitidamente brincar com o povo. Tive ocasião de dizer ao Senhor Sócrates numa das cartas que escrevi, parafraseando um seu correlegionário : maioria absoluta - JAMÉ- .Aconselhei-o a esperar sentado, fumando o seu cigarrito, mesmo em local proíbido. É que nas suas contas, Senhor Camoesas eu ponho mais alguns numeros. Cem mil professores, Funcionários Públicos, Forças Armadas,etç,etç, e as próprias Forças de Seguranças dos dois ramos, que também não têm razão nenhuma para andarem satisfeitas e que, pela sua contabilidade, são muitos, mas mesmo muitos votos.Cumprimentos.

De Jofre Alves a 28.06.2008 às 14:29

Um texto que muito me sensibilizou sobre uma realidade e vicissitudes que não conhecia, dada a minha condição de civil. Anda agora por aqui (Reino de Portugal) muita gentalha (governantes) apostados em destruir todos os vestígios de decência e dignidade e a força da Família Militar. Ainda em tempo: fiquei chocado com a notícia lida esta semana acerca da assistência sanitária aos utentes militares na reserva e na reforma do Hospital da Força Aérea, onde, por alegada incapacidade funcional, eram aconselhados a procurar cuidados de saúde noutros lados! Uma indignidade, que cuida as pessoas honradas como sobressalente e dispensáveis! Uma vil e apagada tristeza.

De João Mendes a 28.06.2008 às 23:25

Já leram?
http://alvarohfernandes.blogspot.com/search/label/Vasco%20Louren%C3%A7o

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