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Fio de Prumo



Quinta-feira, 22.05.08

O despacho do processo disciplinar

Fotografia retirada do Diário de Notícias

 
Foi sem surpresa que tomei conhecimento do despacho do general CEMFA dado sobre o processo disciplinar que ele próprio me tinha mandado instaurar. São longas as considerações que desenvolve para chegar à única conclusão viável e possível: o arquivamento.
Foi sem surpresa que tomei conhecimento do despacho, por vários motivos: antes do mais, porque, tal como eu digo, quase com sentido premonitório, logo no início do artigo que deu origem ao processo disciplinar (pode ver-se aqui) «Nada há de pior do que perder a cabeça quando se está a ter uma discussão. A emotividade é sempre má conselheira. Em contra-partida, a calma é a grande companheira da sensatez.»; depois, porque a inconstitucionalidade do processo era mais do que evidente e eu recusava-me a acreditar que as assessorias jurídicas do general CEMFA fossem ao ponto de o empurrar para uma situação mais crítica do que a existente ao determinar a abertura do mesmo processo; finalmente, a dimensão pública que o assunto assumiu foi de tal ordem que a insistência na punição disciplinar ia colocar, ainda mais, a Força Aérea nas «bocas do mundo»… e tudo por causa de um simples artigo que teria passado despercebido dos Portugueses se não fosse a vontade de punir o seu autor por ter ousado tornar público o que, para muita gente, seria conveniente fosse tratado no segredo dos gabinetes enquanto à chuva, ao frio, ao vento e ao calor doentes militares esperavam em fila, frente à porta de armas da Base do Lumiar, pela oportunidade de conseguirem marcar uma consulta (de certas especialidades) sob o olhar irónico dos civis que, a horas muito matutinas, por ali transitavam!
Não foi surpresa para mim, porque, desde o início, percebi que as «infracções» invocadas como tendo sido levadas a cabo no artigo eram vazias de sentido pois o que, efectivamente, «doeu», o que «magoou» foi a essência do mesmo e não a forma frontal como está escrito. Essa é ainda conhecida de muita gente na Força Aérea, também por ter sido louvada por dois antigos CEMFA’s e não provém dos muitos anos dedicados ao ensino militar, do culto da liberdade académica, nem de privilégios que a minha idade me possam conceder, nem da dúzia de anos em que me encontro na situação de reserva e reforma, mas do amor à verticalidade que caracteriza quem fez da vida castrense a sua primeira vocação e a aprendeu e exerceu perante militares desde a mais tenra idade no Instituto dos Pupilos do Exército e, mais tarde, durante trinta e seis anos, nas fileiras.
 
Arquivado o processo disciplinar, poderia dar público conhecimento dos termos do despacho do CEMFA; contudo, reservo-me o direito de o fazer quando e se achar oportuno para evitar expor, mais ainda, os pressupostos sobre os quais se pretendia fazer assentar uma inconstitucional punição.
Cabe agora — isso sim — no exercício do mais elementar sentido de justiça e gratidão mostrar o meu profundo agradecimento a todos quantos individual, particular ou publicamente me apoiaram e se solidarizaram comigo, não podendo deixar de dar especial destaque à Associação Nacional de Sargentos que promoveu, desassombradamente e sem reticências de qualquer espécie, uma sessão pública para deixar bem vincada a sua solidariedade.
Para todos vai o meu bem-haja.

 

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por Luís Alves de Fraga às 18:50


31 comentários

De Rui Saraiva Alves a 22.05.2008 às 19:43

ARCHIMEDES !?
Archimèdes no seu principio, define-nos a seguinte ideia :
Todo o corpo mergulhado num liquido, sofre da parte deste, uma força vertical, de baixo para cima, igual ao peso do volume do liquido deslocado.

Este é o grande principio que se aplica aos corpos mergulhados em liquidos ou aos corpos mergulhados em gases ; ou seja que barcos ou aviões, conseguem deslocar-se na àgua ou na atmosfera, graças à descoberta e aplicação deste grande principio… ; pois desde que a força vertical de baixo para cima seja igual ao peso do volume do liquido deslocado…as « coisas » encontram-se na plena harmonia ; os aviões voam, os barcos flutuam ; enfim, tudo vai bem.

Na Sociedade em que vivemos, poderemos aplicar este mesmo Principio de Archimèdes ao nosso dia-a-dia e se não ; vejamos :
Todo o « inteligente » mergulhado num recipiente de « imbecis », sobre da parte destes, uma força vertical, de baixo para cima, que é igual ao peso do volume dos « imbecis » deslocados !
Ou então :
Todo o « ateu » mergulhado num recipiente de « catolicos », sofre da parte destes, uma força vertical, de baixo para cima, que é igual ao peso do volume dos catolicos deslocados.
O problema deste Principio é que poderemos (infelizmente) ir muito mais longe … nesta aplicação ; tudo é questão de imaginação, porquanto Archimèdes não poderia ter feito melhor descoberta.

Como não ha regra sem excepção, gostaria de lembrar uma das muitas brincadeiras que a Mão da Natureza por vezes nos faz :

O abelhão, ou seja aquele insecto que tem um vôo bastante irregular, em zig-zag, que nem é abelha nem é vespa…é um insecto gordo e com asas bastante curtas, o que lhe dificulta o vôo.
Acontece que dada a sua compleição fisica,ddo ponto de vista técnico e fisico, este insecto não pode voar ; a razão, como dissemos é que ele tem excesso de peso a as asas são demasiado curtas…e por esta razão a instabilidade de vôo !
Porém, ele voa ( !) embora de forma irregular e pouco linear, ele bem o tenta, mas as Leis da Fisica não lho permitem…e aqui temos uma demonstração do principio de Archimèdes, é que o abelhão desloca um peso de volume na atmosfera que é inferior ao seu proprio peso de volume…então, consegue deslocar-se na atmosfera, mas com forte dificuldade.

E a este proposito, diz-nos o velho rifão popular :

- O ABELHÃO SO VOA PORQUE NÃO SABE QUE NÃO PODE VOAR !

Sei que entre Archimèdes e o nosso « abelhão », cada um vai tirar as suas conclusões.

Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

De Pica-Miolos II a 23.05.2008 às 10:18

Senhor Rui Saraiva Alves
A ironia é, de facto, uma das mais poderosas armas para combater a imbecilidade. Porém, a sua estrutura tem de assentar em pressupostos rigorosos, sob pena de correr o risco de virar-se contra o seu autor.
Se calhar, por incorrer no mesmo erro - de aplicar Arquimedes aos gases - é que algum distraído "abelhão" acaba por ter de fazer uma destrambelhada aterragem de emergência...
Peço-lhe que não leve a mal o reparo, que outra intenção não tem que não seja a de não dar armas a quem não as merece.
E, apesar de tudo, o "Maravilhas", também não.

De Rui Saraiva Alves a 23.05.2008 às 14:55

Senhor Pica-Miolos II,
Aprecio o seu humor a creia que retenho a advertencia que me faz...sobre a eventualidade de uma ”destrambelhada aterragem de emergência”...creia que tomei nota.
Bem sei, o perigo espreita-nos e...como bem sabemos, nenhum acidente é de origem inteligente.
Quanto ao Principio de Arquimedes aplicado qos gases, tomo a liberdade de apresentar um curto documento, do qual não sou o autor:

O balão aerostático funciona conforme o velho princípio de Arquimedes (aplicado igualmente aos gases), segundo o qual a força que permite a ele se elevar é igual à diferença de peso entre o ar atmosférico deslocado e o volume de gás mais leve que o ar contido no interior; ou seja, cerca de 1 kg por metro cúbico de gás. Compreendemos melhor, então, o enorme volume desses engenhos e a desproporção extrema entre sua parte flutuante e a carga útil transportada.
(de René Peyrolle, historiador)

Acredite Senhor Pica Miolos II que não é a pretensão de ironisar que me traz a este Blog; noto que é um espaço de liberdade cujo Olhar me parece justo e composto de participantes (na sua maioria) de opinião alicerçada em Experiencias que foram vividas, Serviços que foram prestados; Honra!
Não sou militar, conheço bem o Senhor Coronel Luis Fraga e como cidadão...(bom, o resto da minha frase, o Senhor Pica Miolos II ja sabe qual é !).
O “abelhão” não é distraido, longe disso.
A parte final do seu comentario, confesso que não a compreendi, pois não sei a que “Maravilhas” se refere !?
Fico-lhe grato pelo seu lado atento e faço minhas as suas palavras:
Peço-lhe que não leve a mal o reparo...porém, o que é facto é que o Principio de Arquimedes também se aplica aos corpos mergulhados nos gases.
Grato pela sua atenção, peço-lhe que aceite as minhas mais sinceras e cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves

De Pica-Miolos II a 27.05.2008 às 03:22

Senhor Rui Saraiva Alves
Este não será o local próprio para uma "conversa" de natureza científica, mas quero penitenciar-me da afirmação que fiz relativamente à aplicação de Arquimedes aos gases.
O meu raciocínio estava centrado nas aeronaves (e no seu Abelhão) onde Arquimedes, por si só, em meio livre, não voa longe.
De facto, os corpos imersos na atmosfera experimentam uma impulsão pneumática e, quando o seu peso é inferior ao ar deslocado - como sucede nos balões - adquirem um movimento ascencional.
Note-se que, neste caso, os gases leves, como o hidrogénio,o hélio, o metano, o gás de iluminação e o próprio ar quente, estão, relativamente, aprisionados num invólucro pouco permeável.
Mesmo aqui Boyle-Mariotte tem uma palavra a dizer no que se refere à pressão atmosférica. E não só. Muitos outros se debruçaram sobre o estudo dos fluidos.
O voo irregular do abelhão terá muito a ver com os condicionalismos impostos pela Aerodinâmica, designadamente pela inadequação das suas pequenas asas (versus massa corporal), também elas pouco configuradas com as exigências do Efeito Magnus.
O Abelhão que se apoie, ùnica e exclusivamente, em Arquimedes, por muito que queira, nunca passará do chão.
Talvez um dia possamos aprofundar o assunto...
Amistosamente, cumprimento-o.

De Rui Saraiva Alves a 21.06.2008 às 21:52

Caro senhor Pica Miolos II, como o senhor o diz, e muito bem, este Blog não é propriamente o lugar mais exacto para abordarmos a Fisica…ou outros pontos de vista enerentes a aviões, abelhões, ou outros objectos voadores, sim ou não identificados… !
Se fui buscar Arquimedes, a razão foi apenas de ordem metaforica e com um sentido direccionadamente zombeteiro, nada mais, e cujo comparativo me pareceu adaptado…
Muito embora os meus propositos nem sempre façam rir, originam por vezes o chamado sorriso amarelo, e foi esta a unica tentativa, aparentemente conseguida pois o acontecimento do processo disciplinar do Coronel Fraga ; confesso-lhe que não consegui, eu mesmo, impedir-me um sorriso bem amarelo e acompanhado de um pensamento bem positivo para Arquimedes !

Apreciei a sua auto-penitencia, quando me acorda a razão de Arquimedes, também, inteiramente ligada aos corpos mergulhados nos gases e agradeço tê-lo reconhecido, pois senhor Pica Miolos II, acredite que não havia razão para tanto…mas, bem sei : - ética assim obriga por vezes ( !) e fico-lhe grato pelo seu reconhecimento..

Boyle Mariotte, a que faz referencia, confesso-lhe que fui ver quem era e descubro que o seu trabalho se encontra inteiramente ligado à termodinamica…matéria que confesso desconhecer, mas que vem, todavia, confirmar e desenvolver a conclusão (bem anterior) de Arquimedes.
Quanto a Magnus ; o chamado efeito Magnus, é relativo à propulsão e cuja teoria foi mais tarde adaptada à pesquisa e ao desenvolvimento em balistica…sem duvida um outro dominio e cuja relação se encontra um pouco distante da de Arquimedes.
Pascal não tem propriamente relação com a ideia de fundo desta nossa curta troca de pontos de vista ; pontos de vista esses que sempre dependem, como bem o sabemos, da posição do observador.

Em conclusão Senhor Pica Miolos II, creia que depois do nosso ultimo encontro neste Blog, aprendi bastantes coisas ; pois sem esta nossa troca de impressões eu confesso-lhe que nunca teria tido qualquer razão para procurar Boyle Mariotte ou o efeito Magnus.
Como disse, limitei-me a falar de um abelhão que, como muitas das pessoas que conhecemos, voa e desconhece que não pode voar…
Fui buscar Arquimedes, porque penso que ja aconteceu a cada um de nos, de se encontrar mergulhado em recipientes cheios de situações, cuja impulsão pouco tem de inteligente e cujo volume deslocado…é para rir !
Mas, agora que as coisas estão esclarecidas e que ja sabemos quem somos…um e outro, aqui fica um forte e sincero abraço e uma porta aberta para abordarmos uma entrevista com Newton, Einstein ou mesmo…Bleriot, ou… Santos Dumont, porque não ?
Cordiais saudações.
Rui Saraiva Alves.

PS
Peço desculpa pela falta de sinais ortograficos com que se indicam os diferentes sons das vogais, mas tenho um teclado internacional que não me permite acentuar em Português.

De Pica-Miolos II a 22.05.2008 às 21:03

Senhor Coronel
Em primeiro lugar, felicito-o, e, através de si, todos os que consigo se solidarizaram.
Com que então o despacho foi o de Arquivamento?!
Eu, não sendo bruxo nem cartomante, bem me parecia que a "montanha" iria parir um rato...nado-morto.
Só tenho pena que a sua generosidade (para quem não a merece) o impeça de publicar o texto do despacho.
Pelo que escreve, não se me afigura que tenha sido, somente: Arquive-se.
Já tentei picar os meus próprios miolos tentando imaginar como foi descalçada a bota, mas não chego lá.
O asno devo ser eu. Paciência.

De Camoesas a 22.05.2008 às 23:12

Outro desfecho não seria de esperar!

Lanço-lhe o desafio de fazer alguma "contabilidade" depois deste infeliz caso.
Constato que neste momento que escrevo, o marcador de visitas conta 110033. Certamente terá alguma estatística deste seu blogue e conseguirá saber o número de visitas à altura em que foi notícia nos OCS;

Já se deu ao trabalho de verificar a média diária de visitantes antes de e a actual?

Atrevo-me a deduzir que o aumento terá sido não só significativo mas, muito mais que isso, enorme.
Certamente que passou assim, a ser O blogue de referência da Instituição Militar onde até os jornalistas em busca de notícias, pousarão frequentemente para beber algum nectar.

Veja as coisas pelo lado positivo; transformaram o seu blogue naquilo que mais teme o poder arrogante; a voz pública dos militares na defesa da sua dignidade!

Não estranhei o seu agradecimento à Associação Nacional de Sargentos mas, sendo o senhor um Oficial...
Bem, passemos à frente.

O que importa mesmo é que foi apoiado e defendido. Certamente esses "mexilhões" não esperam uma medalha ou promoção vinda de si, por algum outro motivo lhe mostraram solidariedade!

Será que se nota assim tanto a sua verticalidade?

Tenho a certeza que sim, bem haja.



De James009 a 23.05.2008 às 07:50

Meu caro Coronel,

Antes de mais, os meus parabéns pelo espaço que dirige, é um ponto de referência para todos os que têm uma vida castrense. Com este espaço sempre temos um pouco de história da vida militar e outra visão da mesma.

Com os meus tenros 10 anos de vida militar, não posso deixar de ficar indignado com o titulo de "mexilhão". Não nos vamos esquecer que foi um "mexilhão" que levantou a polémica com toda a dignidade. Porque como diz a sabedoria popular, "Quem se lixa é o mexilhão", e no caso concreto do HFA, grande parte dos utentes são mexilhões.

Com toda a certeza que não foi à procura de louros que a ANS mostrou a solidariedade, segundo o que conheço da instituição, sempre se debateu por expor as situações de maior injustiça.

Para concluir a minha humilde e singela intervenção gostaria de agradecer e dirigir breves palavras ao Sargento-Chefe Silva Nuno.

Caro camarada, notaram-se alguns ajustes após a sua carta, a mais saliente foi a responsabilização de falta a um consulta. Não foi grande o passo, mas já é um inicio.

Com isto me despeço na certeza de estar sempre atento a este Blog.

De Luís Alves de Fraga a 23.05.2008 às 08:21

Caro James009 ,
É meu hábito - que estou a quebrar com alguma frequência - não dar resposta aos comentários aqui deixados ou comentá-los. Todavia, para evitar uma polémica que julgo desnecessária, gostaria de deixar claro que o Sr. Camoesas é comentador habitual deste blog há vários anos e, segundo creio, filho de um sargento, facto que o leva a, por certo, respeitar aquela classe de militares. O uso do termo «mexilhão» interpretei-o, exactamente, no sentido popular; a interrogação sobre o apoio que a ANS me deu julgo-a mais retórica do que desconfiada, isto é, a pergunta é deixada no ar para que os leitores se interroguem sobre o facto de, não tendo eu poder para distribuir benesses por aquela Associação, o que é que eu terei que lhes despertou o desejo de se solidarizarem comigo?
O Senhor Camoesas é uma pessoa que ao longo dos anos, sendo polémico, se mostrou sempre respeitador e digno da minha consideração internáutica, pois até não tenho o prazer de o conhecer.
Dado este esclarecimento, espero que se não faça uma tempestade num copo de água.
Cumprimentos

De Camoesas a 23.05.2008 às 17:45

Caro Fraga, obrigado pelas suas palavras e pela correcta (mas não completa) interpretação que fez. Incompleta porque (e permita o jeito de resposta a James009) faltou-lhe ver ou deduzir estas entrelinhas;
Sendo o Senhor um Oficial, nada seria mais lógico e natural que a sua defesa (ou pelo menos consideração) pela Associação de Oficiais (AOFA). Foram os Sargentos (mexilhões) que promoveram a sessão pública de solidariedade, organizaram e compareceram em carne e osso no “Porto de Honra” em sua homenagem. Fizeram logo em 01 de Abril um comunicado inequívoco de apoio “Declaração de Solidariedade”, ao que se juntou somente 07 dias depois um da AOFA, assim como que disfarçado ou medroso “SITUAÇÃO NA ASSISTÊNCIA NA DOENÇA DOS MILITARES DÁ ORIGEM A PROCESSOS DISCIPLINARES”.
No comunicado da ANS pode ser lido: “Por tudo isto, vem a ANS afirmar publicamente a sua solidariedade para com um militar que, por defender princípios e valores que fazem parte da nossa formação comum (…) Afirmar que a mera opinião de um militar reformado ofende a coesão e a disciplina na FAP é admitir que o peso de toda uma instituição e seus chefes pode menos do que o comentário produzido num “blog”, o que é manifestamente incongruente.”
http://www.ans.pt/imagens/com_04_08.pdf
Manifesto cristalino e certeiro!
No comunicado da AOFA pode ser lido: “Abstraindo do enquadramento jurídico-constitucional da situação, trave-mestra que a deve balizar e sobre o qual existem fundamentados pareceres, importa apreciar as causas que estão na génese do facto ímpar de um oficial na reforma ver condicionada a sua liberdade de expressão através da disciplina militar.”
http://www.aofa.pt/comunicados/2008/ADM_PROCESSOS%20DISCIPLINARES%20Comunicado%202008ABR08.doc
Opaco, turvo e errante!
Talvez agora se perceba porque chamo aos Sargentos “o mexilhão”; porque estão “agarrados “ a princípios e valores que já lhes “renderam” 50 processos e outras lixadelas.

De Carlos Nuno a 26.05.2008 às 15:28

Caro Camoesas.
Eu, mexilhão, não interpreto de maneira depreciativa a designação e entendo-a, como a entende o Snrº Cor Fraga. É que a ANS, além de se solidarizar com o visado, estava a faze-lo para com um um camarada mexilhão como eles. A ANS, penso eu, não podia ter outra atitude que não estar ao lado de quem defendia um dos seus. Além do mais, sabendo-se qual a ascendencia paterna do SnrºCor mais a chama de solidariedade se acentuou. Agora, não há dúvida de que mais depressa se esperaria da parte dos seus pares um maior BOOM de apoio que, embora nalguns casos mais timidamente, de facto apareceu. No Martinho além de nós, mexilhões, estavam Oficiais Generais do tres ramos. É mais uma prova de que nem com os mexilões se deve brincar.
Um abraço.

De Eira-Velha a 23.05.2008 às 11:08

Os meus parabéns, meu Coronel.
Fez-se justiça, embora tivesse sido mais avisado não dar início ao procedimento. Sexa o CEMFA não sai muito bem desta lide.
Já agora, e uma vez que o processo deixou de estar no segredo dos deuses e emsmo sabendo que se reserva esse direito, peço-lhe para não se esquecer de publicar a douta decisão final.
Os meus cumprimentos.

De António José Trancoso a 23.05.2008 às 11:15

Meu Caro Alves de Fraga
Não te dou parabéns porque esses só se dão a quem é bafejado pelo acaso da sorte.
Como, desde o início, sempre te assistiu a Razão...
Aceita o meu fraterno abraço.

De Fotógrafo a 23.05.2008 às 13:24

Exmo. Senhor Coronel
Em quem estaria o Senhor a pensar quando foi fotografado?
Repare-se no seu olhar...
Se, por absurdo, recaísse em mim, sentir-me-ia pequenino... tão pequenino, tão pequenino...
Que a sua escrita, a sua coragem e a sua verticalidade nunca desmereçam esse olhar, são os meus mais sinceros e empenhados votos.
Bem haja.

De José Cruz a 23.05.2008 às 14:59

Meu caro Fraga
Acabei de ler há pouco no DN de hoje a notícia do arquivamento do teu processo.
Não vim aqui para te dar os parabéns, já que nisso estou com o Trancoso. Esta era uma vitória anunciada, dada a gritante diferença que as armas em presença tinham em matéria de tudo o que é elevado.
Apenas uma reflexão que a notícia me suscitou: quando se tem de dar o braço a torcer, parece-me que se deverá fazê-lo com elevação e sem reservas e não tentar distorcer as razões que a tal levaram, travestindo-as em magnânimas.
É que li lá que essas razões tinham a ver com o facto de a tua pessoa não saber o que dizia, dada a tua actividade prolongada no meio académico, com consequente afastamento do meio militar, e á tua já avançada idade (estou a citar de memória).
Que desproporção entre a pequenez do gato (que se pretende escondr) e a grandeza do rabo (que toda a gente vê)...
Um grande abraço e força para continuares a deliciar-nos com os teus escritos.

De António José Trancoso a 23.05.2008 às 19:44

Meu Caro Cruz

Só hoje ao fim da tarde tive oportunidade de adquirir o DN (de Lisboa) e tomar conhecimento (parcelar) da toada que transpira dos termos exarados no despacho.
Tiraste-me as palavras que, na tua boca de Homem Sério, Almirante e Juiz Militar, têm um peso incomensuravelmente maior.
De facto, aquele arrazoado, denota um mau perder que fragiliza a integridade de quem o produz.
O que é, porém, tão ou mais grave, é que nem uma palavra seja dita acerca do, desrespeitado, Preceito Constitucional!!!
Se este fosse um País do qual a Decência não andasse cada vez mais arredada, a (auto) demissão seria inevitável.
Um Chefe Militar, que menospreza a Constituição do seu País, incorre em algo muito mais grave do que aquilo que considera ser fruto da "senilidade" de quem o alertou e confrontou com o mau serviço prestado.
Aceita o meu saudoso abraço.

De José G. Tavares a 23.05.2008 às 23:39

Sr Coronel
Não sendo leitor habitual do DN e tendo estado privado de acesso á NET acabo de tomar conhecimento do despacho de arquivamento do infeliz e inoportuno processo. Embora outra saída não fosse de esperar, nestas coisas de justiça militar ... nunca se sabe.Bem aviisado andou quem assim decidiu, muito embora tivesse ficado tremido na fotografia. Mas reconhecer o erro também é uma virtude. Cumprimento-o e espero continuar a ler as suas análises aos temas mais "quentes". Zé Tavares

De A. João Soares a 24.05.2008 às 20:01

Não é motivo para parabéns, porque é pura justiça, um bom remédio para o erro de ter sido levantado o processo. Feliciito-o por ter passado o pesadelo, que, apesar de o resultado ser previsível, não deixou de ser aborrecido.
A serenidade e o bom senso são dons a preservar, como se vê neste post.
Continue para prazer dos amigos que o consideram.
Um abraço de muita amizade
A. João Soares

De F.Coutinho a 24.05.2008 às 23:51

esta é mais uma vitoria da razão, do bom senso, aquele que Descartes diz ser a coisa mais bem distribuída (discurso do método ) mas é também a vitória da união, da camaradagem e solidariedade.
estou muito feliz, por si, meu CMD e por todos nós militares.
Outras vitórias virão. Mais 50 camaradas esperam tranquilamente pelo "bom senso".
Um grande abraço ,para si, Senhor CMD e a todos os que de uma ou outra forma, contribuímos para mais um dia feliz.
Não me quero despedir, sem referir, de que me fica um gostinho de amargura, pela não publicação do dito despacho. Mas como pessoa sensata e inteligente que é, percebo que razões existem, para que assim tenha decidido e respeito-a.
Um grande abraço deste seu camarada e admirador.

De Pica-Miolos II a 25.05.2008 às 14:07

Senhor Coutinho
Salvo melhor opinião, o Senhor Coronel optou por "não bater mais no céguinho".
Também tenho pena de não conhecer o despacho mas assim o Senhor Coronel continua a posicionar-se num patamar que não é o do insensato.
O benefício supera o custo...

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