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Fio de Prumo



Domingo, 31.12.06

Cusquice de fim de ano

 

Não quero perder muito tempo com o que, de facto, não vale a pena. Todavia, não resisto à cusquice do Correio da Manhã de hoje. José Sócrates, Edite Estrela, Marques Mendes, Jaime Silva, ministro da Agricultura, pelo menos estes, vão passar o fim de ano ao Brasil com os respectivos familiares.
 
Dá vontade de perguntar:
— Usam o cartão de crédito e ficam a pagar a prestações a estadia ou liquidam a pronto de pagamento?
E dá vontade de perguntar, porque estamos a viver um regime de contenção de despesas e o mínimo que estes senhores podiam fazer era passar o ano em casa, tal como a grande maioria dos Portugueses. Tal como eu, por exemplo! Tal como a porteira do meu prédio e tal como a minha vizinha do andar de baixo! Tudo gente dentro da chamada classe média, sendo que uns são da classe média alta, outros da classe média média e, finalmente, outros ainda da classe média baixa. Estes políticos não são classe média — não serão? — mas são funcionários do Estado e, «quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem»!
Como será que na mão deles o dinheiro é fêmea e na minha — na nossa, na da maioria dos Portugueses — é macho? Na deles reproduz-se e na nossa mingua!
 
Tenham vergonha senhores ministros! Tenham vergonha senhores líderes partidários! O velho «Botas» — o ditador António de Oliveira Salazar — deixou muita gente enriquecer à custa do Zé Pagode — veja-se o almirante Tenreiro e outros da mesma laia — mas teve sempre o decoro de mostrar aos Portugueses que vivia com a modéstia de um servidor público. Desonesto? Claro que sim, porque o era moralmente! Contudo, demagogicamente honesto no seu comportamento.
 
Ao menos, senhores ministros, tenham a vergonha e a demagogia de procurarem dar o exemplo aos Portugueses, deixando de ser consumistas numa época em que ditam leis que, só por si, limitam o consumo. E, pior do que tudo, são consumistas, levando para fora do país divisas (euros) que poderiam ser gastas internamente e, assim, alimentarem a economia nacional.
 
Mas estamos ou não a viver uma autêntica bandalheira? Isto parece ou não um mau filme do chamado Terceiro Mundo? Estes políticos merecem ou não sofrer um verdadeiro arrepio — não de frio, mas de medo?
É tempo de quem de direito puxar pelas bandas do casaco do senhor Primeiro Ministro e chamar-lhe a tenção de que, por muito que queira proporcionar aos filhinhos o melhor que pode haver em férias, tem responsabilidades de exemplo para com os Portugueses, em especial daqueles que, tendo também filhos, só lhes podem dar como festa de passagem de ano o espectáculo de fogo de artifício — dinheiro queimado! — nas grande cidades de Portugal, porque, nas outras, dão-lhes televisão ou bailarico no clube da localidade.
 
Tenham vergonha! Tenham moral! Ponham os olhos na mulher de César...

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por Luís Alves de Fraga às 09:43


4 comentários

De Camoesas a 31.12.2006 às 12:01

Também deparei com essa "fofoca" no CM, fiquei surpreso porque o irmão do nosso primeiro se chama Pinto de Sousa, António Pinto de Sousa, pensei que fosse Sócrates, António Sócrates!
Os "meninos" do senhor "engenheiro" na escola, usarão o apelido do pai ou também terão vergonha e usarão o Sócrates para serem reconhecidos e privilegiados? Privilegiados não, leia-se antes status.
Tendo vindo a público que até nalgumas "empresas" a Metro, qualquer "executivo" sem execução determinada, tem cartão de crédito, será que o nosso primeiro também usa um cartão do género para passear no Algarve, na Suíça, no Quénia e no Brasil?
Não acredito, o senhor primeiro certamente pagará do seu próprio vencimento todos esses privilégios e regalias que se concede , afinal ele é o moralista desta nação, ele que se julga saído do nevoeiro...
Soube que o senhor "engenheiro" terá tido como primeiro emprego, uma entrada directa nos quadros da câmara da Covilhã, logo que saíu de Coimbra com um bacharelato em engenharia na mão .
Alguém conhece obra feita e assinada pelo senhor "engenheiro"? Por favor digam-me o que fez tão ilustre português que a todos os outros profissionais acusa !
Pois, de concreto de concreto mesmo... ele é um grande orador! Sabe usar a palavra e agora até aprendeu a falar. No discurso Natalício, em tom solene com calma e pausadamente, sem elevar o tom de voz e fazendo gestos de descontracção, acariciando os dedos como que em busca de uma aliança que não tem.
Nota 10 para o senhor primeiro e para quem lhe deu aulas de "técnicas de expressão" e malabarismo político.

De Sarg. MádaFaca a 31.12.2006 às 12:49

Os donos da Républica vão descontrair para fora uma vez que cá dentro poderão ser confrontados com a m... que fazem. Pessoas com tão elevado estatuto não podem ser misturados com o Zé Portuga, que esse anda arrasquinha para conseguir pagar as contas ao fim do mês e pagar a escola aos filhos. Podem encontrar algum mais descontrolado que lhes pregue um susto, já que os jornalistas estão controladinhos, só de algum mais corajoso poderão ouvir algumas bocas e hoje parece mal andar com a trupe de guarda costas atrás...
Bom ano, dentro das possibilidades de cada um... Para eles vai ser bom de certeza.

De José Cruz a 01.01.2007 às 14:30

Não sei se tem veracidade a notícia do Correio da Manhã, onde a referência ao 1º ministro e a outros ministros vem lado a lado com outra dirigida a comportamentos íntimos de pessoas que só a elas deviam dizer respeito.

É claro que cada um gasta os seus proventos, ganhos com transparência, da maneira como muito bem lhe apetecer. Julgo até que os ordenados dos membros do governo sejam suficientes para irem passar o fim do ano onde quiserem.

Mas, e este mas é muito importante, um membro de um governo democraticamente constituído não é um cidadão anónimo qualquer a quem tem de se reconhecer aquela prerrogativa. Não, é um servidor do país, que aceitou esse cargo, para fazer alguma coisa pelo mesmo.

Ora quase todas as medidas que o governo tem tomado (sem delas entrar em análises de mérito), dada a situação difícil em que o país se encontra, tem acarretado sacrifícios, com particular relevância para quem deles menos possibilidades de defesa tem.

A situação difícil do país, não tem a ver com falta de recursos financeiros nem intelectuais. Toda a gente o sabe. Então o que falta? Entre outras coisas, organização, liderança e mentalidade (ética, valores, princípios, solidariedade...).

Esta última, não se compra no supermercado nem se adquire por decreto. Começa nos bancos da escola, no seio da família e prossegue na vivência diária, onde o exemplo é fundamental. E tanto mais quanto mais de cima vier.

Por muito que os srs. ministros façam ou queiram fazer, do que não duvido, não serão eficazes se não andarem à frente com o seu exemplo. Para que a população em geral sinta, não basta acreditar, que eles estão lá para a servirem e não para se servirem

De JV a 02.01.2007 às 23:26

Concordo consigo, caro Luís Alves Fraga: estes ministros merecem de facto um arrepio de medo, para ver se se comportam com um mínimo de decoro. O desrespeito pelo Povo à custa do qual vivem no fausto enquanto o condenam à miséria cada vez mais gritante tem de acabar: é tempo de a população sair à rua em massa e de os forçar, literalmente, a entrar nos trilhos, se não quiserem ser apeados e substituídos por alguém que de facto olhe por Portugal.
É verdade evidente desde a Revolução Americana que quando o Estado Central desrespeita o Povo este tem direito de o depor e escolher novos governantes que o saibam representar com mais Dignidade e Justiça - e o dia dessa substituição pode estar mais longe do que perto...

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