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Fio de Prumo



Sábado, 07.01.06

Do tendão de Aquiles ao joelho de Sócrates

Aquiles, guerreiro em quem os Gregos confiaram para conquistar Tróia, foi mortalmente atingido por uma seta disparada por Páris, que Apolo desviou de modo a atingir o calcanhar, ponto frágil do semi-deus.


As minhas dúvidas profundas sobre as divindades com que tantas religiões nos presenteiam, impondo-as nos seus templos como os bons peritos de marketing fazem hoje aos produtos supérfluos que enchem as catedrais do consumo chamadas shopping centers, levam-me a ser um agnóstico limitado (pela força da cultura católica envolvente dos cidadãos em Portugal). Mesmo agnóstico, ou por causa disso, ao ler nos jornais a notícia de que o primeiro-ministro tinha sido intervencionado no Hospital da Força Aérea, por um médico ortopedista a quem, há muitos anos, na Academia, em Sintra, ensinei algumas coisas de história militar, dei comigo a pensar se, afinal, os deuses não escrevem, realmente, direito por linhas tortas. Terá sido Apolo quem deu um empurrão, contribuindo para o desequilíbrio de Sócrates, na descida da pista de gelo? Assim, no Olimpo, Ares, o deus da guerra, terá estado ao lado da justa causa dos seus servidores portugueses, trazendo Sócrates a um hospital militar para que visse e sentisse quanto estes estabelecimentos são necessários a quem à mavórtica actividade se dedica.


Irá Luís Amado manter-se caprichoso na fusão dos hospitais militares e dos serviços de saúde, sem perceber que cada um tem valências específicas, como tão bem ficou provado após este recente episódio com José Sócrates? Não estarão os deuses a indicar a estes governantes o caminho certo a trilhar? Há mais mundos para além do económico e nós bem precisamos de manter os vários hospitais militares em funcionamento quando a tendência é para acabar com os seus equivalentes civis, vista a furiosa decisão do Estado para transformar em empresas aquilo que tanta falta faz aos Portugueses.


— Senhores ministros, estraguem-se todos, partam-se, desloquem-se, inchem-se, vomitem-se, porque cá estarão os médicos militares, nos seus hospitais, para vos tratar da saúde. Os deuses estão de atalaia!

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por Luís Alves de Fraga às 01:07


4 comentários

De Anónimo a 10.01.2006 às 19:16

Bem, tratou-se apenas da substituição de utentes. Acabou a ADMFA e são tomados pelos políticos os direitos retirados aos militares. Para me divertir mais, espero voltar a ver, nas comemorações do próximo 25 de Abril, na Assembleia da República, os dignos representantes militares, a serem exibidos como jarras de flores, a adornar a festa que devia ser de todos, mas que, pelos vistos, já só é deos políticos.Cavaco J O
(http://serrobeco)
(mailto:joséocavaco@sapo.pt)

De Anónimo a 07.01.2006 às 12:50

O último parágrafo da prosa está (como de costume) excepcional. Também é coincidente que, se não estou em erro, essa intervenção cirúrgica foi feita precisamente no dia em que acabou a ADMFA. Qualquer dia começarei a acreditar que os deuses existem, os políticos deste País que se cuidem...Camoesas
</a>
(mailto:camoesas@yahoo.com)

De Anónimo a 07.01.2006 às 03:45

Obrigado pelo comentário que recebi no meu blog. Claro que pode ficar por lá. É uma honra. Cumprimentos cordiaisBlueyes41
(http://silvarosamaria.blogs.sapo.pt)
(mailto:rosasilva@vodafone.pt)

De Anónimo a 07.01.2006 às 03:45

Obrigado pelo comentário que recebi no meu blog. Claro que pode ficar por lá. É uma honra. Cumprimentos cordiaisBlueyes41
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