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Fio de Prumo



Quarta-feira, 10.10.07

Tiques de despotismo

José Sócrates fala às criancinhas, na Covilhã.

Fotografia do Correio da Manhã

 
Durante os trinta e três anos que já levamos de democracia em Portugal — incluindo os do PREC e do suposto assalto ao Poder por parte do PCP — só em duas épocas distintas tive o claro sentimento da existência de tiques de despotismo por parte do Governo: no Executivo de Cavaco Silva (quando ganhou as eleições legislativas por maioria absoluta) e no de José Sócrates, por se terem verificado circunstâncias idênticas.
 
Com Cavaco Silva falou-se de arrogância do Poder; agora, com Sócrates, estão evidentes certos sinais de acção despótica que vão para além da simples arrogância: acções persecutórias de pessoas ligadas a cargos públicos ou da Administração, processos contra a liberdade de expressão, buscas policiais fora de propósito — como foi o caso da que aconteceu há poucos dias na Covilhã — total desrespeito do cumprimento das Leis que não são convenientes — o caso das remunerações e compensações dos militares — e mais um significativo ramalhete de actos que, felizmente, ainda alguns órgãos de comunicação social vão pondo a claro.
 
Este é o mal de se porem todos os ovos no mesmo cesto! Os Portugueses não aprendem que têm de impor ao centro político — Partido Socialista e Partido Social-Democrata — as extremas: direita e esquerda. Só que a conjugação deve ser bem feita; não é conveniente juntar o PPD/PSD com o CDS, porque isso corresponderia ao desequilíbrio social do mundo do trabalho, orientando-o para um rumo que simplesmente satisfaria as aspirações da finança e do grande capital em detrimento dos assalariados. De qualquer modo, no presente momento, a quase destruição do Estado-providência está consumada em Portugal e disso se encarregou os Partido Socialista para poder alinhar com a União Europeia onde começa a imperar o mais desenvolto neoliberalismo, mesmo nos Estados onde era tradição a larga protecção social.
Na conjugação do PS com a extrema que lhe está à esquerda poder-se-ia encontrar um equilíbrio salutar para os trabalhadores — e quando dizemos trabalhadores estamos a pensar em todos os que vivem de salário dependente de um emprego — sem que os empregadores fossem excessivamente penalizados.
 
Esta conjugação de esquerdas é difícil de se concretizar em Portugal, porque culturalmente existe no inconsciente nacional a repulsa pelo comunismo e comunistas; 48 anos de uma ditadura anticomunista, seguida da afirmação socialista à custa da exploração desse mesmo medo, geraram receios que, hoje em dia, não têm fundamento — não mais é possível caminhar, na Europa, para um modelo do tipo soviético, de partido único e colectivização da propriedade dos bens de produção. Não tem fundamento, porque, por muito que se afirme comunista de linha dura, o PCP, sociologicamente, é já só um partido trabalhista, ou seja, um partido que se tem de colocar na trincheira da defesa dos interesses de todos os trabalhadores, daí o facto de, cada vez mais, assistirmos a um discurso político — e, principalmente, a uma prática — muito próximo do que é feito pelas centrais sindicais. Historicamente, quem se afastou da sua vocação trabalhista foi o PS e só assim se explica o aparente êxito político do Bloco de Esquerda, concentrando nele todos quantos ainda culturalmente receiam o comunismo, mas já se não identificam com a praxis socialista.
 
José Sócrates tem ajudado de forma muito clara ao engrossamento do Bloco de Esquerda e ao descrédito do PS como agrupamento político capaz de, recuperando a economia nacional, garantindo a estabilidade social e económica dos Portugueses. Os aplausos que recebe vêm naturalmente dos sectores que se sentem confortáveis com o alargamento da política neoliberal, os quais passam pelos detentores da alta finança e por todos quantos dela beneficiam como meros capatazes de alto gabarito social.

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por Luís Alves de Fraga às 12:10


13 comentários

De António José Trancoso a 11.10.2007 às 01:07

Caro Alves de Fraga

Tiques de despotismo?!
Quais tiques, qual carapuça!!!
Esta "nomenklatura", que se apoderou do Partido Socialista, há muito que se deixou de pruridos dessa natureza.
Obtido o Poder Absoluto, rapidamente passou do tique...ao "tacão" na garganta do Cidadão Comum.
São, de facto, estes Cidadãos, os Comuns (e não, e tão só, os Comunistas, como Sócrates pretende) que, desenganados e arrependidos, da confiança depositada nas urnas, expressam, indignados, o seu profundo desencanto e descontentamento.
Estado de Direito!?!...
De Direito, para quê e para quem!?!
Para renegar os Princípios e Valores subjacentes ao propagandeado "Socialismo Democrático"!?!
Ah! Pois, pois...a gaveta, a célebre e ampla gaveta....
Quando se perde a Vergonha, perde-se para sempre.

De José a 11.10.2007 às 11:09

Sr Fraga
É com muita satisfação que vou lendo o seu blog, de uma actualidade a toda a prova, concordo totalmente com o que escreve.
É com pena que vou vendo o que se passa, e pergunto onde andam certos politicos, nomeadamente Manuel Alegre, Mario Soares, Jorge Sampaio, etc etc etc.
Recordo alias uma afirmação em tempos de um destes politicos por acasião do governo de S Lopes que o país estava perto de um GOLPE MILITAR, pergunto, qual a situação actual? memória curta .........

De jose antonio borges da rocha a 11.10.2007 às 11:26

Caro camarada Fraga.
Vou aproveitar este espaço para produzir um desabafo sentido.
Hoje comemora-se o DIA DA VERGONHA.
Sua Excelência o Presidente da República decide: "Decreto do Presidente da República n.º 106/2007, D.R. n.º 196, Série I de 2007-10-11
Presidência da República
Promoção ao posto de Major-General do Coronel Tirocinado de Transmissões Rui Manuel Xavier Fernandes Matias".

Pois saiba V. Ex.ª e todos os concidadãos que este senhor NÃO TEM PERFIL PARA GENERAL: é mentiroso, prepotente, falso, hipócrita, cudilhota, incompetente, etc.

Para saber mais sobre ele, veja-se: www.arguidocastrense.blogspot.com DESDE O PRIMEIRO POST POIS TRATA-SE DUMA ANÁLISE SEQUENCIAL. Uma efeméride de prepot~encia e mau gosto dum militar que sendo meu chefe me retirou ILEGALMENTE o direito ao estudo, como ainda e por cima me PUNIU tendo para tal violado a correspondência privada trocada entre mim e o Presidente da república (Jorge sampaio).

Desculpem NÃO CALAR mas a minha mão faleceu no dia em que soube da minha punição. E todo os dias rezo e choro por ela.


Obrigado e saudação amiga.

De antonio.trancoso@netmadeira.com a 14.10.2007 às 23:55

Senhor Major Borges da Rocha

Em tempo fiz-lhe um comentário que, provavelmente, por inoperância minha, não chegou a este destino.
Creia que partilho da sua angústia, e justa indignação, pelo facto de ter sido impedido de concretizar os seus objectivos de realização pessoal.
Na verdade fraca será a visão de um Comandante que obstaculiza a melhoria académica e cultural dos seus camaradas de Armas e de Ramo (bastaria, tão só, ter em conta a sobranceria com que, tanto a Armada como a Força Aérea, olham para o Exército...)
Com exemplos destes, se calhar, até têm razão...
E, se calhar, também, é gente com o perfil de inflexível dureza, para os subordinados, e, de maviosa docilidade, para os detentores do Poder, que interessa relevar.
Afinal, cada época, faz ressurgir,qual Fénix, a sua "brigada reumática".
Em termos de mentalidade, o que mudou desde Abril de 74?!
Sugiro-lhe, como exemplo, para reflexão e análise comparativa, o teor da Acta nº52, de 23 de Março de 1965, do Conselho de Disciplina da Academia Militar.
Estou ao seu dispôr, através do meu endereço, para qualquer esclarecimento que pretenda.

De antonio.trancoso@netmadeira.com a 14.10.2007 às 23:56

Senhor Major Borges da Rocha

Em tempo fiz-lhe um comentário que, provavelmente, por inoperância minha, não chegou a este destino.
Creia que partilho da sua angústia, e justa indignação, pelo facto de ter sido impedido de concretizar os seus objectivos de realização pessoal.
Na verdade fraca será a visão de um Comandante que obstaculiza a melhoria académica e cultural dos seus camaradas de Armas e de Ramo (bastaria, tão só, ter em conta a sobranceria com que, tanto a Armada como a Força Aérea, olham para o Exército...)
Com exemplos destes, se calhar, até têm razão...
E, se calhar, também, é gente com o perfil de inflexível dureza, para os subordinados, e, de maviosa docilidade, para os detentores do Poder, que interessa relevar.
Afinal, cada época, faz ressurgir,qual Fénix, a sua "brigada reumática".
Em termos de mentalidade, o que mudou desde Abril de 74?!
Sugiro-lhe, como exemplo, para reflexão e análise comparativa, o teor da Acta nº52, de 23 de Março de 1965, do Conselho de Disciplina da Academia Militar.
Estou ao seu dispôr, através do meu endereço, para qualquer esclarecimento que pretenda.

De Fernando Vouga a 11.10.2007 às 11:26

Caro Luís Fraga

É meu hábito procurar os aspectos humorísticos dos textos que leio. Mas aqui não consigo. Porque não estou a achar graça nenhuma ao que se está a passar. Os sinais de despotismo estão a aparecer com uma cadência inquietante. E, para lá disso, parece não haver dúvidas de que estamos a ser governados, melhor dizendo, explorados, por uma pequena oligarquia formada dentro do PS à roda do cidadão Pinto de Sousa.

A propósito , sugiro que visitem o "Quarta República"
http :/ www.quartarepublica.blogspot.com /), onde está um pequeno artigo ("Sinais dos Tempos") muito oportuno...

De Z´Tavares a 11.10.2007 às 17:52

A propósito do seu comentário alusivo ao defile das FA na av. Liberdade convido-o a ver a programação do MD Espanhol para o desfile do dia 12OUT07. O desfile será transmitido pela TVE a partir das 09H00. Gostaria de ler, se isso fosse possível, um comentário sobre este evento.Sei que não há comparação entre as duas FA (Espanholas e Nacionais) mas à nossa dimensão não nos ficaria mal comemorar o dia de Portugal com um grande desfile militar.Apesar de tudo noutros tempos sempre havia mais consideração pela Instituição Militar. Zé Tavares

De Camoesas a 11.10.2007 às 20:02

Não consigo compreender um partido que se continua a dizer "comunista", depois da queda do muro de Berlim e da fragmentação da URSS.
Não consigo compreender um partido que se diz "socialista" e que todos os dias nega a solidariedade, o respeito pelos trabalhadores, o direito à velhice, os direitos dos desprotegidos e minorias...

Também não entendo a dita "direita" que continuo sem saber quem defende, senão os poderosos.
E os "puristas" que também fumam (como eu), andam de automóvel e comem os animaizinhos que não perigam pela extinção, vestem anti-natura e são contra os parques eólicos que dizem perturbar os passarinhos...

Acho que com o passar dos tempos obtenho as certezas e o porquê do meu descrédito total pelos "politiqueiros" que dirigem os partidos.
Creio cada vez mais e sou "apóstolo" se não fundador (desculpem a ousadia), da crença que a política pura é feita pela interactividade dos cidadãos quando usam os meios ao seu dispôr e as novas tecnologias para, afastados da luta e ambição pelo poder, socializam e democratizam a sociedade.

Direita/esquerda/centro/socialismo... É giro aprender os conceitos quando somos imberbes...

Que ninguém se sinta ofendido!

De jose antonio borges da rocha a 13.10.2007 às 13:25

Licenciado Talvez ... Engenheiro Não ... INCUMPRIDOR CONSCIENTE E COM DOLO DA CONSTITUIÇÃO Sim, Sim e Sim ...
POIS SABE QUE HÁ UM SEGMENTO DE PORTUGUESES A QUEM LHES É VEDADO O DIREITO À CULTURA (militares do QP da Escola Prática de Transmissões, no Porto) E NADA FAZ!...
PIOR AINDA ANDA PELO PAÍS A DISTRIBUIR COMPUTADORES MESMO A QUEM NÃO QUER ESTUDAR....
PROMOVE A MAJOR-GENERAL O VIOLADOR MATERIAL DA CONSTITUIÇÃO: CORONEL DE TM RUI MANUEL XAVIER F MATIAS.

E se é Homem com H grande DESMINTA-ME ou COLOQUE UM PROCESSO CONTRA MIM.

disponibilizo-me para doar publicamente toda a minha identificação se FOR ESSE O CASO.

saudação aos íntegros

De João Raposo a 13.10.2007 às 19:50

V. terá, do seu ponto de vista, fundadas razões para não gostar do seu comandante mas, tal, não lhe confere o direito de perder as estribeiras e entrar pelo caminho do insulto e da difamação que o desacreditam e desprestigiam exclusivamente a si.
Sendo V. oficial superior o seu comportamento indicia deficiente formação militar ou então é "sinal dos tempos".
Esgote as vias legais para exercer os seus direitos e dê conta dos resultados pois a "rua" não só não lhe resolve problema nenhum como tem vindo a transformá-lo num simples arruaceiro.


De António José Trancoso a 15.10.2007 às 01:24

Exmo. Senhor João Raposo
Permita-me que, simultaneamente, concorde e discorde, com partes do teor do seu comentário.
O Senhor Major Borges da Rocha, tem todo o direito de "perder as estribeiras", isto é, tem todo o direito à indignação, se confrontado com um Poder estreito e mal direccionado.
Pecará por, ao antigo e frontal Modo Militar, publicamente, dizer quem é quem.
Note, Exmo. Senhor, que a Subordinação Militar não pressupõe, nem legitima, o Poder arbitrário.
O Poder, pelo poder, Manda; porém, como bem saberá, só o consentido Poder da Autoridade... Comanda.
E quem foi educado para Comandar, não pode, nem deve, ser "mandado"; se o permitir, nunca se tornará Comandante; será, curialmente, um Mandante.
Mais; quem usa botas altas, fá-lo para montar bestas; não para "montar" subordinados.
Mal andará quem confunda estas realidades, poque ao confundir subordinados com bestas...confunde-se, e classifica-se, a si próprio.
Como se vê, o Senhor MajorBorges da Rocha, poderia, sem a adjectivação que, expontaneamente, lhe brotou da angustiada alma, ter sido bem mais contundente. E colocar-se a coberto dos contratempos a que, por certo, a "solidária" oligarquia militar não o poupará...
Aí sim, "o sinal dos tempos" que correm. Direi mais, dos "tempos que, sem decoro, voltam a correr".
Pela sua imperícia e indignada incontenção, para aquele Oficial, talvez já não haja grande esperança no prosseguimento de uma tranquila Carreira, mas, Exmo. Senhor João Raposo, a sugestão do "esgotamento das vias legais", é, como também bem saberá, um "presente envenenado".
Traduzindo: ao fim e ao cabo... a passagem compulsiva à reserva.
Não como vítima, que será, mas como o "politicamente correcto", piamente, aconselha denominar-se: arruaceiro.
Agradeço a sua atenção.

De João Raposo a 15.10.2007 às 13:45

Se me apontar uma só vantagem que o senhor major recolhe do uso frenético da net para tornar público o seu problema e a avaliação que faz do seu comandante, darei a mão à palmatória.
Tenho "muitos km nas botas" e "pipas" de R /C (ração combate) no bucho. Sei, por experiência própria, que ao comandante é possível contornar a lei muitas vezes, excepto quando se esgrime com inteligência e pertinácia.
A vinda para a "rua" com os problemas internos conduz a que a solidariedade dos camaradas se esboroe quando ela é importante na criação de ambiente desfavorável a quem comanda, "mal".
Como só conheço a versão do senhor major não posso ir mais longe mas julgo ter sido escolhida uma "rota de suicídio", o que verdadeiramente lamento.

De António José Trancoso a 16.10.2007 às 11:19

Exmo. Senhor João Raposo

A minha intervenção não procurou relevar qualquer tipo de vantagem ( que de facto não existe) na atitude do Major Borges da Rocha.
Como sabemos, a ira, normalmente, não é boa conselheira e conduz, na maior parte das vezes, a resultados nefastos.
Intencionalmente, visei um necessário retorno à serenidade, apaziguadora de males maiores...
Reconheço que não fui bem sucedido.
Porém, não estou tão certo de que, em termos adequados, se não faça a pública denúncia de arbitrariedades lesivas de elementares Direitos Humanos. Ocorram elas onde ocorrerem.
Na verdade, a coberto de um pretenso Espírito de Corpo, escondem-se, e branqueiam-se, enormidades, a que, de facto, só a "corruptela corporativista" confere obscena impunidade.
E se a Instituição Militar é arvorada em Reserva Moral da Nação, então, terá de ser límpida e transparente.
Doutro modo é a própria Nação que estará gravemente doente.

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