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Fio de Prumo



Terça-feira, 23.10.07

Duran Clemente nos “Prós e Contras” ou a Guerra Colonial mal contada

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Conhecemo-nos, somos Amigos, há nada mais, nada menos do que 53 (cinquenta e três anos), porque fomos condiscípulos no Instituto dos Pupilos do Exército, colegas do mesmo curso, companheiros do mesmo ano de entrada na Academia Militar. O Manuel Duran Clemente seguiu para o Exército e eu para a Força Aérea.
Estivemos envolvidos no 25 de Abril de 1974; ele, por força de circunstâncias várias, muito mais do que eu e com muito maior protagonismo, mas nada nos separou nem nada destruiu a nossa amizade.
Não tive oportunidade de o ver no programa “Prós e Contras”, mas pela explicação que fez questão de divulgar por um número escasso de Amigos, imagino a sua indignação.
É essa explicação — no estilo próprio de escrever do Manuel Duran Clemente — que hoje deixo aqui no «Fio de Prumo» para ser conhecida na blogosfera, pelo menos por todos quantos honram o meu blog com o favor da sua visita.
Prometo que eu próprio voltarei, um dia, a este mesmo tema.
 
 
Simplesmente GUERRA!
A operação "nó górdio"do século vinte e um!
 
apontamento sobre os "prós" dos "contra" a Liberdade,
ou como se vive uma época de mistificação e manipulação!
 
Não é o facto de ter caído numa armadilha, ao ter aceite o convite para estar presente, no último programa da RTP "prós e contras" que me obriga a este apontamento. É um desabafo e uma preocupação, sobre como no mundo de hoje é fácil para alguns mentir e branquear e para outros dialogar, apresentar elementos históricos provados e até poderem explicar com serenidade as causas da distorção, do erro, do engano ou maldade alheia.
 
O desabafo:
 
O formato e condução do programa não são sérios. Não vale a pena o eufemismo de referir isenção ou neutralidade, porque há muito esses princípios andam arredados de muito jornalismo escrito, falado ou televisionado!
Quem viu o programa, em causa, do passado dia 15 de Outubro terá constatado o favoritismo escandaloso entre, não só, o número dos escolhidos ou convidados "pró-guerra" e os de opinião contrária, como o tempo de antena dado a uns e o retirado (ou não dado a outros) pela moderadora (!?).
 
É preciso ter nervos de aço ou ser profissional da manipulação (ignorante) para não se ficar perturbado ao ouvir tanta distorção histórica, por parte de intervenientes zangados com o 25 de Abril e até ouvir um Embaixador, como o da Guiné-Bissau"reduzir o massacre das docas de Pidjiguiti (em Junho de 1959) em Bissau a uma mera reivindicação laboral. Não sabia que um dos principais activistas tinha sido Carlos Correia (mais tarde Ministro das Finanças e Primeiro Ministro), então trabalhador da Casa Gouveia (...não é nome que esqueça a um guineense com estas responsabilidades...) e ainda fui eu que (sentado próximo do Sr. Embaixador) tive de lhe servir de "muleta", ao sussurrar-lhe o nome desse "homem grande" e activista dessa greve, pessoa humilde, íntegra e patriota com quem tive o gosto de trabalhar e conviver durante dez anos de Cooperação em Bissau (desde o final dos anos 70 até ao dos anos 80).
 
Quem é que escolheu esta personagem? Este Sr. Embaixador que não sabe que Pidjiguiti representa mais de 50 mortos, de uma centena de feridos, dos sobreviventes deportados para S. Tomé, e que um mês e meio após este acontecimento ("apenas laboral" no dizer do Sr. representante de Bissau), já com Carlos Correia (e outros que conseguiram fugir) e juntar-se aos nacionalistas, comandados por Amílcar Cabral, a Direcção do PAIGC (ainda só P.A.I., ou seja, Partido Africano para Independência) abandonou a «acção política e social» e declarou -se a favor da luta conta o colonialismo português «por todos os meios possíveis incluindo o da luta armada» .Lê-se em declarações de Amílcar Cabral «a luta armada era a única resposta à força das armas e a acção não deveria ser desencadeada nas cidades... mas antes privilegiar a força camponesa». E foi o que aconteceu com escolas de formação, para quadros políticos, instaladas junto da Direcção política, no vizinho país, em Conakry.
 
«O ensino militar que vocês receberam, as armas que os colonialistas vos deram para matar a nossa gente, o material de guerra e as munições que estão em quartéis à vossa guarda. Tudo isso pode ser posto ao serviço da luta de libertação dos nossos povos. Estamos seguros de que é o que vocês vão fazer, com prudência, com cuidado e inteligência...» mensagem de Amílcar Cabral, em Outubro de 1960. Com o pseudónimo de Abel Djassi.
 
Numa outra mensagem aos colonos portugueses, Cabral avisa, «...o colonialismo português tem os dias contados e vós sabeis isso muito bem. Não deveis consentir, como homens conscientes, no absurdo de amarrar o vosso destino ao destino do colonialismo português....»
 
Ainda em 15 de Novembro o P.A.I. dirige-se ao governo português num memorando: «a via pela qual vai ser feita a liquidação total do colonialismo português... depende exclusivamente do governo português. (...) Ainda não é tarde para proceder à liquidação pacífica da dominação colonial portuguesa nas nossas terras. A menos que o governo português queira arrastar o povo de Portugal para o desastre de uma guerra colonial».
 
Não adivinhava Amílcar Cabral que esta característica de negociador (verdadeira ou insinuada) lhe iria ser fatal. Da facção militar guerrilheira, mais ortodoxa, sedenta de Poder, iria sair o plano para o matar em Janeiro de 1973, instigados ou não pelo boato, lançado pelas hostes spinolistas, de que ele, A. Cabral e Aristides Menezes, queriam ou teriam querido negociar.
 
 
 
A preocupação
 
Acrescento uma preocupação sobre os episódios que estão a passar, na RTP 1, sobre a Guerra (do Ultramar, Colonial ou de Libertação... ai.... a semântica e a dificuldade de passados 33 anos ainda haver quem tenha medo de chamar "os bois pelos nomes!!!")
 
Espero que a frase do Joaquim Furtado, que tenho como um profissional sério e íntegro, (na apresentação da síntese dos nove primeiros episódios, a que alguns de nós assistimos na própria RTP, na tarde de 15 próximo passado." ...de ter procurado, na realização dos filmes, não ferir susceptibilidades..." não resvale, no receio de magoar os responsáveis (quer da altura quer os seus correligionários actuais) exactamente aqueles que nos atiraram para aquela desgraça de treze (ou mais anos) e que ainda tentem "desonrar" o nosso 25 de Abril...como lastimavelmente esteve à beira de acontecer no famigerado programa dos "Prós e Contras" da passada segunda-feira, com a convergência dos factores já descritos no meu desabafo.
 
Entre os dislates ouvidos de saudosistas e conservadores ignorantes, destaco um que nos diz especial respeito. Alguém pretendeu pôr em causa a honorabilidade do nosso 25 de Abril, procurando apagar as suas verdadeiras razões para justificar a sua argumentação "revanchista" e falsa, com o argumento, de que só se fez o 25 de Abril por uma questão corporativa, por causa do Decreto-Lei 353/73...
Ora... Quantos de nós, já antes do decreto, havíamos começado a sentir a necessidade de acabar com a impostura???
 
Lembro-me do desabafo, já em Nacala — Moçambique (1970) — no navio Niassa, quando cerca de dez capitães, que eu já tinha visto passar por Nampula, acabados os mais de dois anos de guerra colonial, preparados para regressar a Lisboa, são forçados a interromper tal esperança e chamados (por Kaúlza) a regressar "ao mato" para integrarem a Operação "Nó Górdio"... perante o meu espanto, exclamaram: TEMOS DE ACABAR COM ISTO, ANDAM A GOZAR CONNOSCO...!!!
 
Lembro-me dos capitães que a partir de 1965, e particularmente após Maio de 1968, começam a informar-se mais e a dialogar melhor com a sociedade civil e com os alferes milicianos, enquadrando nas suas consciências as contradições do Regime, das revoltas abafadas desde 1927 até 1961, Chaves, Porto, Lisboa, Madeira, Beja. Das personagens Norton de Matos, Sousa Dias, H. Delgado, H. Galvão, e tantos outros.... Da efectiva mentira e da ficção do Grande Império (perdido a partir de 1580, mais perdido ainda depois de 1820 (Brasil), praticamente nas mãos da estratégia dos Ingleses, já desde 1640 - como paga da aliança primeiro contra Castelhanos e depois contra Franceses – e mais acentuadamente, a partir do século dezanove, proibindo o "mapa cor-de-rosa" e escoando e coordenando a exploração dos minerais, café, chocolate, chá... algodão, tabaco... portos e caminhos-de-ferro... etc. ... deixando "umas sobras para português ver" a algumas famílias nacionais, tudo isto com a benevolência dos nossos Ministros da Colónias e outras dignas altas esferas). Lembram-se que em Moçambique até o trânsito se fazia pela faixa esquerda como no Reino Unido???
 
Império sem gente, sem poder, sem motivação desenvolvimentista, sem meios materiais e sequer bélicos!!! É o que se encontra no princípio do século vinte, antes das ditas "guerras da pacificação" (1920/1930).
Timor -Leste, pouca gente se lembra, esteve nas mãos do Japão e da Austrália, mais de quatro anos de 1941 a 1945.
Pouco ou nada muda até o pós Segunda Grande Guerra.
As fronteiras das colónias são então demarcadas. A Casamança, dita portuguesa, na Guiné, passa para o Senegal, é trocada por uma parcela de pedras, a Leste, perto de Konakry, por despacho dum alto dirigente português a troco dum bairro em Paris.
Os países coloniais começam a resolver politicamente as inevitáveis descolonizações.
 
As "nossas" parcelas da Índia são defendidas com "chouriços" e não fora o bom senso de Vassalo e Silva teria havido um massacre inenarrável. Efectivamente, nem armas havia e quando alguns caixotes são abertos, felizmente são mesmo chouriços e outros produtos congéneres que se encontram. Conta quem lá esteve.
 
A Guiné estava na mão da CUF (Casa Gouveia) e o seu povo na miséria continuava. As riquezas exploradas, mancarra, arroz e cajú não davam para fazer escolas, hospitais, estradas, etc.. O desenvolvimento era nulo. (Estive lá, antes e depois da Independência)
 
Cabo-Verde tinha metade da população emigrante! (igualmente conheci, antes e depois da Independência)
 
S. Tomé e Príncipe vivia de "escravos" que alimentavam as roças dos senhores. Sendo das terras mais bonitas que já alguma vez conheci (estive lá em 1962) nem sequer as riquezas do café ao cacau e frutas serviram para desenvolver. E o turismo tinha a desculpa do paludismo e do clima equatorial.!!!! Leia-se o livro o Equador de M. S. Tavares e já entenderão porque é bom não esquecer os nosso velhos "aliados ingleses" e um pouco do que era a realidade, agora ficcionada pelos saudosistas.
 
 
Era este o Império onde em Angola (14 vezes maior que Portugal) em 1960 havia 1.500 militares portugueses e cerca de 5.000 africanos integrados. Onde o desenvolvimento à semelhança de Moçambique (nunca sustentado nem coerente com as potencialidades naturais) começou a dinamizar-se com o início da Guerra Colonial. Era precisa autorização do Terreiro do Paço para tudo e para nada, com medo da independência Branca e Unilateral. Também conheci estas duas colónias antes e depois das suas Independências. Até para uma "barragem agrícola" era preciso licença de Lisboa... Assisti a isso.
 
Os capitães, da geração do 25 de Abril, foram sabendo isto e muito mais, nas três frentes de combate. As grandes potências tinham ou estavam a perder as guerras semelhantes (Indochina, Argélia, Vietname) e a célebre APSIC (acção psicológica) colocou o capitão muito próximo do então "terrorista". Na quadrícula, o capitão não era só chefe militar no terreno, era uma personagem com um vasto leque de missões de carácter civil. Nesse entrosamento apreendeu e aprendeu que o verdadeiro inimigo estava no Terreiro do Paço. Viu de perto, durante excessivo tempo, o que certos saudosistas, já não inebriados "com a cruz e a espada contra o sarraceno" não quiseram ver porque não arrancaram a armadura vestida nos quartéis (antigos conventos) e talhada com atributos "moralizadores, pedagógicos e cívicos" para o cumprimento de missões transcendentes, defender uma legalidade constitucional e garantir a independência da Nação, una e indivisível. Isso substituiu o que se perdeu de "teológico" (a cruz e a espada). Há que compreender que o "velho" militar, que tal assimilou, dificilmente possa desconstruir em si esta assimilação, sentimento, dinâmica ou vulgo "lavagem ao cérebro". A culpa não terá sido sua mas do sistema. Quase me arriscava a solicitar a condescendência.
 
Lembro-me de capitães e primeiros-tenentes que encontrei no Congresso do MDP/CDE em Aveiro, em Março de 1973, e dos que já antes se interrogavam, na hipótese de acção, mesmo em 1969.
 
Lembro-me de ter chegado a Bissau, por castigo, e de ter começado, no dia seguinte, com outros capitães, a conspirar, sem saber da existência de Decreto nenhum. Não vou negar hoje que a saída deste célebre 353/73 nos deu jeito, mas como é que ele era corporativo se só dizia respeito às Armas de Infantaria, Cavalaria e Artilharia? Foram só os capitães destas que se revoltaram? Claro que não.
Desde logo se solidarizaram outros capitães e equivalentes de outros Ramos da FFAAs. Capitães de Engenharia, Administração, Transmissões, Saúde, Material, etc... e da Marinha e Força Aérea, no sentido de em conjunto se aprofundar o que estava em causa.
E o que estava em causa?
Uma Guerra perdida politicamente, porque os políticos não estavam nem com os ventos da História nem com o povo (e deste nós, os militares de carreira, com duas, três ou mais comissões, fora do ar condicionado, cansados da mentira e da hipocrisia... e bem assim os conscritos desmotivados e acomodados).
 
Enfim muito para dizer e que já é repetição. Mas as novas gerações merecem a Verdade.
 
Citando Alexis de Tocqville convém não esquecer que "as revoluções que triunfam fazem desaparecer as causas que as produziram e tornam-se por isso incompreensíveis para as novas gerações".
 
Isto para dizer que se assim for e se os episódios de Joaquim Furtado se remeterem apenas ao seu profissionalismo de contar uma «história» sem o devido enquadramento Histórico, ou seja, se estiver em perigo essa Verdade e ousar-se o branqueamento do trágico erro Histórico que foi a Guerra Colonial e da ficção do Grande Império, julgo que a A25A não pode ficar calada.
 
É uma especulação académica, um exercício de estilo, discutir se foi Guerra do Ultramar, Guerra Colonial ou Guerra da Libertação.
Para mim, foi guerra Colonial. Mas o mais importante é que foi uma guerra ordenada e mantida por um governo retrógrado, liderada por um chefe rural e retrógrado que tão mal fez a Portugal... cujos efeitos nefastos ainda hoje se sentem.
Os povos em confronto ganharam a guerra da Liberdade... mas ainda não ganhámos (lá e cá) a Guerra da Igualdade e da Fraternidade.
É aí que está um verdadeiro "NÓ GÓRDIO do século XXI.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 14:57


10 comentários

De jose antonio borges da rocha a 23.10.2007 às 19:09

O Moral não se compra no hipermercado, nem se adquire por louvores ou especiais encómios de circunstância, pelo contrário sente-se como se sente um eflúvio “espiritual”, como uma presença inacessível mas permanente e quotidiana, uma espécie de herança ancestral legada geneticamente, um legado de patriotismo.
E, tratando-se dum conceito-sentimento que quantifica uma grandeza não facilmente descritível, há que engendrar alavancas que o façam enrijecer e favoreçam a emersão à superfície da consciência de cada militar de alta ou baixa patente, e entre essas alavancas possíveis algumas há que estão disponíveis a todos, e especialmente àqueles sob quem impende a responsabilidade de tão delicada matéria, como seja a crença na missão, a confiança nos chefes, em si próprio e no camarada do lado, um encontro de um com o outro e de todos com todos, uma espécie de exercício de magia que nos cria arrepios de pele e nos emociona como quando ouvimos o hino., e é este conceito mesclado de sentimento que contém uma vertente indiscutivelmente administrável e que, quanto a mim, tem sido mal gerida (externa e internamente) e que desde há muito tem levado à corrosão por deficiente acção ou até grave omissão de chefes e comandantes que têm fixado o seu olhar menos na farda e na realidade militar que comandam e mais no umbigo, no gozo dum mandato, na tara de privilégios, qual freio para segurar jubilações.
E é este trilho primário, que exorta e aplaude o instinto das tripas e que há muito está esgotado, que estimula a criação de correligionários ambiciosos dispostos a acreditar na aura oligárquica, fomentam o seguidismo, em detrimento do contraditório, acreditando ser a via mais curta para a progressão material.
No palco do espaço e do tempo vemos estes actores, geradores da dinastia dos oportunistas, que não hesitam em maltratar jurídica e administrativamente os inferiores (hierárquicos) que se lhes opõem.
A Tutela esfuma-se, parecendo uma miragem apenas.
A Tutela, primeiro entre os deveres militares, princípio fonético estéril mas lindo de ouvir e por isso a sua grandeza simbólica continua a ecoar no meu espírito cada vez mais descrente, recusando aceitar a inevitabilidade de não passar dum edílio puramente normativo.
O regime nasceu dum golpe militar, mas não é verdade que a causa primeira da rebelião efemerizada tenha sido a abolição do regime propriamente dito, mas antes a solução para um conflito que o tempo fazia arrastar cansando o estímulo nacional e saturando a solidariedade internacional.
Nesta versão, a visão dos golpistas foi em síntese “cumprir” militarmente uma solução “política” à qual os políticos se sentiam incapazes de adoptar ou em alternativa angariar, porém, dir-se-á ainda que, e por outro lado, e como toda a moeda tem duas faces, os ditos golpistas, cumprida a missão viragem histórica (fim da guerra dita colonial e consequente descolonização), deviam ter garantido, se necessário pela força que então tinham e agora não passa de miragem ou sonho (em rigor pesadelo), a reclamada “descolonização” cultural, premiando a democratização passo a passso à luz de seguros acordes sociais, políticos, jurídicos e administrativos, à velocidade da história ainda que comparável à do caranguejo, mas com tal atitude teriam evitado ou reduzido os prejuízos causados pela captura sem freio do poder, pela guerrilha ideológica que tanta e tão marcadamente feriu e clivou a sociedade, o estribo de soluções miraculosas atiradas para o ar pela vingadora da diáspora regressada com o vento a favor.
Por falta de vontade ou incapacidade, a verdade é que não o fizeram e com isso podem ser co-responsabilizados pela psicologia de destruição do património de soberania e da ancestralidade tipicamente lusíada e lusitana – cujo remanescente ainda sobrevive na Diáspora Moderna -.
Psiquismos de regimes toldados por disputas somáticas.
Disputas de ontem e de hoje.
Querelas que o tempo esconde mas cujas marcas povoarão o futuro convocando um pesado regimento de consequências que escurecerá, para todo o sempre, as causas e os causadores.

Trata-se duma reflexão em saldo e que não pretende o julgamento de ninguém se não o do próprio...
Saudação

De João Raposo a 23.10.2007 às 21:09

"O formato e condução do programa não são sérios. Não vale a pena o eufemismo de referir isenção ...".

Palavras "sábias" de quem sabe o que é manipular, distorcer e fingir na RTP.

Este senhor coronel-proveta " julga que todos são burros e já esqueceram o que o DN relatava:

"No dia 25, o (então) capitão Duran Clemente - segundo-comandante da Escola Prática de Administração Militar, que tinha ocupado a RTP - falava em directo na televisão, explicando as teses da facção mais esquerdista. De súbito, começa a dizer que lhe estão a fazer sinais, pois parece que há problemas técnicos, anunciando que voltará ao ar quando tudo estiver resolvido. Entretanto, a imagem do oficial fardado é substituída pela de Danny Kaye , no filme O Bobo da Corte."

Há quem tenha perdoado mas NÃO ESQUECEU a sacanice e falta de ética dos “revolucionários” de 75.

O programa referido foi um flop " não porque tenha havido manipulação (Matos Gomes teve a seu crédito, à vontade, um quarto do tempo do programa e foi a única voz lúcida) mas porque a impreparação foi manifesta.
Como li algures, fez-se
“uma análise parcial, pessoalista , distorcida, demasiadas vezes sem nexo e, por vezes, nas margens da reivindicação ou da psicoterapia e do shrink ” reservados às relações mal resolvidas."

De José João Roseira Coelho a 24.10.2007 às 18:33

Acho que conheci bem de mais o Manuel Duran Clemente, com quem convivi intimamente durante uma meia dúzia de anos... Desde a AM que tenho pena de o ver desperdiçar tanta inteligência e, claro, muitas dúvidas relativamente à seriedade de tudo quanto ele dizia e continua a dizer...

De Camoesas a 24.10.2007 às 20:34

Há muito tempo que esse programa "Pr´s e Contras" perdeu a credibilidade junto daqueles que querem e sabem estar informados; pelo menos desde que convidou uma legítima representação de militares e lhes "ofereceu " a parcial medida de "participar" em diferido, sem direito a diálogo e até noutro espaço físico...
...Se isso não foi parcial...

A História é feita no presente .No futuro apenas se reza aquilo que os dominantes políticos queiram e possam comprar!

De António José Trancoso a 24.10.2007 às 21:01

Participei na Guerra Colonial, no norte de Moçambique, de Outubro de 65 a Dezembro de 67, incorporado no BatCaç nº1870.
Podia tê-lo feito no "ar condicionado" de Lourenço Marques, tal como o perene Regente da Madeira, "esforçada e psicologicamente, combateu" na Regional Fortaleza Filipina denominada de... S.Lourenço.
Para isso, no vasto leque de ligações familiares, não me faltavam, à Direita, "razões" de elevado peso...
Consciente, já, da injustiça de uma Guerra, corolário de inúmeras e seculares injustiças ( a primeira das quais se consubstancia na apropriação indevida de
territórios alheios) entendi que nada me autorizava a usufruir de um privilégio negado a centenas de milhar de jovens portugueses.
Assim, contra a cega e estulta agressão, fui solidário com a "Carne para canhão".
Tenho a Autoridade, necessária, para me pronunciar.
Aprendi, no terreno, o que outros, ao invés, vão, teoricamente, decorando numa cartilha eivada de perversos e soezes sofismas.
É muito fácil "combater" nesse "teatro de operações".
Neste contexto, pouco dignos são os seguidores de Brandões e quejandos.
Que, tal como nas "Conferências da Cooperativa", se larga a peçonhenta verborreia e, a coberto de compromissos inadiáveis, se escusa ao desmascaramento do veneno.
Não é decente quem, deliberada e perversamente, assim procede.
De lamentar o facto de se nos deparar, como interlocutores "credíveis", os que se acomodaram à forma, e ao molde, "habitual de pensar".
De louvar os que, das peias e das formas, se foram, inteligentemente, libertando.
Nestes últimos incluo O que, aqueles outros, maldosamente, denominam de proveta.
A ingratidão é uma coisa tão feia.




De Manuel Santos a 24.10.2007 às 23:27

“Prós e Contras” – Programa na TV
Recordando o Comunicado 18/2006
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE SARGENTOS
….
Portanto, desde a Providência Cautelar que apresentámos e o modo como este processo decorreu, até à saída de detenção do nosso camarada David’ Pereira, a visibilidade que mereceu, tudo isto, também contribuiu para que se anunciasse que o tema do último programa da RTP 1, “Prós e Contras” fosse relativo aos problemas que afectam a Família Militar.
Por isso mesmo, foram os dirigentes da ANS repetidamente contactados pela produção do programa, solicitando a nossa presença conjuntamente com as outras associações sócio-profissionais (AOFA e APA), sem contudo assegurar que tivéssemos oportunidade de intervir. Todos estamos lembrados da participação “exilada” no ano passado, neste mesmo programa, também aí previamente gravado, a partir da Casa do Alentejo!
A hora do início da gravação do programa, que não foi transmitido em directo como se quer fazer crer, coincidia com a hora de saída do nosso camarada David’ Pereira, a quem quisemos receber. Foi claramente explicado à apresentadora e à produção que, entre a solidariedade devida a um camarada injustamente detido e a participação no programa, a opção não levantaria dúvidas!
Hoje, conhecedores do rumo que o dito programa tomou, conhecedores atónitos do tipo de intervenção que alguns dos participantes e especiais convidados tiveram, desrespeitando as Forças Armadas, o poder judicial e a própria democracia, de que usufruem sem respeito, temos a clara convicção que dificilmente a ANS em particular, e o movimento associativo em geral, sairiam prestigiados, tal a forma soez como se tentou atacar a ANS e os seus dirigentes, e a APA.
Em consciência, julgamos que, participando com a nossa ausência, defendemos a dignidade das Forças Armadas, da ANS e dos Sargentos de Portugal.
Unidos, determinados e confiantes vamos conseguir defender a Condição Militar!
05 de Dezembro de 2006
A Direcção

De vitor simões a 10.04.2008 às 22:28

Perante os acontecimentos, e como militar da FAP na reserva, sinto que um destes dias, por motivos semelhantes, posso ser eu a ter um processo às costas.

Para não me alargar, porque a PIDE está à espreita, desejo-lhe um final feliz neste episódio do arco da velha.

De Hilario Peixeiro a 20.05.2008 às 12:05

O mal dos Duran Clemente é que nao foram revolucionarios por serem jovens. Foram-no por razoes que nao sabem explicar ou nao querem admitir. Se nao , mais tarde ou mais cedo, percebiam que as ditaduras e as sociedades capitalistas, para alem das injusticas e miseria que sem duvida originam, deixam existir a esperanca de mudanca e que os totalitarismos nao so banalizam as injusticas e a miseria como, mais grave, matam qualquer esperanca de mudanca . Como e que alguem tao esclarecido quanto aos males da ditadura se entrega de alma e coracao na defesa de um totalitarismo com milhoes de vitimas nas costas? Diz o Duran Clemente que conheceu as nossas colonias antes e depois da independencia mas ficou-se por aqui. Eu que so as conheci antes e nao gostei, desejava ver mencionadas as diferencas que encontrou. Certamente povos muito mais felizes, prosperos e cultos, agora. Podia te-lo dito mas, certamente por modestia , nao o fez, porque ele foi dos que mais se bateram pela saida imediata dos portugueses apos o 22A deixando atras de si as independencias e o caos. É concerteza para aqueles povos um dos seus maiores herois . Se ele tivesse sido vencedor no 25N , hoje, com o poder popular implantado, seriamos um pais tao desenvolvido, prospero, culto e socialmente avancado , como as ex colonias que ele tanto ajudou..

De Diamantino de Almeida Santos a 29.01.2011 às 22:40

Este texto é absolutamente coerente com as ideias do então alferes Clemente, em 1966, quando foi meu instrutor na EPAM, ao Campo Grande. Posso ter esquecido, nestes anos todos que passaram, outros militares que me ministraram o sensino; mas este não.
Naquele tempo, quem falasse como ele falou sobre estes temas, poderia ter a PIDE à perna. Mas aprendi com ele e jamais esqueci o que me ensinou. Bem haja "meu alferes". Tudo o resto que se formou à volta da guerra colonial, de que fui parte entre 1967 e 1969 em Moçambique (Mueda e Lourenço Marques), são coisas que dificilmente retratam a realidade do que se passou e do que esteve por detrás da manutenção de uma guerra que seria sempre perdida. Quando desembarquei em Mocímboa da Praia, no Cabo Delgado, o que mais me impressionou foi a fila que estava formada à porta do quartel, formada por nativos andrajosos, sujos, cheios de feridas, que com os mais diversos recipientes, aguardavam que lhes fossem dados os restos do rancho dos militares. Então era assim que se fazia a acção psicológica junto das populações?
Um abraço e o meu obrigado

De ribas a 31.03.2014 às 16:36

Os pseudo-heróis, safaram-se. Governaram-se e governam-se a seu bel-prazer, enquanto a maioria do povo não tem onde cair morta. Dizem-se heróis, mas de barriga cheia, porque depois do dia marcado, muitos deles na escala etária dos 30 anos, nada mais fizeram na vida. Olharam pela vidinha em prol da pseudo-democracia, que não existe. Eles deixaram de ser perseguidos, mas ficaram com o nó na garganta, peseguindo quem se oposesse. Quem queria meter no Campo Pequeno aqueles que não se identifavam com os militares reacionários? O que fez MFA em Angola? Antes da independência, fui e enquanto militar, ameaçado 3 vezes. A primeira estive detido na PM durante 9 horas; a segunda fui ameaçado por um bando de malfeitores no bairro do Prenda e a terceira, uma arma apontada ao peito, supostamente por um militar do MPLA, por não ter parado ao içar da bandeira deste grupo. Porque se deu o caso Vila Alice? Porque morreeram brancos e pretos, antes e depois da independência?. .. Cobardia daqueles que compunham o MFA, tanto lá como cá...

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