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Fio de Prumo



Domingo, 07.10.07

Mudam-se os tempos…

 

 

 
Ontem o país assistiu a mais uma importante manifestação de mudança dos tempos. Lisboa transformou-se, por algumas horas, numa aldeia, vila ou pequena cidade do centro e norte de Portugal. A romaria, no seu mais típico traje provinciano, veio para a rua. E todos feitos basbaques ficámos, de boca aberta, a ver.
Lisboa, capital da Europa, deu o exemplo de como se não deve festejar um aniversário de uma estação televisiva.
 
Para já, vale a pena perguntar qual é a importância da SIC ao nível nacional para que se permita a cedência do espaço mais nobre da cidade de Lisboa — a Avenida da Liberdade — para ali se fazer um cortejo de piroseiras entre o começo da tarde e o meio da noite? O que representa nacionalmente uma estação televisiva para que assim se proceda? Que força tem este meio de comunicação entre nós e em particular esta estação?
 
Imagine o leitor qual o significado do encerramento da Avenida dos Campos Elísios, em Paris, numa tarde e noite de sábado para se festejar o décimo quinto aniversário de uma estação de televisão. Imagine o fecho ao trânsito da Praça Cibeles e da Avenida do Prado, em Madrid, por igual motivo. Imagine. Tire conclusões.
Isto não está ao nível da Europa, mas ao de um qualquer Estado do designado Terceiro Mundo. Só num país de papalvos, de pacóvios, de palonços isto é possível!!!
 
Há mais de trinta anos a Avenida da Liberdade é palco, por poucas horas, dos festejos do dia 25 de Abril, uma data com significado nacional. Na noite de S. António encerra para, numa macaqueação do sambódromo do Rio de Janeiro, dar lugar ao pífio desfile das marchas populares. No entanto, a Avenida da Liberdade, há muitos, muitos anos não é palco de uma grande parada militar em data festiva, como acontece nos Campos Elísios, todos os anos, no dia 14 de Julho, ou como ocorre em Madrid, em 12 de Outubro.
 
Esta substituição dos militares por estações televisivas é bastante significativa. Fala da nossa democracia e do nosso sentido de Pátria, do nosso orgulho nacional. Mas, o pior de tudo, é que fala de como um órgão de comunicação social contribui largamente para a inversão de valores na sociedade portuguesa.
Entre o aparato de uma tropa garbosa e segura, mostrando a valia do seu poder como garante da independência e soberania nacionais preferem-se as baboseiras de uma dúzia de fracos apresentadores televisivos e os dislates de cantores de segunda categoria.
 
Repare o leitor consciente da sua nacionalidade que todas as cerimónias militares de certa grandeza relativa têm sido empurradas para o espaço fronteiro ao mosteiro dos Jerónimos, afastadas das vistas e do bulício da cidade e dos cidadãos. É como se tivéssemos vergonha das nossas Forças Armadas. Contudo, pacóvios, tal como ontem fomos, deixamos esta e colaboramos nesta descaracterização dos nossos valores.
 
Sei que, quase cinquenta anos de nacionalismo hiper exaltado pelo chamado Estado Novo, foram motivo para se procurar moderar o que antes era excessivo, mas daí à cedência da nossa principal sala de visitas a uma estação televisiva vai um abismo. Um abismo de conceitos que, por si só, diz muito.
 
Ao que nós chegámos!
É assim que me apetece acabar o apontamento de hoje.
Ao que nós chegámos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 08:35


8 comentários

De António José Trancoso a 07.10.2007 às 13:53

Pois é...
Quem não se dá ao respeito, merece ser respeitado?!

De JV a 07.10.2007 às 20:34

«a Avenida da Liberdade, há muitos, muitos anos não é palco de uma grande parada militar em data festiva, como acontece nos Campos Elísios, todos os anos, no dia 14 de Julho, ou como ocorre em Madrid, em 12 de Outubro»

É no que dá termos forjado uma sociedade que encara as forças de segurança como uma despesa, um sumidouro de dinheiros públicos em nome de um princípio vago, do dizer deles, como a soberania nacional. Defendem, como o Luís saberá tão bem como eu, que o mais é ter um bife na mesa e uma cama onde dormir: se isso for providenciado, é indiferente se mandam em nós os Castelhanos, os Americanos, os Cingaleses, ou outros quaisquer. E tendo em conta a frase «o homem é um ser político» que se lê no subtítulo deste blogue, julgo que o Luís saberá que tipo de alma dizia ter quem destarte pensava o homem que disse essa máxima brilhante.
A solução passaria por uma educação para o civismo, para o amor da Nação e da sua História, pela criação de um espírito de orgulho patriótico que não fosse a triste futebolice que nos impingem ciclicamente, numa palavra, pela existência de uma sociedade com valores e moralidade: mas nestes tempos de McDonalds e paradas da SIC na Av. da Liberdade ninguém está para esse luxo do espírito que é a Ética...

Gostei muito deste espaço, caro Luís. Se tiver oportunidade, visite o meu blogue.

Melhores cumprimentos,
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«a Avenida da Liberdade, há muitos, muitos anos não é palco de uma grande parada militar em data festiva, como acontece nos Campos Elísios, todos os anos, no dia 14 de Julho, ou como ocorre em Madrid, em 12 de Outubro» <BR><BR>É no que dá termos forjado uma sociedade que encara as forças de segurança como uma despesa, um sumidouro de dinheiros públicos em nome de um princípio vago, do dizer deles, como a soberania nacional. Defendem, como o Luís saberá tão bem como eu, que o mais é ter um bife na mesa e uma cama onde dormir: se isso for providenciado, é indiferente se mandam em nós os Castelhanos, os Americanos, os Cingaleses, ou outros quaisquer. E tendo em conta a frase «o homem é um ser político» que se lê no subtítulo deste blogue, julgo que o Luís saberá que tipo de alma dizia ter quem destarte pensava o homem que disse essa máxima brilhante. <BR>A solução passaria por uma educação para o civismo, para o amor da Nação e da sua História, pela criação de um espírito de orgulho patriótico que não fosse a triste futebolice que nos impingem ciclicamente, numa palavra, pela existência de uma sociedade com valores e moralidade: mas nestes tempos de McDonalds e paradas da SIC na Av. da Liberdade ninguém está para esse luxo do espírito que é a Ética... <BR><BR>Gostei muito deste espaço, caro Luís. Se tiver oportunidade, visite o meu blogue. <BR><BR>Melhores cumprimentos, <BR class=incorrect name="incorrect" <a>JV</A>

De Luís Alves de Fraga a 07.10.2007 às 21:02

Gostaria de vistar, mas fiquei sem saber o endereço.

De JV a 07.10.2007 às 23:18

Clicando nas letras «JV» da minha assinatura creio que acederá ao blogue. Mas se isso não resultar, o endereço é: http://cl-hammer.blogspot.com

Aproveito para agradecer o interesse.

De Cosaje a 07.10.2007 às 22:13

Clique no JV e adicione o c do com.
Digníssimo, seu um leitor assíduo do seu blog. Mias um post oportuno.

Continue e saudações

De Davi Reis a 08.10.2007 às 11:32

Na página da SIC que se reporta ao evento, pode ler-se a dada altura:

"De salientar, pela primeira vez em Portugal, a utilização de Balões gigantes a hélio: Dinosauro, Astronauta, Soldadinho de chumbo e muitos outros..."

Quer isto dizer que, afinal, os soldados estão representados, mas sob a forma de balões gigantes a hélio, coisa que até hoje nunca havia sido feita!... Apenas em jeito de desabafo, mal ou bem, antes a SIC do que a TVI...

Um abraço fraterno, Professor

De jose antonio borges da rocha a 10.10.2007 às 10:22

Concordo ipsis verbis.
Mas não esqueça que odesgraçado e ruinoso processo de afastamento do público com a tropa teve o beneplácito das chefias militares.: A EXTINÇÃO DO SMO.

Sempre me bati contra a extinção do SMO.
Defendia a convivência dos dois sistemas porque adivinhava que a eliminação do SMO iria provocar um corte espitemológico com a cultura social, com o encantamento do dever, com a forma da família olhar a instituição e a ela doar o que de mais belo possuem: filhos e filhas.

Quem vier a seguir que feche a porta porque isto não tem saída....

De jose antonio borges da rocha a 10.10.2007 às 10:37

ESTE COMENTÁRIO ERA PARA A VOZ DA ABITA, PORÉM DADO ESTE ESAÇO TER UMA "CERCA" NÃO PUDE ENTRAR...

AQUI O DEIXO:

Discordo da RAZÃO DE FUNDO...
A culpa do caos e da agnosticidade sobre a efeméride castrense é dos sucessivos Chefes Militares que um após outro nada mais fizeram do que COLAR-SE ao decisor Político, co-participando neste ruinoso processo de degradação duma IM com história e dignidade impar.

E a coisa continua. Veja-se os Generais - que usualmente falam a destempo - dizem que há ruído de fundo na caserna, pois bem e o que acontece ao rosto do ruído: PUNE-SE?

São os chefes militares que devendo ser os primeiros a captar o descontentamento fazem dele um mote para elogiar o RDM?

Veja AS DEZENAS DE PROCESSOS DISCIPLINARES A DIRIGENTES ASSOCIATIVOS?

Veja a forma como a Hierarquia reage a uma das mais elementares pretensões: O MEU CASO CONCRETO. Fui punido PAASSSMMMMEEEEE-SSSSSSEEEEEEE APENAS POR QUERER ESTUDAR, APENAS POR QUERER TIRAR O CURSO DE CIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃPO E RELAÇÕES INTERNACIONAIS NA UNIVERSIDADE ABERTA?

O que fez o CEME, em vez de restabelecer a ordem e a legalidade mandou punir-me?

Enfim são miríades de casos em que a chefia (cujo primeiro dever militar é a tutela) se cola ao Poder, CONTRA a subordinância.

Saudação amiga
Convido-o a dar uma olhada no meu www.arguidocastrense.blogspot.com

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