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Fio de Prumo



Terça-feira, 03.01.06

As Forças Armadas em números

Numa feliz iniciativa o diário Correio da Manhã, nos últimos dias do ano passado, publicou três artigos sobre os três Ramos das nossas Forças Armadas. Percebeu-se que foi dada a liberdade para cada qual realçar o que melhor entendeu. Todavia, em comum, vieram os números relativos ao pessoal e referências ao material operado.


Seria interessante se igual iniciativa fosse tomada com outros Ministérios que dão corpo ao aparelho do Estado. Talvez assim ficássemos a saber um pouco mais por onde se escoam os impostos pagos pelos cidadãos. Quantos milhares de funcionários terá o Ministério das Finanças? E o da Saúde? E o da Educação? E o da Justiça? E o do Administração Interna? E o das Obras Públicas? E o da Agricultura e Pescas?


Pois as Forças Armadas deste país totalizam qualquer coisa como, em números exactos, 46.928 pessoas, das quais 7.422 são civis. Assim, temos, que militares ou militarizados são 39.506. É sobre este «punhado» de cidadãos que a mão pesada do Governo caiu a roubar parcas regalias detidas por quem se obriga a estar disponível 24 horas em cada dia e a dar a vida, se preciso for, para cumprir o «contrato de trabalho»!


Dirão os mais atentos e rigorosos dos meus leitores: — Sobre esses e todos os outros que estão já na situação de reserva e reforma!


Dizem uma meia verdade, porque, destes trinta e nove milhares e meio de almas só têm direito a regalias vitalícias os graduados do quadro permanente. Ora, se assumirmos que os números fornecidos ao Correio da Manhã, relativos a oficiais e sargentos se referem a militares nesse tipo de situação (o que não é verdade, por estes serem menos), verificamos estar perante qualquer coisa como 16.172 homens e mulheres. Se quisermos, por aproximação, determinar o total de reservistas e reformados poderemos usar como factor de multiplicação o valor 3 (estou a fazer cálculos aleatórios e simplesmente baseado em indícios fundamentados no passado). Assim, chagaremos a 48.516. Adicionando a estes os efectivos militares (39.506) passamos a ter 88.022. Seria, talvez por excesso, este o número de militares beneficiários de algumas regalias dos antigos sistemas de saúde existentes até ao último dia do ano findo. Para maior rigor vamos multiplicá-lo por dois para considerarmos os agregados familiares (temos de contar que muitos são os viúvos, separados e solteiros) e obtemos 176.044 beneficiários. Convenhamos que se trata de uma fatia muito estreita da segurança social de um país com mais de dez milhões de habitantes. E, se o é, a vantagem que o Estado tira dos cortes que fez vai ser, ela também, muito reduzida. Esta conclusão leva-nos a outra: as Forças Armadas serviram de exemplo para depois se corrigirem assimetrias e abusos existentes noutros sectores do funcionalismo público. E foram exemplo, porque têm de estar caladas por força do seu código de conduta. Assim, o Estado, o Governo, não soube, não quis, não foi capaz de se impor sem o sacrifício de quem já anda sacrificado.


Deixando de lado — com dor e pesar — as injustiças feitas à Família Militar, atentemos, agora, nos números que compõem parcelarmente as nossas Forças Armadas.


Na categoria genérica de oficiais, o Exército tem 2.881, a Armada 1.512 e a Força Aérea 1.247; já em sargentos os números são, pela mesma ordem, 5.535, 2.649 e 2.321; ao nível das praças (cabos e soldados) surgem, sequencialmente: 13.900, 6.404 e 2.829.


Quem for minimamente perspicaz percebe aqui aparentes discrepâncias, contudo explicáveis. Assim, parece estranha a pequena diferença entre sargentos e praças no Exército — um pouco mais do dobro. Isto justifica-se, porque devemos atentar que, sendo os sargentos os elementos que enquadram as praças, tem de haver um número capaz de, em caso de necessidade, face a uma mobilização extraordinária, «suportarem» o dobro ou, talvez, o triplo do contingente de cabos e soldados. Por outro lado, 13.900 praças é um número que poderá, no máximo, garantir a formação de duas brigadas e nada mais.


Na Marinha, deve descontar-se na classe de praças 1.692 que são fuzileiros navais o que faz baixar para menos de cinco mil as que vão guarnecer navios e postos em terra.


A especificidade da Força Aérea traz-lhe características muito especiais. Com efeito as maioria dos combatentes — directos e envolvidos na acção de fogo — são oficiais: os pilotos, que totalizam 200, faltando 90 para os quadros estarem preenchidos. Tudo o mais, são técnicos que garantem a operacionalidade dessas duas centenas. Deve acrescentar-se que, em terra, a Polícia Aérea oferece a segurança das infra-estruturas. Curiosamente, é neste Ramo que o número de pessoal em situação de alerta diário atinge um patamar muito elevado de empenhamento: 600. Este envolvimento operacional passa pelos destacamentos permanentes nas ilhas de Porto Santo e S. Tomé; e pela prontidão imediata na Base Aérea de Monte Real, Montijo e Lajes, na ilha Terceira. Os aspectos mais notórios da actividade aérea em alerta são, sem dúvida, os de salvamento, atribuídos aos helicópteros com base no Montijo, nas Lajes e em Porto Santo.


As Forças Armadas de Portugal, hoje reduzidas a uma dimensão quase exígua, apresentam um grau de prontidão que em nada fica atrás das de qualquer grande potência militar, salvaguardadas as proporções e as disponibilidades orçamentais. Ridículo é haver governantes a exigirem mais contenção, discutindo o pouco consumido por quem está apto a, numa situação de caos ou calamidade, manter a ordem e garantir serviços mínimos.


Portugal sempre foi ingrato para os Soldados, embora seja uma Nação que se construiu, chapinhando no sangue dos seus heróis anónimos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por Luís Alves de Fraga às 07:51


7 comentários

De Anónimo a 06.01.2006 às 15:04

Falando ainda de números, afinal a crise é só para os parolos...
Os mais doutos continuam no mesmo caminho grandioso e despreocupado. Doutores noutras ciências que não as que cursaram nas universidades, mas sim na escola da vida...
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=630881&div_id=1730Carlos Serra
</a>
(mailto:cjoaserra@hotmail.com)

De Anónimo a 04.01.2006 às 23:34

Eu vejo os números doutro modo. Ao criar no povo a imagem e ideia que a Função Pública ( e outros servidores do Estado, como os militares)é a responsável pela situação caótica da nossa economia, os Governantes permitem-se "aumentá-los" apenas 1,5% em 2006, apesar da inflacção ser aproximadamente o dobro. Como as empresas seguem os indicadores dos servidores de estado (quando interessa),não esperem os trabalhadores, aumentos muito maiores, só aí perceberão o porquê do ataque e constatarão que também foram atingidos! A economia provavelmente melhorará; continuarão os baixos salários, aumentos inferiores à inflacção e assim as empresas obterão maior lucro, gerarão maior riqueza, até porque os empresários já negociaram com o governo uma redução na factura energética. Fazendo o ponto da situação; maior produção e riqueza com custos inferiores logo melhor economia a nível de País, por outro lado a nível familiar, perda do poder de compra, vida mais difícil e trabalhadores insatisfeitos. Tudo indica que qualquer dia poderemos ambicionar ser como a China; produzir e exportar muito com trabalho infantil e trabalhadores sem direitos nem condições trabalhando por um prato de sopa. Seremos um grande País com o IP4 e IP5 (obras de arte)onde morrem Portugueses, mas teremos TGV para turistas (nem todos)se passearem pela beleza natural e miséria humana dos Portugueses.Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 04.01.2006 às 16:49

Passei por aqui e inspirei-me para escrever um artigo que no fim direcciona um link para este blog. Espero que seja bem aceite. :) CumprimentosLeitora_de_passagem
(http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt)
(mailto:rosasilva@vodafone.pt)

De Anónimo a 04.01.2006 às 09:07

Os comentários, neste blog, são plurais e democraticamente aceites. Só serão eliminados aqueles que ultrapassem os limites da boa educação social e convencional. É em nome da pluralidade que exponho as minhas ideias e me exponho. Permito-me o direito de resposta ou o silêncio. É um direito que me assiste.Luís Alves de Fraga
</a>
(mailto:luismfraga41@hotmail.com)

De Anónimo a 03.01.2006 às 23:14

Pensem realmente mais na Pátria e não tanto em interesses particulares, pois essa é efectivamente a verdadeira missão ...deste Blog.
Arrepia ver tanta demagogia e não sentir o país...
quem isto escreve 'bateu'duro em áfrica - conheci lá o Lobo antunes - e...hoje leio apavorado 'os seus aerogramas' em livro.
kuase me esquecera...
vem agora a demagogia e areia para os olhos...


Não bastou o tal Portas???MSN
</a>
(mailto:largodaluz@portugalmail.com)

De Anónimo a 03.01.2006 às 21:56

Este Governo continua na senda da demagogia e do efeito fácil. Primeiro, diaboliza certos grupos: as farmácias, os juízes, os militares, os políticos (apenas os mais tenrinhos) e as suas mordomias. Depois, investe contra esse dragões. O efeito real dessas pseudo-medidas é quase nulo, como muito bem mostra na sua nota. Mas o efeito psicológico é grande. O "pagode", na sua inveja e desconhecimento de causa, baba-se de gozo!deprofundis
(http://deprofundis.blogs.sapo.pt/)
(mailto:fcmvouga@sapo.pt)

De Anónimo a 03.01.2006 às 10:28

Operações Especiais… até demais!

Numa altura em que se fala tanto da tão proclamada crise económica, perguntamos a quem de direito e com responsabilidades sobre a governação do país, como se chegou ao ridículo de termos actualmente quatro forças de Operações Especiais?
Poderá alguém explicar esta alarvidade aos cada vez mais descrentes e sacrificados contribuintes portugueses?
Analisando as missões que são incumbidas a estas forças (diga-se de passagem que todas as quatro vão dar ao mesmo), ainda se justificam as actividades operacionais do GOE da PSP, da COE da GNR e do DAE da Marinha, quer pela protecção das nossas embaixadas espalhadas pelo mundo, ou pelas operações de carácter policial, quer pelas missões desempenhadas no Iraque, no Afeganistão, etc.
Mas… e as Operações Especiais do Exército, os antigos RANGERS de Lamego?
Qual a funcionalidade concreta de uma unidade militar constituída por apenas “meia-dúzia” de elementos, longe dos COMANDOS, que após a sua reactivação apenas há 3 anos, já contam nas suas fileiras com um Regimento operacional e com uma participação efectiva no Afeganistão?
Terão somente como missão a salvação da Pátria?
Não nos parece, pois a “concorrência” há muito que os ultrapassou. Apenas se trata de mais uma das inúmeras más aplicações do dinheiro de todos nós, que andamos a manter a existência de uma pequena “família”, subdividida em três aquartelamentos e duas messes, com todos os seus excessivos custos inerentes, onde a sua operacionalidade… enfim!
Embora seja uma unidade militar histórica, fornecedora de grandes feitos para o país, o que nunca esqueceremos, convém não empenhar mais o nosso presente, e esse diz-nos que a crise, afinal, é só para alguns.
Pensem realmente mais na Pátria e não tanto em interesses particulares, pois essa é efectivamente a verdadeira missão de qualquer força de Operações Especiais de um país.
Pedro Ramos
(http://616751)
(mailto:portugal1143@sapo.pt)

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